Como foi desenvolvida a vacina contra o câncer da Moderna e da Merck, que apresentou resultados positivos — e animou o mercado financeiro
Tecnologia utilizada na vacina contra o câncer é a mesma utilizada durante a pandemia de Covid-19, mas há diferenças

A vacina experimental contra o câncer da Moderna e da Merck alcançou resultados positivos em um estudo de fase 3. A notícia foi vista como um potencial marco para a oncologia e animou investidores, impulsionando as ações das empresas no Nasdaq nesta quarta-feira (19).
A novidade é que a vacina atingiu sua principal meta em um estudo de fase 3, considerada a etapa mais importante dos testes clínicos antes da análise dos órgãos reguladores. Nessa fase, o tratamento é avaliado em um número maior de pacientes para confirmar sua eficácia e segurança.
Como funciona a vacina da Moderna e Merck
Tradicionalmente, vacinas são criadas para prevenir doenças antes que elas surjam. Porém, a versão das empresas foi desenvolvida para ajudar o organismo a combater um câncer já existente, no caso, o melanoma (tipo mais grave de câncer de pele).
A tecnologia utilizada é a de RNA mensageiro (mRNA), a mesma usada nas vacinas contra a Covid-19. O diferencial é que ao invés de ensinar o organismo a identificar um vírus, ela é desenvolvida a partir das características genéticas do tumor de cada paciente para ajudar o sistema imunológico a reconhecer e atacar células cancerígenas.
O primeiro passo do processo é a análise genética do tumor de cada paciente. Neste momento, os cientistas identificam mutações específicas presentes nas células cancerígenas e, a partir dessas informações, desenvolvem uma vacina personalizada.
A vacina, apelidada de mRNA-4157/V940, é aplicada em combinação com o Keytruda, um dos medicamentos oncológicos mais vendidos do mundo.
Enquanto o Keytruda ajuda a retirar parte dos mecanismos que o câncer usa para escapar das defesas do organismo, a vacina busca direcionar e fortalecer a resposta imunológica contra o tumor.
Um marco histórico na batalha contra o câncer
A abordagem é considerada uma das mais inovadoras da oncologia porque transforma informações genéticas do próprio câncer em um tratamento personalizado.
Isso significa que cada paciente recebe uma terapia desenhada especificamente para as características de sua doença.
Os resultados mais recentes mostraram que a combinação da vacina com o Keytruda prolongou o período sem recaídas e reduziu o risco de progressão do melanoma.
Os resultados foram divulgados pela Moderna e pela Merck em comunicado nesta quarta-feira (19). O estudo segue em andamento e ainda não foi publicado em periódico científico com revisão por pares. As empresas também não revelaram, até o momento, os percentuais exatos de redução de risco observados na análise.
Embora ainda sejam necessários novos acompanhamentos para confirmar os benefícios de longo prazo, especialistas veem o estudo como um marco para o desenvolvimento de vacinas terapêuticas contra o câncer.
Mercado também sorriu
O potencial da tecnologia também refletiu no mercado financeiro. Após a divulgação dos resultados, as ações da Moderna registraram forte valorização. Na máxima, os papéis chegaram a disparar mais de 153% no Nasdaq, em Nova York.
As ações da Merck avançaram cerca de 7%.
*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.
