Como Elon Musk se tornou o primeiro trilionário da história

Elon Musk já era o homem mais rico do planeta quando acordou na última sexta-feira, 12, mas, no meio do dia, era algo que nenhum ser humano havia sido antes: um trilionário.
O gatilho foi a oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) da SpaceX, precificada a US$ 135 por ação na Nasdaq — o maior IPO da história, levantando US$ 75 bilhões numa única oferta.
Com a confirmação da avaliação da empresa em cerca de US$ 1,77 trilhão, a participação de Musk na companhia passou a valer aproximadamente US$ 866,5 bilhões.
Somada aos demais ativos, sua fortuna total ultrapassou US$ 1,1 trilhão, segundo estimativas da Forbes. Nesta segunda-feira, 15, a alta de 7% nas ações da SpaceX elevou esse número para mais de US$ 1,2 trilhão.
Para chegar aqui, Musk percorreu uma trajetória que não foi linear — com perdas bilionárias no caminho, apostas arriscadas e uma sequência de decisões que, em conjunto, criaram a maior fortuna nominal já registrada na história.
O começo: PayPal e os primeiros bilhões
Musk não foi sempre um bilionário. Nasceu em Pretória, na África do Sul, em 1971, filho de um engenheiro e de uma modelo canadense. Mudou-se para o Canadá aos 17 anos, depois para os Estados Unidos, e se formou em física e economia pela Universidade da Pensilvânia.
Sua primeira grande aposta foi a Zip2, empresa de mapas online que vendeu à Compaq em 1999 por US$ 307 milhões — sua fatia foi de US$ 22 milhões.
O segundo movimento foi maior. Musk cofundou o X.com, que se fundiu com o Confinity de Peter Thiel para se tornar o PayPal.
Quando o eBay comprou o PayPal em 2002 por US$ 1,5 bilhão, Musk, o maior acionista individual com 11,7%, embolsou US$ 175 milhões depois de impostos.
Com esse dinheiro, ele fundou três empresas no mesmo ano: a SpaceX, em maio de 2002, a Tesla, em julho de 2003, e investiu na SolarCity. Três apostas simultâneas em setores considerados impossíveis para startups.
A quase falência que quase tudo destruiu
Em 2008, Musk estava à beira da ruína. A SpaceX havia falhado em três lançamentos consecutivos do foguete Falcon 1. A Tesla estava sem dinheiro para pagar os funcionários.
O divórcio da primeira esposa, Justine Wilson, consumia tempo e energia. Em uma entrevista posterior ao programa de televisão americano 60 Minutes, ele admitiu ter pensado em desistir.
O quarto lançamento do Falcon 1, em setembro de 2008, funcionou. Semanas depois, a Nasa assinou um contrato com a SpaceX no valor de US$ 1,6 bilhão para transporte de carga à Estação Espacial Internacional.
A Tesla, na mesma semana, fechou uma rodada de emergência de US$ 40 milhões, com Musk colocando seus últimos recursos pessoais no negócio. Ele tinha US$ 35 milhões na conta e colocou todos.
A Tesla e a primeira grande ascensão
Durante a maior parte da década de 2010, a Tesla foi o principal motor da fortuna de Musk. A empresa abriu capital em 2010 a US$ 17 por ação.
Em novembro de 2021, as ações atingiram US$ 414,50 (o pico histórico), tornando Musk brevemente o homem mais rico do mundo pela primeira vez, com patrimônio estimado em US$ 300 bilhões.
Mas a Tesla também foi a fonte de sua maior perda registrada. Em outubro de 2022, Musk concluiu a aquisição do Twitter por US$ 44 bilhões, um processo que ele próprio tentou reverter judicialmente e perdeu.
A compra coincidiu com uma queda acentuada nas ações da Tesla, que recuaram mais de 65% entre novembro de 2021 e dezembro de 2022.
Em poucos meses, Musk perdeu mais de US$ 200 bilhões em patrimônio — a maior destruição de riqueza individual já registrada, segundo o Guinness World Records.
A virada: SpaceX assume o posto de principal ativo
A recuperação começou em 2023 e ganhou velocidade a partir do fim de 2024, quando a SpaceX ultrapassou a Tesla como principal ativo de Musk.
O processo foi construído ao longo de anos de rodadas de captação privada que foram sistematicamente revisando o valuation da empresa para cima.
Em dezembro de 2024, a SpaceX realizou uma oferta de recompra de ações que avaliou a empresa em US$ 800 bilhões — o dobro do valor estimado em agosto do mesmo ano. Em outubro de 2025, Musk se tornou a primeira pessoa a cruzar os US$ 500 bilhões em patrimônio, segundo a Forbes.
Em fevereiro de 2026, a fusão da SpaceX com a xAI —empresa de inteligência artificial de Musk, criadora do modelo Grok — acrescentou cerca de US$ 100 bilhões ao seu patrimônio em uma única operação corporativa.
O movimento criou uma empresa combinada avaliada em aproximadamente US$ 1,25 trilhão, integrando lançamentos espaciais, internet via satélite e infraestrutura de IA numa única estrutura.
O IPO que criou o primeiro trilionário
Na sexta-feira, 12 de junho de 2026, a SpaceX estreou na Nasdaq sob o ticker SPCX.
O IPO foi precificado a US$ 135 por ação, levantou US$ 75 bilhões — superando os US$ 29 bilhões do IPO da Saudi Aramco, recorde anterior, e foi mais que duas vezes sobredemandado, com mais de US$ 10 bilhões em ordens institucionais verificadas antes da abertura do mercado.
A avaliação da empresa ficou entre US$ 1,75 trilhão e US$ 1,8 trilhão, segundo a Reuters. Musk detém cerca de 39% das ações — participação que passou a valer aproximadamente US$ 866,5 bilhões.
Somada à participação na Tesla, estimada em US$ 165 bilhões, e a outros ativos, sua fortuna total cruzou US$ 1,1 trilhão no dia do IPO.
O IPO também criou pelo menos 4.400 milionários entre funcionários e ex-funcionários da SpaceX, com ao menos 400 deles acumulando patrimônios de US$ 100 milhões ou mais.
O que sustenta — e o que ameaça — a fortuna
Quase 80% da fortuna de Musk está concentrada na SpaceX. O único segmento lucrativo da empresa é o Starlink, a divisão de internet via satélite, que gerou US$ 11,4 bilhões em receita e US$ 4,4 bilhões em lucro operacional em 2025.
Os segmentos de lançamentos espaciais e de inteligência artificial operam no prejuízo — o segmento de IA registrou perda operacional de US$ 2,47 bilhões só no primeiro trimestre de 2026.
A projeção da SpaceX é crescer de US$ 25 bilhões em receita em 2026 para US$ 150 bilhões em 2040. Mas essa trajetória depende do Starship funcionar em escala comercial, do Starlink continuar crescendo e da aposta em computação orbital, data centers no espaço, se provar viável.
O Washington Post resumiu o momento com uma frase: a fortuna de US$ 1,1 trilhão de Musk depende, em parte, de a SpaceX conseguir colocar humanos em Marte.
Nesta segunda-feira, 15, com a alta de 7% nas ações da SpaceX, o número já é US$ 1,2 trilhão. O primeiro trilionário da história está ficando ainda mais rico.
