Como hackers norte-coreanos roubaram US$ 6,3 bilhões da Binance em 20 minutos
O ataque, atribuído a um grupo de hackers ligado à Coreia do Norte, explorou vulnerabilidades internas da corretora e levou à movimentação de bilhões de dólares em criptomoedas por dez redes diferentes

RESUMO +
A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, sofreu um ataque hacker que resultou no roubo de US$ 6,3 bilhões em ativos digitais, considerado o maior da história do setor. Empresas de inteligência blockchain, como TRM Labs e Chainalysis, apontaram hackers ligados à Coreia do Norte como responsáveis pela invasão. A corretora afirmou que cobrirá integralmente as perdas dos clientes e que cerca de US$ 3 bilhões dos ativos afetados já foram localizados.
A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, sofreu um ataque hacker que resultou no roubo de US$ 6,3 bilhões em ativos digitais. O episódio, considerado o maior da história do setor, foi atribuído por empresas de inteligência blockchain a hackers ligados à Coreia do Norte.
O ataque provocou uma queda nos preços das criptomoedas e levou a corretora a suspender temporariamente os saques. A empresa afirmou que cobrirá integralmente as perdas dos clientes.
Segundo a Binance, cerca de US$ 3 bilhões dos ativos afetados já foram localizados. A corretora também informou que trabalha com parceiros e autoridades policiais para bloquear os recursos transferidos pelos criminosos.
Como aconteceu o ataque hacker à Binance?
A maior parte da movimentação dos recursos aconteceu em aproximadamente 20 minutos, pouco depois das 17h de Brasília de quinta-feira, 29, segundo registros da blockchain analisados por especialistas.
Uma investigação inicial da Binance apontou que o ataque pode ter começado com o comprometimento do computador de um de seus engenheiros. A partir desse acesso, os invasores conseguiram entrar em um dos sistemas da empresa e realizar saques não autorizados.
Posteriormente, a corretora identificou outros pontos de invasão, mas não divulgou detalhes sobre as novas vulnerabilidades encontradas.
De acordo com a empresa de inteligência blockchain TRM Labs, os hackers comprometeram a chamada infraestrutura de assinatura de transações da Binance, responsável por autorizar movimentações financeiras.
Com isso, conseguiram emitir instruções para esvaziar carteiras utilizadas pela corretora no processamento de transações e transferir os recursos para endereços controlados pelos criminosos.
O método apresenta semelhanças com o ataque à corretora Bybit, em 2025, quando hackers roubaram US$ 1,5 bilhão em criptomoedas.
Quem está por trás do ataque?
Empresas americanas de análise de blockchain apontaram semelhanças entre a invasão da Binance e operações anteriores atribuídas a hackers norte-coreanos.
A TRM Labs afirmou ter alto grau de confiança de que o ataque foi realizado por uma unidade de elite de hackers da Coreia do Norte. A Chainalysis também identificou características semelhantes às de operações anteriores associadas ao país.
No caso da Bybit, em fevereiro de 2025, o FBI atribuiu o roubo de US$ 1,5 bilhão a hackers norte-coreanos.
A Coreia do Norte utiliza há anos grupos cibernéticos ligados ao Estado para realizar operações de espionagem, roubos financeiros e geração de receitas, segundo autoridades dos Estados Unidos e da Coreia do Sul.
O governo norte-coreano costuma negar envolvimento em ataques cibernéticos. A missão do país em Genebra e a embaixada na China não responderam imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters.
Para onde foi o dinheiro roubado?
Cerca de metade dos ativos roubados foi congelada por empresas do setor de criptomoedas, incluindo emissoras de stablecoins, moedas digitais geralmente atreladas a ativos tradicionais, como o dólar.
A Tether informou ter bloqueado aproximadamente US$ 1,57 bilhão em ativos relacionados ao ataque. A Circle, responsável pela stablecoin USDC, congelou mais de US$ 800 milhões.
A Ripple também bloqueou cerca de US$ 200 milhões, enquanto a World Liberty Financial, empreendimento de criptomoedas ligado à família Trump, trabalhou com a custodiante BitGo para congelar recursos.
Segundo o jornal Financial Times, a cofundadora e co-CEO da Binance, Yi He, afirmou que a receita anual da corretora é suficiente para cobrir as perdas provocadas pelo ataque. O fundador da empresa, Changpeng Zhao, havia estimado anteriormente que o faturamento anual da companhia gira em torno de US$ 5 bilhões.
O congelamento não significa necessariamente que os valores serão devolvidos à corretora. A medida, porém, limita a capacidade dos hackers de converter os ativos em dinheiro.
De acordo com a Elliptic, empresa de análise de blockchain, os criminosos conseguiram converter aproximadamente US$ 3,3 bilhões em ativos digitais que não podem ser congelados, dificultando a recuperação dos recursos.
Binance diz que vai cobrir todas as perdas
O co-CEO da Binance, Richard Teng, afirmou que os clientes não terão prejuízos com o ataque. Segundo ele, a empresa utilizará seu fundo de proteção aos usuários e recursos próprios para cobrir as perdas.
A corretora mantém um fundo de reserva de US$ 1 bilhão em bitcoin, criado para proteger os ativos dos clientes em caso de incidentes de segurança.
A Binance afirmou que os fundos dos usuários estão seguros e que não encontrou evidências de comprometimento das chaves privadas, códigos exclusivos utilizados para autorizar transações em criptomoedas.
A empresa também informou que esperava retomar os saques nas 45 horas seguintes ao anúncio do ataque.
