Comcast, dona da Universal Pictures, vai dividir operação em empresas independentes

Após as numerosas reviravoltas na venda da Warner Bros, outra gigante midiática irá movimentar Hollywood ainda em 2026. A Comcast irá se separar em duas grandes empresas. A primeira, focada na tecnologia da comunicação. A outra, em propriedade intelectual, parques e estúdios.
A divisão de suas operações em duas companhias independentes de capital aberto foi anunciada nesta segunda-feira, 29, e está prevista para ocorrer dentro de aproximadamente um ano.
A decisão encerra um ciclo de 15 anos em que a Comcast combinou distribuição e produção de conteúdo, uma estratégia que se tornou comum entre grandes empresas de telecomunicações na década de 2010. O movimento ocorre em meio à pressão sobre os negócios tradicionais de televisão e à disputa com gigantes do streaming.
Após o anúncio, as ações da Comcast avançaram cerca de 8% na segunda-feira. O papel CMCSA, negociado na Nasdaq, era cotado a US$ 24,37 nesta terça-feira, 30, com alta de 0,64% no pregão. A empresa tem valor de mercado de aproximadamente US$ 87,34 bilhões, segundo dados do Investing.
Nova NBCUniversal terá estúdios, parques e streaming
A empresa criada a partir da cisão reunirá os principais ativos de entretenimento da Comcast. A nova NBCUniversal será formada pelos estúdios cinematográficos e televisivos da companhia, incluindo a Universal Pictures, além das redes NBC, Telemundo, Bravo, o serviço de streaming Peacock e a divisão europeia Sky.
Também farão parte da companhia os parques temáticos da Universal, que incluem unidades em Orlando, Hollywood, Osaka e Pequim. O portfólio inclui franquias como “Velozes e Furiosos”, “Jurassic World” e “Meu Malvado Favorito”.
O atual co-CEO da Comcast, Mike Cavanagh, será o executivo-chefe da nova NBCUniversal. Segundo a empresa, a separação permitirá que a companhia tenha maior autonomia para investir, realizar parcerias e buscar oportunidades no mercado de mídia.
Analistas de Wall Street, porém, já avaliam que a nova estrutura pode transformar a NBCUniversal em um possível alvo de aquisições.
Segundo a Reuters, especialistas consideram que empresas como a Netflix poderiam demonstrar interesse, especialmente após perder a disputa pela Warner Bros. Discovery,arrematada pela Paramount com uma proposta de US$ 110 bilhões.
Executivos da Comcast negaram, entretanto, que a separação tenha como objetivo preparar a venda da NBCUniversal. “Absolutamente não”, disseram durante uma apresentação a investidores, de acordo com a agência de notícias.
Comcast vai focar em conectividade
A outra companhia resultante da divisão manterá os negócios de tecnologia e comunicação da Comcast, incluindo internet banda larga, serviços sem fio, operações empresariais e televisão por cabo.
Michael Angelakis, ex-diretor financeiro da Comcast, assumirá como CEO da nova empresa. Ele havia retornado recentemente como consultor estratégico para auxiliar no processo de separação.
A divisão de conectividade representa a maior parcela da receita atual da companhia. Segundo a Reuters, esse segmento gerou US$ 70,7 bilhões em receita no último ano, mais da metade do faturamento total da Comcast.
A empresa também manterá temporariamente uma participação de até 19,9% na NBCUniversal após a conclusão da cisão. A Comcast pretende vender essa participação gradualmente para reduzir seu endividamento.
O atual presidente e co-CEO Brian Roberts continuará envolvido nas duas companhias. Filho do fundador da Comcast, Ralph Roberts, ele mantém controle de cerca de um terço do poder de voto da empresa por meio de ações com direito especial, estrutura que deverá continuar na NBCUniversal.
Fim da era das fusões entre telecomunicações e mídia?
A separação representa mais um capítulo do enfraquecimento do modelo que unia empresas de infraestrutura e produção de conteúdo. A Comcast havia liderado essa tendência aocomprar a NBCUniversal da General Electric em 2011, em uma transação avaliada em quase US$ 40 bilhões.
Outras companhias seguiram caminho semelhante. A AT&T comprou a DirecTV em 2015 e a Time Warner em 2018, mas posteriormente desfez essas operações.
Para analistas, a separação da Comcast reflete uma mudança no mercado, no qual negócios de conectividade e entretenimento passaram a enfrentar desafios diferentes. “Conectividade e mídia não estão mais se movendo naturalmente no mesmo ritmo”, afirmou Paolo Pescatore, analista da PP Foresight, à Reuters.
