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11/09/2026
4 min

Combustível nos EUA está mais caro do que nunca. Por que isso acende alerta no Brasil?

Choque no mercado global de combustíveis ameaça elevar custos de transporte, alimentos e energia no Brasil

Combustível nos EUA está mais caro do que nunca. Por que isso acende alerta no Brasil?

O diesel americano atingiu, pela primeira vez, a marca de US$ 6 ou R$ 30,60 por galão nesta sexta-feira, 11, em um novo sinal de que a alta do petróleo já começa a se espalhar pela economia. O preço médio nacional chegou a US$ 6,0556 por galão, segundo dados da AAA, alta anual de cerca de 63%.

O movimento interessa ao Brasil por um motivo que vai além do preço do combustível nos Estados Unidos, pois o diesel é um dos principais elos entre petróleo, transporte, agricultura e consumo. Quando ele fica mais caro, aumenta o custo para levar alimentos e mercadorias de um ponto a outro, e parte dessa conta pode acabar chegando aos preços ao consumidor.

O quadro se agravou com a escalada da guerra no Irã, ao mesmo tempo em que a guerra entre Rússia e Ucrânia continua afetando a oferta global de combustíveis. O petróleo americano (WTI, na sigla em inglês) chegou a superar US$ 100 por barril na quinta-feira, 10, pela primeira vez desde maio.

Hoje, o WTI estava em US$ 99,18, caindo 3,22%, enquanto a referência global de preços Brent era negociado a US$ 103,84, com queda de 3,52%, por volta das 7h26 (horário de Brasília).

Diesel é combustível para a economia

Apesar de a gasolina receber mais atenção dos consumidores, o diesel tem um papel importante na atividade econômica. Ele abastece caminhões, locomotivas e embarcações, além de ser utilizado em máquinas agrícolas e, em alguns mercados, na geração de eletricidade e no aquecimento.

"É o combustível mais insidioso, mais caro e de maior impacto", segundo o presidente da consultoria Rapidan Energy, Bob McNally, à CNBC.

O efeito econômico ocorre em cadeia, já que um caminhão mais caro para abastecer eleva o custo do frete e o frete mais caro aumenta o custo de distribuição de alimentos, bens de consumo e insumos. Empresas podem absorver parte desse aumento nas margens, mas também podem repassá-lo aos preços.

Guerra e ataques a refinarias reduzem a oferta global de diesel

A disparada dos combustíveis não decorre apenas da valorização do petróleo, o mercado também enfrenta restrições na capacidade de refino. Dados citados pela indústria americana mostram que os conflitos no Leste Europeu e no Oriente Médio teriam retirado do mercado cerca de 5 milhões de barris por dia de capacidade de refino.

Ao mesmo tempo, a Rússia restringiu exportações de diesel após ataques ucranianos a refinarias, enquanto os conflitos envolvendo o Irã afetaram rotas e instalações importantes para o mercado de combustíveis.

O presidente da Lipow Oil Associates, Andy Lipow, estimou ao canal americano que o mundo tenha perdido quase 8% da oferta de diesel, em um momento em que existe pouca capacidade ociosa de refino para compensar a interrupção.

Nos EUA, as refinarias já operam perto do limite, com a taxa de utilização chegando a 98%, conforme a chefe de estratégia global de commodities do RBC Capital Markets, Helima Croft, que também falou à imprensa internacional.

Petróleo mais caro: quais são os impactos para o brasileiro

A alta do petróleo cria uma equação ambígua para o Brasil, porque as produtoras de petróleo podem se beneficiar de preços internacionais mais elevados, principalmente aquelas com grande exposição à produção de óleo e custos competitivos, como a Petrobras.

No entanto, o petróleo mais caro aumenta o custo de combustíveis e pode pressionar a inflação brasileira, afetando a população e empresas dependentes de transporte rodoviário, logística, aviação e distribuição.

Se o choque de energia persistir e contaminar outros preços, o espaço para cortes de juros pode diminuir e aumentar o custo de capital das companhias. No câmbio, por outro lado, aumenta-se a volatilidade e altera-se o fluxo de capital estrangeiro em mercados emergentes como o Brasil.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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