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TecnologiaBDR
16/10/2026
6 min

Como Elon Musk usou a tecnologia da SpaceX no novo 'carro voador' da Tesla

Documentos mostram contratos e investimento entre as empresas; uso do Grok no esportivo ainda não foi confirmado

Como Elon Musk usou a tecnologia da SpaceX no novo 'carro voador' da Tesla
RESUMO +

O novo Roadster reúne tecnologia da Tesla e da SpaceX para realizar manobras aéreas breves. A colaboração levou propulsores de gás comprimido ao esportivo, cuja produção está prevista para 2028. A configuração Rocket não está aprovada para vias públicas.

Oito anos depois de mandar um Tesla ao espaço, Elon Musk trouxe um pouco da SpaceX para dentro de um carro. Na noite desta quinta-feira, 15, no centro de testes de foguetes de McGregor, no Texas, um Roadster percorreu uma rampa invertida, girou no ar e voltou ao chão com auxílio de propulsores.

O esportivo era o resultado de um encontro entre as duas empresas comandadas pelo bilionário: a fabricante de automóveis elétricos e a companhia que constrói foguetes.

O “carro voador” nasceu dessa mistura. Engenheiros da Tesla e da SpaceX trabalharam juntos para incorporar propulsores de gás comprimido ao novo Roadster, acrescentando à engenharia automotiva uma forma de controlar movimentos que não depende do contato dos pneus com o asfalto.

Em 2018, o carro de Musk havia sido a carga de demonstração do primeiro voo do Falcon Heavy. Agora, a tecnologia espacial participa do funcionamento do próprio veículo.

As imagens convidam a imaginar um futuro acima dos congestionamentos, mas o que a Tesla demonstrou é mais restrito. O Roadster realizou saltos e manobras aéreas breves, sem motorista, em uma área controlada.

Não foi apresentada como uma aeronave para transportar passageiros pela cidade — e a configuração Rocket, capaz de sair do chão, não está aprovada para circular em vias públicas.

A parceria entrou na engenharia do produto

Para Musk, o novo Roadster é uma demonstração do que as equipes de suas duas empresas conseguem desenvolver juntas. “Este é o resultado de um trabalho incrível da Tesla e da SpaceX”, afirmou durante a apresentação. Lars Moravy, vice-presidente de engenharia de veículos da montadora, reforçou essa origem ao explicar que parte da tecnologia usada nas manobras veio da companhia espacial.

A colaboração aparece em um problema que vai além da aceleração de um esportivo: como controlar um automóvel quando suas rodas deixam de tocar o chão. Para isso, o Roadster combina seus sistemas automotivos com reservatórios de gás pressurizado, propulsores e mecanismos de acionamento capazes de aplicar forças em diferentes direções. O trabalho envolve acomodar esses componentes na carroceria e coordenar sua atuação durante os movimentos do veículo.

É nessa integração que a aproximação entre as companhias ganha forma. A tecnologia espacial deixa de ser apenas uma referência na apresentação do carro e passa a participar de seu funcionamento. Isso demonstra uma colaboração entre equipes de engenharia, sem representar, por si só, uma fusão entre Tesla e SpaceX ou uma mudança na estrutura societária das empresas.

Como a tecnologia espacial ajuda o carro a sair do chão?

Os propulsores de gás frio aproveitam o princípio de ação e reação: ao expulsar gás em uma direção, o veículo recebe uma força no sentido oposto. A posição dos bocais determina como essa força pode ser utilizada, seja para acrescentar aceleração, produzir movimento vertical ou corrigir a orientação do carro no ar. Segundo a Tesla, atuadores elétricos permitem pequenos ajustes rápidos no empuxo para ajudar a estabilizar o Roadster.

Durante a apresentação, Moravy descreveu dois reservatórios com capacidade total de 600 litros, cerca de 250 quilos de ar e dez saídas de gás no sistema demonstrado. Diferentemente dos grandes motores de foguetes, que queimam combustível, os propulsores apresentados para o automóvel utilizam gás armazenado sob pressão. São os números e a descrição fornecidos pela equipe para explicar o equipamento, ainda sem uma avaliação independente de seu desempenho.

A manobra na rampa depende também de outro recurso. Ventiladores retiram ar da região inferior da carroceria, criando uma diferença de pressão que aumenta a força do carro contra a superfície.

A Tesla associa esse sistema de sucção à capacidade de manter o veículo aderido à estrutura invertida, inclusive parado. Sua função é diferente da dos propulsores: enquanto a sucção ajuda a preservar o contato com a pista, os jatos podem modificar o movimento depois que esse contato termina.

Essa distinção também ajuda a interpretar as imagens. A velocidade adquirida antes de deixar a rampa influencia a trajetória inicial, e os propulsores podem acrescentar força durante o percurso pelo ar. A demonstração, sozinha, não permite separar a contribuição de cada elemento nem estabelecer quanto tempo o veículo consegue permanecer nessa condição — informações necessárias para avaliar o alcance da expressão “carro voador”.

O nome Roadster reúne configurações diferentes

As capacidades anunciadas variam entre as três configurações, e a diferença começa antes das manobras aéreas. A Performance tem dois lugares, aerodinâmica ativa e sucção para aumentar a força do carro contra o solo.

A Thrust mantém os dois assentos e acrescenta propulsores traseiros, que a fabricante associa à promessa de acelerar de zero a 60 milhas por hora em menos de um segundo. O número é uma especificação anunciada pela Tesla.

Aconfiguração Rocket concentra a proposta de sair do chão: tem um assento, acesso por convite e propulsores distribuídos ao redor da carroceria para movimentos verticais e rotações. É também a versão acompanhada do aviso de que não está aprovada para vias públicas. Por isso, as imagens da apresentação não descrevem automaticamente o que todos os compradores poderão fazer com o esportivo.

Do espetáculo à fabricação, ainda há um caminho

A demonstração acrescenta um resultado visível a uma espera que começou em novembro de 2017,quando a Tesla apresentou o projeto da segunda geração do Roadster. Na ocasião, a previsão era iniciar a produção em 2020. O prazo não se cumpriu, e os sucessivos adiamentos mantiveram o esportivo entre as promessas da montadora por quase nove anos.

Agora, Musk aponta 2028 como o próximo marco. “Entramos em produção em 2028”, afirmou durante o evento. Entre a apresentação no centro de testes da SpaceX e a chegada aos compradores, a Tesla ainda precisa transformar os sistemas demonstrados em um produto fabricado nas configurações anunciadas.

A previsão de produção não estabelece uma data específica de entrega nem garante que todas as capacidades exibidas poderão ser reproduzidas nas condições de uso permitidas para cada versão.

AutorTamires Vitorio
FonteExame
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