Como esta startup brasileira fará a geração de imagens por IA ser mais confiável para o e-commerce
Após validar sua tecnologia de visualização 3D com grandes empresas, a CodeCoast lança o Apollo, plataforma que usa inteligência artificial para gerar imagens fiéis de produtos e mira pequenas e médias empresas no Brasil e nos Estados Unidos

Ainteligência artificial já consegue criar imagens de produtos em segundos. O problema é que rapidez nem sempre significa fidelidade. Em um e-commerce, um detalhe alterado pela IA pode gerar devoluções, reclamações e perda de confiança do consumidor.
De olho no avanço da IA, a CodeCoast, startup especializada em visualização 3D e realidade aumentada, lança o Apollo, plataforma que combina sua tecnologia proprietária de modelagem 3D com inteligência artificial para gerar imagens, vídeos e outros ativos de produtos.
A proposta é reduzir o tempo e o custo de produção sem comprometer a precisão das informações exibidas ao consumidor.
O lançamento marca uma nova etapa para a empresa fundada em 2020. Depois de validar sua tecnologia com grandes clientes, a CodeCoast quer ampliar sua atuação para pequenas e médias empresas e acelerar sua expansão internacional, começando pelos Estados Unidos.
A meta é ampliar o faturamento anual de cerca de R$ 2 milhões para 5 milhões de reais em até um ano após o lançamento."Passamos os últimos anos provando, com dados publicados, que 3D e realidade aumentada aumentam a conversão de verdade. O próximo passo é usar IA para tornar essa produção rápida e barata o suficiente para qualquer varejista, não só os grandes", afirma Marcelo Dóro, sócio e cofundador da CodeCoast, atualmente líder da Amora Byte.
IA para reduzir custo, mas sem alterar o produto
A Apollo é uma plataforma para a geração de imagens por inteligência artificial, que se integra às soluções de visualização 3D, a realidade aumentada e a gestão dos ativos digitais dos produtos. A ferramenta também organiza versões de imagens, vídeos e fichas técnicas e permite distribuir esse material para marketplaces e plataformas de e-commerce.
Os primeiros testes começam com clientes da base da CodeCoast, entre eles grandes empresas que já utilizam suas soluções de visualização 3D. Depois dessa fase, a plataforma será aberta gradualmente para novos clientes, com foco também em pequenos e médios varejistas.
A proposta é resolver um problema que ganhou força com a popularização da IA generativa. Modelos convencionais podem alterar detalhes do produto, inserir elementos inexistentes ou modificar materiais e proporções. No comércio eletrônico, essas diferenças podem levar o consumidor a comprar um item diferente daquele exibido nas imagens.
"Boa parte da geração de imagem com IA hoje prioriza o que é bonito, não o que é fiel ao produto real. O consumidor acaba comprando com base em imagens que não mostram o produto de verdade, e a conta chega em devolução. Fazemos o contrário: usamos uma base com informações de dimensão e materiais para que a IA crie imagens e 3Ds sem alucinar", afirma Caio Biel, cofundador da CodeCoast.
A Apollo utiliza os modelos tridimensionais já desenvolvidos pela CodeCoast como referência para orientar diferentes modelos de inteligência artificial. Na prática, o sistema funciona como uma camada de controle que reduz as chamadas "alucinações" da IA e preserva dimensões, texturas e características técnicas do produto.4
"Se o sistema percebe que falta informação para representar o produto com precisão, ele não inventa. Ele pede uma foto ou uma referência ao cliente antes de gerar a imagem", afirma Biel.
O desenvolvimento da plataforma começou a ganhar forma no fim de 2025, quando a empresa passou a integrar seus modelos 3D aos sistemas de inteligência artificial. A partir daí, a equipe desenvolveu um mecanismo próprio para automatizar a produção de imagens sem abrir mão da precisão exigida pelo e-commerce.
"Nossa ideia não é competir com as grandes plataformas de IA. O foco é oferecer uma ferramenta específica para e-commerce, que entrega segurança e precisão na geração das imagens", diz.
Da pandemia ao lançamento do Apollo
A CodeCoast foi fundada em setembro de 2020, em São Paulo, em meio à pandemia de covid-19. Com o varejo físico fechado, os fundadores enxergaram uma oportunidade de aproximar consumidores dos produtos por meio da visualização digital.
"Naquela época o varejo estava sofrendo muito. A gente começou por um problema: como vender um produto que o consumidor não podia ver presencialmente? A solução foi levar essa experiência para o ambiente virtual por meio da realidade aumentada", afirma Dóro.
A primeira solução da empresa foi uma plataforma que permite visualizar produtos em 3D e em realidade aumentada diretamente no navegador, sem necessidade de baixar aplicativos.
Ao longo dos anos, a startup aprimorou a tecnologia e passou a medir seu impacto no desempenho das lojas virtuais, buscando demonstrar que a ferramenta gerava retorno financeiro e não apenas uma experiência visual mais atraente.
Esse histórico abriu espaço para contratos com empresas como Motorola América Latina, Assa Abloy, Kappesberg, Yamamura e Cavaletti.Os resultados passaram a ser medidos em pesquisas acadêmicas. Em um estudo publicado no Brazilian Journal of Technology, realizado com a Motorola América Latina, a tecnologia da CodeCoast elevou a conversão de vendas em 53,3% na Argentina e 47,2% no México, com base na análise de 5,2 milhões de sessões de consumidores em cinco países.
Segundo Dóro, esses resultados deram sustentação ao desenvolvimento do Apollo. "Primeiro precisávamos provar que o 3D aumentava a conversão. Depois disso, o desafio passou a ser tornar essa produção rápida e acessível para qualquer varejista usando inteligência artificial", afirma.
Expansão internacional está no plano
Depois do lançamento no Brasil, a CodeCoast pretende acelerar sua entrada nos Estados Unidos e, na sequência, em países da Europa. A estratégia acompanha uma mudança de cenário que a empresa observou nos últimos anos.
Quando começou a vender soluções de realidade aumentada, a startup precisava primeiro convencer os clientes sobre a utilidade da tecnologia. Hoje, segundo a empresa, essa etapa foi substituída por outra conversa: como aplicar inteligência artificial de forma confiável no e-commerce.
"No começo, a gente precisava explicar o que era realidade aumentada antes mesmo de vender a solução. Hoje o mercado inteiro já entende o potencial da IA. A discussão deixou de ser se ela funciona e passou a ser como usá-la com segurança", afirma Caio Biel, cofundador da CodeCoast.
Essa mudança reduz a barreira de entrada para novos mercados, na avaliação da empresa. "O mesmo problema que resolvemos no Brasil, o varejista americano também enfrenta. Estamos levando essa tecnologia para os Estados Unidos, começando pelo mid-market", afirma Marcelo Dóro.
A expansão também passa por um novo público. Até agora, a CodeCoast concentrou sua atuação em grandes empresas, como Motorola, Assa Abloy e Kappesberg. Com o Apollo, a expectativa é ampliar a base de clientes entre pequenas e médias empresas, que normalmente não contam com equipes dedicadas à produção de imagens e modelos 3D.
