Como é a 'zona mortal' da Ucrânia, um campo brutal de testes para novas armas

A chamada "kill zone", ou zona mortal, nos campos de batalha da guerra da Ucrânia está revolucionando o conflito moderno. Patrulhada por drones e novas armas transformadoras, o fogo na região é muitas vezes indiscriminado e imprevisível.
A área é um corredor de cerca de 30 km de largura que permeia as linhas de frente. O cenário é de destruição, com prédios, casas e árvores destruídos pelo fogo. Além dos escombros, a região é repleta de minas ocultas.
O foco nos drones transformou profundamente a guerra na Ucrânia, obrigando tanto os russos quanto os ucranianos a abandonar táticas tradicionais que concentravam tropas, blindados e artilharia em grandes formações. Alvos facilmente identificáveis passaram a ser destruídos rapidamente por aeronaves não tripuladas, alterando a dinâmica dos combates na linha de frente.
Em seu lugar, pequenas equipes de dois ou três soldados ocupam trincheiras e abrigos dispersos pela zona, atuando principalmente como observadores. Após localizar o inimigo, eles acionam operadores de drones, que conduzem ataques à distância com veículos não tripulados, controlados por sinais de rádio ou por cabos de fibra óptica, utilizando comandos não muito diferentes dos de videogames.
Um novo tipo de guerra
A área é considerada uma das mais perigosas da frente de batalha, e as forças russas já alcançaram os arredores de Kostyantynivka, cidade importante para a defesa da região do Donbass.
A captura da cidade abriria caminho para um avanço russo sobre Kramatorsk e Sloviansk, os principais redutos ucranianos remanescentes na região. Moscou considera a conquista do Donbass uma prioridade, embora o ritmo da ofensiva tenha desacelerado nos últimos meses.
O conflito também evidencia a transformação da guerra moderna. Grandes ofensivas com tanques deram lugar a pequenos grupos de soldados apoiados por drones, motocicletas e até bicicletas, enquanto a zona, monitorada por aeronaves não tripuladas, domina a linha de frente.
Apesar da crescente dependência de drones, o controle territorial ainda depende da presença de tropas em solo. Pequenos grupos permanecem escondidos em trincheiras e abrigos improvisados para impedir o avanço inimigo, convivendo diariamente com ataques de drones, bombardeios de artilharia e tentativas de invasão.
O isolamento na linha de frente também agrava as condições de sobrevivência. Com as rotas terrestres bloqueadas, alimentos, munição e água dependem de drones de abastecimento, frequentemente abatidos ou interceptados. No inverno, temperaturas de até -25°C e a escassez de suprimentos provocaram mortes por hipotermia, enquanto soldados relataram que ratos consumiam parte da comida armazenada nas trincheiras.
