Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
EconomiaCMDT
08/06/2026
4 min

Como ficará o preço dos combustíveis? Por que cada ataque no Oriente Médio piora as coisas

Como ficará o preço dos combustíveis? Por que cada ataque no Oriente Médio piora as coisas

Rio de Janeiro* - O preço dos combustíveis, como gasolina e diesel, deve seguir em alta nos próximos meses, pois os efeitos da guerra no Irã ainda levarão algum tempo para serem mitigados, avaliam especialistas e empresas.

Os novos ataques entre Israel e Irã, iniciados no fim de semana, atrasam ainda mais a solução. "Cada dia que passa é mais um dia de produção perdida", diz Eleanor Budds, diretora de pesquisa em combustíveis na consultoria S&P, durante evento da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata).

O tempo é um fator fundamental. Se a crise tivesse durado algumas semanas, haveria um problema de rompimento na oferta. Como a situação já dura mais de três meses, o mercado caminha para um rompimento de demanda. Ou seja: vários setores estão reduzindo o uso de combustíveis, por causa do preço alto.

"Quanto mais longa a ruptura na oferta, maior a probabilidade de altas de preço e de corte na demanda", diz Budds.

O conflito na região tem dificultado tanto a extração quanto o refino e a exportação de petróleo e combustíveis, como gasolina, diesel e querosene de aviação (QAV). A produção de petróleo no Oriente Médio teve queda de 45% em maio de 2026, e passou de 25,5 milhões de barris por mês, em 2025, para 13,9 milhões, segundo a S&P.

Com isso, o preço do petróleo saiu e atingiu cerca de US$ 120 por barril, mas depois se estabilizou entre US$ 95 e US$ 115. Há um ano, estava a US$ 60.

"Mesmo que o conflito no Oriente Médio terminasse hoje, provavelmente veríamos preços mais altos por algum tempo, pois será necessário recompor os estoques consumidos para manter não só a aviação, mas também o transporte terrestre. Assim, nosso cenário é de que os preços seguirão altos até o fim do ano", disse Roberto Alvo, CEO da Latam.

Os 3 cenários possíveis

A S&P projeta três cenários possíveis para o mercado de combustíveis.

No primeiro, considerado pouco provável, um acordo de paz é negociado nas próximas semanas, o Estreito de Ormuz é reaberto sem riscos e os impactos nos preços não vão além de 2027.

No segundo cenário, mais provável, o estreito poderia reabrir em julho ou agosto, com idas e vindas, que elevam o custo de seguros. Neste cenário, os preços seguem altos até 2028, ao menos.

No pior cenário, a crise no estreito pode durar vários anos, e a oferta e a demanda continuariam com choques. "Os preços ficariam altos e voláteis durante todo o período", diz Budds.

Retomada lenta

A retomada de produção no Oriente Médio levará meses para ser concluída, estima a S&P. O fluxo de exportação de petróleo cru pode ser retomada em um prazo de até oito semanas, mas as refinarias levariam quatro meses para retomar 80% do volume de fevereiro, antes da guerra, e cinco meses para retomar o total.

Um dos obstáculos para isso é que a produção, que acabou travada nos armazéns da região porque os navios não podiam levá-la pelo Estreito de Ormuz, precisa primeiro ser escoada para abrir espaço para receber novos barris.

Outro é que levará algum tempo para que as empresas se sintam seguras para navegar pela região. Com isso, o envio de navios deverá ser feito aos poucos. Cada nova troca de ataques, como o deste fim de semana, atrasa mais o processo.

Verão a caminho

Outro fator de preocupação é que o meio do ano é a temporada de verão nos Estados Unidos e na Europa, época de muitas viagens a lazer e de maior uso de combustíveis. Isso vai pressionar os estoques e, conforme a incerteza permanece, pode gerar novas altas de preço, pois os EUA estão exportando parte de sua produção para países que antes compravam do Oriente Médio.

"Os estoques dos EUA estão caindo rapidamente à medida que aumentam suas exportações, e isso não é sustentável", diz Budds.

Assim, um cenário de queda de estoques e de uma nova onda de ataques no Oriente Médio pode levar a novos choques de preços nas próximas semanas.

O repórter viajou a convite da Iata.

AutorRafael Balago
FonteExame
Distribuído por