Como a Gerdau vai fortalecer operação nos EUA enquanto busca competitividade no Brasil
“É fundamental que a gente siga implantando a reforma tributária", diz Gustavo Werneck, CEO da Gerdau

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A siderúrgica Gerdau pretende fortalecer sua operação nos Estados Unidos em 2027 e concentrar os investimentos no Brasil em ganhos de competitividade, afirma o CEO Gustavo Werneck. No segundo trimestre de 2026, a América do Norte gerou R$ 2,6 bilhões de Ebitda ajustado, ante R$ 705 milhões da operação brasileira.
A Gerdau pretende fortalecer sua operação nos Estados Unidos em 2027 e direcionar investimentos no Brasil à busca por competitividade, afirma Gustavo Werneck, CEO da siderúrgica, em entrevista exclusiva ao EXAME Insight.
O executivo vê as duas geografias como importantes para a companhia, mas aponta diferenças no ambiente de negócios que influenciam a atividade empresarial. “Nos Estados Unidos, onde a gente está muito bem, vamos seguir fortalecendo a nossa operação. E aqui no Brasil, investimentos para seguir continuamente buscando competitividade”, diz.
Os resultados mais recentes ajudam a explicar essa diferença. No segundo trimestre de 2026, a Gerdau registrou receita líquida de R$ 17,9 bilhões e Ebitda ajustado de R$ 3,43 bilhões, alta de 33,9% em relação ao mesmo período de 2025. O lucro líquido atingiu R$ 1,47 bilhão, avanço de 69,7%. A melhora foi sustentada principalmente pela América do Norte.
A região gerou aproximadamente R$ 2,6 bilhões de Ebitda ajustado no trimestre, enquanto o Brasil contribuiu com R$ 705 milhões. A operação brasileira melhorou em relação aos três primeiros meses do ano, mas seu Ebitda ainda ficou 19,6% abaixo do registrado um ano antes. A receita no país caiu 8,6%, para R$ 6,69 bilhões, e a margem Ebitda passou de 12% para 10,5%. “O ambiente de negócios nos Estados Unidos é muito mais simples, é muito mais amigável, atrai muito mais investimento, muito mais iniciativa empresarial do que aqui no Brasil”, afirma Werneck.
O cenário americano combina demanda de setores como data centers, energia renovável e indústria com proteção à produção local. A presença industrial da Gerdau permite que a companhia atenda esse mercado com aço fabricado na região, em vez de depender de exportações brasileiras.
Em entrevista à CNN em julho, Chia Wang, presidente da Gerdau Aços Longos na América do Norte, afirmou que as tarifas de até 50% sobre o aço importado reduziram a entrada de produtos estrangeiros e direcionaram demanda aos fabricantes domésticos. Segundo ele, o movimento aumentou a utilização das plantas da companhia e contribuiu para margens historicamente altas. A proteção comercial, portanto, também compõe o contexto favorável aos negócios americanos. “O que nós temos que seguir evoluindo no Brasil é reduzindo o custo Brasil, é desburocratizando”, diz Werneck.
A busca por eficiência continua mobilizando recursos no país. Dos R$ 1 bilhão investidos pela Gerdau no segundo trimestre, 80% foram destinados às operações brasileiras. O orçamento de investimentos divulgado para 2026 é de R$ 4,7 bilhões.
O executivo também defende a continuidade da implementação da reforma tributária, independentemente do vencedor da eleição. Para ele, a agenda precisa ser acompanhada de medidas que ampliem a competitividade dos produtores brasileiros. “É fundamental que a gente siga implantando a reforma tributária e que o governo continue criando alternativas para o empresário brasileiro ser mais competitivo”, afirma.
