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NegóciosMPOL
28/09/2026
6 min

Como esta empresa francesa de IA vai multiplicar por cinco sua receita na América Latina

Com novas aquisições, contratação de talentos e expansão no México, Artefact mira R$ 500 milhões em receita até 2030

Como esta empresa francesa de IA vai multiplicar por cinco sua receita na América Latina

A inteligência artificial virou uma nova frente de negócios para consultorias e empresas de tecnologia. A francesa Artefact quer aproveitar esse ciclo para multiplicar por cinco sua receita na América Latina até 2030, chegando a uma receita de R$ 500 milhões.

Presente no Brasil desde 2018, a empresa hoje tem mais de 300 profissionais no país e cerca de 500 na América Latina. A companhia atua no desenvolvimento de soluções de inteligência artificial para grandes empresas, com projetos que envolvem áreas como marketing, tecnologia, operações, manufatura e cadeia de suprimentos.

A meta faz parte de um novo ciclo da companhia. Depois de combinar crescimento orgânico e aquisições nos últimos anos, a Artefact pretende acelerar a expansão global. Na América Latina, o plano é crescer ainda mais rápido, com novas contratações, aquisições e parcerias com empresas de tecnologia.

Brasil ganha peso na estratégia

A Artefact começou no Brasil com projetos de três a seis meses para a Samsung. A empresa abriu oficialmente a operação em outubro de 2018 e fechou o primeiro contrato local no início de 2019. Na época, André Fonseca, CEO Latam da Artefact, trabalhava sozinho, com um computador e duas mesas em um coworking.

Até 2021, a operação chegou a cerca de 100 pessoas. Depois, passou a combinar crescimento orgânico com aquisições. Hoje, são mais de 300 profissionais no país, de acordo com o executivo.

O Brasil também ganhou uma função que vai além do mercado local. A Artefact usa profissionais da América Latina em projetos para clientes de outros países. Segundo Fonseca, a região já se tornou uma fonte de conhecimento para operações nos Estados Unidos, Europa e Oriente Médio. "Hoje, América Latina é o maior exportador de conhecimento da Artefact no mundo, junto com a França", afirma.

Segundo o executivo, o Brasil é o principal mercado da companhia na América Latina em tamanho de mercado e disponibilidade de talentos. A Colômbia também funciona como polo de profissionais, enquanto o México aparece como uma das principais frentes de expansão.

A empresa pretende contratar uma nova sócia no México e procura possíveis aquisições no país. Fonseca vê espaço para crescer entre grandes empresas mexicanas e também para atender negócios conectados ao mercado americano.

Aquisições miram escala e especialização

As aquisições passaram a ganhar importância na estratégia da Artefact depois de 2021. Na América Latina, foram três operações: BrainFood, no Chile; Finor, no Brasil; e OFI Services, ligada à operação colombiana.

A lógica para escolher os alvos tem dois caminhos. Um deles é aumentar o tamanho da operação. O outro é comprar uma especialidade que complemente o que a Artefact já oferece.

A BrainFood, no Chile, entrou principalmente na primeira categoria. Segundo Fonseca, a empresa tinha perfil semelhante ao da Artefact e ajudou a ampliar a escala local.

A Finor, no Brasil, trouxe uma especialidade diferente: algoritmos para crédito e risco. O conhecimento passou a reforçar a atuação da Artefact em serviços financeiros.

Já a OFI Services acrescentou conhecimento em processos. Entre as tecnologias utilizadas pela empresa está o task mining, ou mineração de tarefas, que permite analisar as etapas de processos dentro das organizações.

A capacidade ganha relevância com a evolução dos agentes de inteligência artificial, sistemas que podem executar tarefas com maior autonomia. Para a Artefact, entender como as empresas trabalham passa a ser parte importante da construção dessas soluções.

A empresa não revela os próximos alvos, mas afirma ter um pipeline, ou lista de potenciais negócios, em análise na América Latina e no restante do mundo. Os próximos negócios podem seguir tanto a estratégia de ganho de escala quanto a incorporação de novas especialidades.

IA precisa sair do laboratório

A Artefact se posiciona como uma empresa especializada em inteligência artificial para negócios. A companhia diz atuar desde a definição da estratégia até a implementação das soluções. "Conectar isso com o mundo real de maneira bem tangível e com retorno para o negócio é o que a gente faz muito bem."

Fonseca afirma que esse é um dos pontos usados para diferenciar a Artefact de empresas que passaram a oferecer serviços de IA nos últimos anos. A companhia, segundo ele, trabalha com inteligência artificial desde 2014, quando a tecnologia era usada principalmente em aplicações de analytics, ou análise de dados para apoiar decisões.

Agora, a companhia tenta acompanhar uma nova etapa da tecnologia: os agentes de IA. A promessa é que sistemas possam executar sequências de tarefas e interagir com diferentes ferramentas, em vez de apenas responder a comandos.

O desafio está em transformar essa capacidade em ganho concreto para as empresas. Para Fonseca, os modelos de IA são apenas uma parte da equação. O outro elemento, menos discutido, é o contexto.

Quatro frentes para acelerar o crescimento

Para chegar aos R$ 500 milhões em receita até 2030, a Artefact aposta em quatro frentes: contratação de talentos, aquisições, expansão geográfica e parcerias com empresas de tecnologia.

A primeira é ampliar o número de sócios e profissionais na região. Segundo Fonseca, a companhia vem acelerando a contratação de sócios na América Latina para acompanhar o crescimento dos projetos e aumentar a capacidade de atender grandes empresas.

A segunda é manter a estratégia de M&A, ou fusões e aquisições. Os alvos podem servir para aumentar a escala das operações ou acrescentar especialidades que a Artefact ainda não domina.

O México é outra peça do plano. Embora o Brasil continue sendo o principal mercado da Artefact na América Latina, a companhia vê espaço para ampliar sua presença mexicana. A empresa pretende contratar uma nova sócia e também procura possíveis aquisições no país.

A quarta frente são as parcerias. A Artefact trabalha com grandes empresas de tecnologia como Google, AWS, Microsoft e Databricks, além de companhias especializadas em inteligência artificial generativa.

A lógica é usar essas alianças para acessar novas tecnologias e levá-las aos clientes. A companhia também quer aplicar internamente as ferramentas que vende, usando a própria transformação para testar soluções antes de apresentá-las ao mercado.

"A gente tem se transformado muito internamente, então a gente está avançado na Artefact em como trabalhar de maneira nativa em IA", afirma Fonseca.

AutorBianca Camatta
FonteExame
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