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Sacre Investimentos
Future of MoneyCPTO
15/08/2026
4 min

Como a diversificação está mudando a tese de investimento em cripto

Diversificar não é ter muitas moedas digitais diferentes, mas ter ativos digitais que respondem a fatores diversos

Como a diversificação está mudando a tese de investimento em cripto

Por Andrew Forson*

O mercado de ativos digitais entrou em 2026 mais maduro, mas também mais seletivo. A presença institucional aumentou, novos produtos financeiros ampliaram o acesso a diferentes criptomoedas e o ecossistema de blockchain se diversificou. Ao mesmo tempo, o mercado vem crescendo em ritmo mais moderado do que parte das expectativas formadas no início do ano.

Essa combinação reforça uma mudança importante na forma de olhar para a classe. A diversificação em cripto já não é uma questão de simplesmente adicionar ativos ao bitcoin, mas de identificar quais teses podem oferecer fontes diferentes de retorno (e quais riscos vêm associados a elas).

Qual é a tese das principais criptomoedas?

O bitcoin continua sendo a principal referência do mercado. Sua dominância permanece próxima de 56% da capitalização total dos ativos digitais, refletindo sua maior liquidez, histórico e aceitação institucional. Sua tese, porém, é bastante específica: está principalmente associada à escassez digital e à função de reserva de valor.

Outros ativos apresentam fundamentos diferentes. O XRP, por exemplo, está mais relacionado à infraestrutura de pagamentos e à movimentação internacional de valor. O encerramento da disputa entre a Ripple e a Securities and Exchange Commission (SEC), nos Estados Unidos, reduziu uma importante fonte de incerteza regulatória e contribuiu para ampliar o espaço do ativo entre investidores institucionais e produtos financeiros.

A solana, por sua vez, representa uma tese ligada à expansão da atividade on-chain. Sua infraestrutura foi construída para suportar elevado volume de transações e se tornou relevante em áreas como negociação descentralizada, stablecoins, pagamentos e aplicações financeiras. A chegada de produtos negociados em bolsa com exposição à SOL, incluindo estruturas que incorporam staking, é um sinal de que o mercado tradicional também começa a criar mecanismos para acessar essa tese.

Como compor uma carteira de criptoativos?

São exposições diferentes. Bitcoin está ligado à escassez e à reserva de valor; XRP, a pagamentos; solana, à infraestrutura para aplicações e transações on-chain. É essa diferença de fundamentos, e não simplesmente o número de criptomoedas em uma carteira, que pode tornar a diversificação relevante.

Isso também significa reconhecer que nem toda diversificação reduz risco. Uma carteira com dez criptoativos pode continuar altamente concentrada se todos responderem aos mesmos fatores de mercado. Em períodos de aversão a risco, por exemplo, ativos com fundamentos distintos podem apresentar quedas simultâneas.

O amadurecimento do mercado também ampliou as formas de acessar essas teses. Produtos negociados em bolsa (ETPs, na sigla em inglês), fundos negociados em bolsa (ETFs) e fundos permitem que investidores obtenham exposição a ativos digitais por meio de estruturas que incorporam elementos conhecidos do mercado tradicional, como custódia institucional, governança, liquidez e gestão profissional. Para quem investe, isso adiciona uma segunda decisão à escolha do ativo: qual é a melhor forma de acessar essa exposição?

Atenção às fontes de retorno

Essa questão ganha ainda mais importância em estratégias que envolvem staking ou DeFi, nas quais podem existir riscos tecnológicos, operacionais e de liquidez que não estão presentes da mesma maneira em ativos tradicionais. Um produto mais estruturado não elimina esses riscos; pode apenas organizá-los dentro de uma estratégia e de uma estrutura de governança mais claras.

É importante, portanto, não confundir amadurecimento com redução automática de risco. Criptomoedas continuam sujeitas a fortes oscilações de preço, mudanças regulatórias, riscos de liquidez e características específicas de cada protocolo. O crescimento institucional da classe não altera essa realidade.

O que mudou é a qualidade das escolhas disponíveis. Bitcoin continua ocupando um papel central, mas XRP, solana e outras redes oferecem teses distintas, enquanto ETPs, ETFs e fundos criam novas formas de incorporá-las aos portfólios.

Para o investidor, a pergunta mais relevante já não é apenas quanto alocar em cripto. É entender quais fontes de retorno quer acessar, quais riscos está disposto a assumir e qual estrutura oferece a maneira mais adequada de fazer isso.

*Andrew Forson é presidente da DeFi Technologies

AutorDa Redação
FonteExame
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