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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
02/09/2026
6 min

Como dores nas costas impulsionaram este negócio de R$ 174 milhões no interior do Paraná

A Doutor Hérnia começou com uma clínica em Cascavel (PR) e hoje soma 350 unidades no Brasil e no exterior, com planos de chegar a 800 nos próximos cinco anos

Como dores nas costas impulsionaram este negócio de R$ 174 milhões no interior do Paraná

Em 2025, dores nas costas e problemas na coluna lideraram o ranking de afastamentos do trabalho, segundo dados da Previdência Social. A demanda vem impulsionando o crescimento da rede de franquias Doutor Hérnia, focada no tratamento de hérnia de disco e outras patologias da coluna sem cirurgia.

A empresa foi fundada pelos fisioterapeutas André Pêgas e Laudelino Risso, em Cascavel, no Paraná. Em treze anos, o negócio cresceu e hoje soma mais de 350 unidades espalhadas pelo Brasil, Estados Unidos e Paraguai.

A ideia de franquear surgiu depois que os fundadores perceberam que pacientes de estados próximos viajavam até a clínica em busca de tratamento especializado. Em 2025, a rede faturou R$ 174 milhões. Para 2026, a projeção é chegar a cerca de R$ 220 milhões.

Nos próximos cinco anos, a meta é chegar a 800 unidades, com avanço em países da América Latina e a estratégia de estimular multifranqueados.

Uma clínica que atraiu pacientes de longe

André Pêgas não planejava trabalhar com fisioterapia. Na adolescência, queria ser engenheiro e gostava de desmontar equipamentos para entender como funcionavam. Um acidente mudou esse caminho.

Durante a própria reabilitação, Pêgas se interessou pelos procedimentos de fisioterapia. Cursou a faculdade e, nos primeiros anos de carreira, desenvolveu um equipamento para reabilitação da coluna vertebral. O aparelho foi patenteado e os direitos de produção foram cedidos a uma indústria.

Depois, tornou-se professor universitário. Foi em uma de suas turmas que conheceu Laudelino Risso, que mais tarde se tornaria seu sócio.

Os dois passaram a trabalhar com coluna em uma clínica em Cascavel focada na realização de tratamento sem cirurgia.

"O paciente que tá com hérnia de disco escutou durante muitos anos: 'Quem tem hérnia de disco não melhora nunca, só vai melhorar se fizer a cirurgia'. Já pode se entender que isso não é verdade, que é possível. A gente consegue resolver a maioria delas sem realizar nenhum tipo de procedimento cirúrgico", afirma Risso

A localização da cidade revelou uma demanda que ultrapassava os limites do município. Pacientes de diversas cidades do entorno começaram a procurar a clínica.

"Nós recebíamos em Cascavel demandas de diferentes cidades, como Assunção, São Paulo e Curitiba", diz Pêgas. Alguns pacientes percorriam até 250 quilômetros para receber atendimento.

A distância criou um problema. Se havia demanda em outras cidades, fazer o paciente continuar viajando para Cascavel limitava o alcance da operação. A primeira tentativa de resolver isso foi criar cursos para formar fisioterapeutas da região.

A ideia acabou crescendo. Além do conhecimento técnico, os fundadores passaram a estruturar gestão, processos e modelo de negócio. A unidade de Cascavel virou a operação-piloto para uma rede de franquias.

Como a especialidade virou franquia

As primeiras franquias seguiram uma lógica próxima à origem da empresa: foram vendidas a fisioterapeutas que eram amigos dos fundadores. Com o tempo, porém, o perfil dos interessados mudou. A rede passou a atrair também investidores sem formação em fisioterapia, que buscavam operar uma unidade de saúde com apoio da franqueadora.

O crescimento das unidades e a mudança no perfil dos investidores trouxeram um desafio: fazer outros profissionais reproduzirem o método dos fundadores.

A empresa criou 11 protocolos para problemas como hérnia de disco lombar, hérnia de disco cervical, dor ciática e dor lombar. Os tratamentos duram de um a três meses e custam entre R$ 1,5 mil e R$ 4 mil. O tíquete médio é de R$ 3 mil.

A lógica da metodologia é começar pela avaliação do paciente e, a partir dela, definir o tratamento personalizado. Não há um protocolo único aplicado da mesma maneira a todos. "A avaliação determina qual caminho seguiremos individualmente para cada paciente", afirma Risso.

A empresa também criou treinamento presencial para novos franqueados e um programa de educação continuada. O treinamento inicial dura de quatro a cinco dias. Depois, os profissionais recebem atualizações periódicas.

Casos mais complexos podem ser levados à franqueadora para discussão com especialistas. A intenção é manter algum controle sobre a decisão clínica.

Hoje, 85% dos franqueados são multifranqueados. Em média, eles operam de três a cinco unidades.

O modelo virou uma das principais ferramentas de expansão da rede. Em vez de depender exclusivamente de novos empreendedores, a franqueadora consegue crescer com pessoas que já conhecem a operação.

Para novos franqueados, o investimento inicial no Brasil fica entre R$ 220 mil e R$ 260 mil. O faturamento médio mensal estimado é de R$ 60 mil.

Expansão além do Brasil

A Doutor Hérnia abriu sua primeira operação fora do Brasil em 2024, em Miami. O mercado americano foi escolhido como um teste para a internacionalização.

"Os Estados Unidos são um mercado pujante. Entendemos que poderíamos aprender bastante com o mercado americano e, ao mesmo tempo, preparar a franqueadora para futuras expansões internacionais", afirma Risso.

A empresa passou a estudar legislação, operação e diferenças entre os dois mercados. A experiência serviu para preparar a franqueadora para outros países.

A operação nos Estados Unidos também trouxe dificuldades para a rede. Segundo os fundadores, a empresa tem investidores interessados em abrir novas unidades, mas enfrenta problemas para encontrar profissionais para atender à demanda. Por isso, a Doutor Hérnia decidiu não comercializar novas franquias no país enquanto não tiver condições de oferecer o suporte necessário aos franqueados.

O Paraguai veio depois dos Estados Unidos e encontrou um terreno mais conhecido. A proximidade com Cascavel já fazia com que pacientes paraguaios procurassem a clínica brasileira.

Em 2025, a empresa abriu as primeiras duas franquias no país, em Assunção e Encarnación. Atualmente, são seis unidades vendidas, com parte delas ainda em implantação.

O movimento também despertou interesse dos próprios franqueados brasileiros, que passaram a enxergar a expansão internacional como uma forma de diversificar seus investimentos.

A empresa também mira Uruguai, Venezuela e México. Na Venezuela, os sócios afirmam já ter uma circular de oferta assinada e um contrato em andamento para uma unidade em Caracas, com previsão de implantação em 2027. O Uruguai aparece como outro mercado em avaliação, enquanto o México é visto pelos fundadores como uma oportunidade de expansão.

"Acreditamos que no território mexicano, existem grandes possibilidades de entrarmos com o tratamento da Doutor Hérnia nesse país", afirma Pêgas.

Com a expansão internacional somada ao crescimento com multifranqueados, a meta é crescer. A Doutor Hérnia começou em 2013 com uma clínica em Cascavel, no Paraná, e investimento de R$ 100 mil. Em 2025, a rede faturou R$ 174 milhões e chegou a 350 unidades no Brasil. Para 2026, a projeção é alcançar R$ 220 milhões e abrir 96 novas unidades. Para os próximos cinco anos, a expectativa é chegar a 800 unidades.

AutorBianca Camatta
FonteExame
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