Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
Bolsa e dólarACS
29/07/2026
5 min

Como a Legacy Capital usa a filosofia de Warren Buffet e está otimista com o Ibovespa e as ações brasileiras

Bruno Leite, sócio e chefe de equities da Legacy, fala sobre as oportunidades no mercado de ações no podcast Touros e Ursos

Como a Legacy Capital usa a filosofia de Warren Buffet e está otimista com o Ibovespa e as ações brasileiras

Embora o cenário de juros altos e incertezas fiscais assuste o investidor, a bolsa brasileira vive um momento de "desconto" muito oportuno. Para Bruno Leite, sócio e chefe de ações da Legacy Capital, é preciso para de olhar para o curto prazo e focar num horizonte de dois anos para ter uma perspectiva diferente.

No podcast Touros e Ursos desta semana, Leite argumenta que, apesar de empreender e investir no país ser como "jogar um videogame no modo hard" devido à carga tributária e aos juros proibitivos, o pessimismo atual criou janelas de oportunidade históricas para as ações.

A lógica por trás desse otimismo da Legacy é a filosofia de Warren Buffett: o melhor momento para ir às compras é quando os preços estão baixos.

Leite destaca dados históricos que comprovam essa tese. Quando os títulos públicos atrelados à inflação (como o Tesouro IPCA+) pagam juros reais altos, acima de 6%, a bolsa costuma entregar retornos muito superiores nos anos seguintes.

"A bolsa é um supermercado de ações. Eu quero comprar quando está com desconto, e agora é a hora do desconto. Tem empresa negociando a quatro vezes, cinco vezes o lucro. Se for para comprar para dois, três anos à frente, é agora ou nunca", diz o gestor.

A régua da TIR

Essa visão otimista não ignora as dificuldades locais, mas foca no valor dos ativos. A Legacy acredita que os preços atuais já incorporam grande parte das notícias ruins. Segundo Leite, o investidor não deve esperar o desconforto passar para agir, pois quando os juros caírem e a bolsa atingir novas máximas, o "desconto" terá ficado para trás.

Por isso, para selecionar as melhores oportunidades nesse cenário, a gestora utiliza uma métrica chamada Taxa Interna de Retorno (TIR).

O gestor usa como referência o preço da ação hoje, mas considera um período de quatro anos no futuro. O objetivo é calcular quanto aquela empresa terá distribuído em dinheiro no período, considerando valorização do papel e dividendos, e quanto ela valerá no futuro.

Atualmente, Leite aponta que a TIR do Ibovespa está em seus níveis máximos históricos, indicando um potencial de ganho raramente visto.

Como escolher as ações

Dentro desse mar de oportunidades, a Legacy foca em uma classe específica de empresas: as "serial acquirers" (ou adquiridoras em série). São companhias que crescem comprando outras empresas, mas que, ao contrário da maioria, sabem fazer isso sem destruir o dinheiro do acionista.

"Você conta nos dedos da mão as empresas que sabem fazer isso", diz Leite, referindo-se à estratégia imortalizada por Buffett na Berkshire Hathaway.

Para ser considerada uma "serial acquirer" de sucesso, a empresa precisa atender a três critérios rigorosos:

  • comprar bem (pagar barato);
  • tocar bem o negócio (integrar e melhorar a operação da empresa comprada);
  • não ter "incêndios" operacionais que distraiam a diretoria.

No Brasil, onde o erro na alocação de capital pode ser fatal devido aos juros altos, encontrar gestores que seguem esse manual é o grande diferencial, segundo o gestor.

Apostas da Legacy

Entre as empresas que seguem esse modelo, Leite destaca quatro nomes:

  • Prio (PRIO3) é admirada pela sua disciplina férrea: só investe em projetos que garantam um retorno superior a 20% em dólar. A mágica da Prio está em comprar poços de petróleo que outros não querem e operá-los com eficiência, com um baixo custo de extração.
  • Orizon (ORVR3), que atua em um setor pouco glamoroso, mas altamente lucrativo: aterros sanitários. A empresa profissionaliza o que antes era um lixão amador, gerando valor extra com a venda de biogás e créditos de carbono. Com retornos históricos entre 25% e 30% em reais, a Orizon é vista como um monopólio local resiliente.
  • Copasa (CSMG3) é uma aposta de eficiência e "replay" da privatização da Sabesp. A Legacy vê oportunidade de otimização nos negócios e benefícios regulatórios.
  • Vivara (VIVA3), que mesmo em anos difíceis para o setor de consumo,soube usar a marca "Life" para atrair um público mais jovem e criar uma recorrência de vendas que não existia no mercado de joias tradicional. Para o gestor, o controle de margens e o posicionamento de marca da Vivara são "admiráveis" em um setor tão castigado.

Touros e Ursos da semana

No encerramento do episódio, o tradicional quadro Touros e Ursos trouxe os destaques da semana.

No lado dos Ursos (destaques negativos), a Tesla foi nomeada pela queda nas ações após investimentos massivos em inteligência artificial e robótica corroerem o lucro imediato. Já Leite elegeu o Google como urso, justificando que o mercado está assustado com o volume bilionário de gastos em tecnologia, embora ele acredite que o investimento seja correto para o futuro.

Nos Touros (destaques positivos), WEG ganhou destaque ao surpreender com resultados fortes no exterior mesmo sob pressão de tarifas globais. Leite reafirmou sua confiança na Prio, afirmando que o investidor não deve focar na volatilidade do preço do petróleo, mas sim na excelente alocação de capital da empresa.

Confira o episódio completo do Touros e Ursos

AutorMonique Lima
FonteSeu Dinheiro
Distribuído por