Como ele transformou uma barraca de frutas no maior supermercado da Bahia e chegou a R$ 6,3 bilhões

Em 1979, Teobaldo Costa montou uma barraca de frutas e verduras em Salvador. O negócio virou padaria. A padaria virou supermercado. O supermercado virou atacado. E em 1994, surgiu a primeira unidade com a bandeira Atakarejo, pioneira no formato atacarejo no estado.
Quarenta e seis anos depois, a empresa que começou numa barraca é o maior varejista alimentar da Bahia. O Atakarejo faturou R$ 6,32 bilhões em 2025, segundo o Ranking ABRAS 2026, e ocupa a 21ª posição nacional. A segunda colocada no estado, o Rmix, registrou R$ 1,24 bilhão, menos de um quinto do volume do líder.
O número coloca o Atakarejo em uma categoria à parte no varejo nordestino. Enquanto a maioria das redes regionais compete por fatias de mercado em segmentos específicos, o Atakarejo construiu uma operação de escala nacional a partir de um único estado.
O Atakarejo não cresceu como supermercado convencional. Adotou o atacarejo, formato híbrido entre atacado e varejo que combina preço baixo, volume e mix amplo, quando o modelo ainda não tinha representante consolidado na Bahia.
A proposta não mudou em quatro décadas: oferecer o menor preço para reduzir o custo de vida da população. Nas lojas, mais de 10 mil produtos, com serviços de padaria, confeitaria, açougue, salgados e fatiados, além de marca própria, a Ekobom. A rede também mantém parcerias com a agricultura familiar como parte do abastecimento.
A partir de 1994, a rede não parou de abrir lojas, espalhando-se por Salvador e por outras cidades da Bahia.
Em outubro de 2023, o Atakarejo anunciou sociedade com o Pátria Investimentos, gestora com atuação global e líder na gestão de ativos alternativos na América Latina. Teobaldo Costa permaneceu como sócio e seguiu à frente da operação.
A sociedade marcou uma virada na escala de crescimento. Com o aporte, o plano era expandir a rede de forma crescente na Bahia e no Nordeste, com projeção de gerar cerca de 20 mil novos empregos diretos nos anos seguintes. À época do anúncio, o Atakarejo já respondia por mais de 7 mil empregos diretos.
Os dez maiores supermercados da Bahia
O varejo alimentar baiano tem um perfil distinto dos grandes centros. Diferentemente de estados como São Paulo ou Rio de Janeiro, onde há forte concentração em poucos gigantes, a Bahia apresenta um mercado mais pulverizado, com redes disputando espaço em diferentes regiões.
As dez maiores redes do estado somam mais de R$ 12 bilhões em vendas. O Atakarejo responde por mais da metade desse total. A segunda e a terceira colocadas (Rmix e Hiperideal) operam com R$ 1,24 bilhão e R$ 1,11 bilhão, respectivamente, uma escala significativamente menor.
Esse perfil tem duas implicações diretas: mais competição local e mais espaço para crescimento orgânico. O avanço para cidades médias e o fortalecimento do consumo fora da capital têm impulsionado a expansão das principais redes.
O Atakarejo construiu essa posição ao longo de décadas. Conheça as dez maiores redes do estado segundo o ranking da ABRAS:
| Posição no estado | Posição nacional | Empresa | Faturamento |
|---|---|---|---|
| 1º | 21º | Atakarejo | R$ 6,32 bilhões |
| 2º | 78º | Rmix | R$ 1,24 bilhão |
| 3º | 84º | Hiperideal | R$ 1,11 bilhão |
| 4º | 106º | Comercial de Alimentos Gilmar | R$ 831 milhões |
| 5º | 108º | Novo Mix | R$ 814 milhões |
| 6º | 113º | R.F. Atacado de Alimentos | R$ 763 milhões |
| 7º | 170º | MixBahia | R$ 398 milhões |
| 8º | 176º | Unimar | R$ 385 milhões |
| 9º | 223º | Itão Supermercado | R$ 276 milhões |
| 10º | 228º | Novo Varejo | R$ 268 milhões |
