Como Huaxin superou Votorantim pela compra da CSN Cimentos
Proposta "acima das expectativas" internas e atuação direta de Fabio Schvartsman ajudaram a encaminhar negociação com os chineses

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A empresa chinesa Huaxin passou à frente do consórcio liderado pela Votorantim na disputa pela CSN Cimentos nesta sexta-feira, 30, com uma proposta de R$ 12,7 bilhões. A siderúrgica CSN deu dez dias de exclusividade à Huaxin para acertar os documentos definitivos. A venda, que ainda depende da assinatura dos contratos, ajudará a CSN a reduzir sua dívida.
A chinesa Huaxin passou à frente do consórcio liderado pela Votorantim na disputa pela CSN Cimentos com uma proposta que superou as expectativas iniciais da CSN, segundo fontes a par da negociação cosultadas em caráter reservado. O avanço teve a participação direta de Fabio Schvartsman, que assumiu a presidência executiva da siderúrgica em setembro. Segundo relatos, o executivo “tomou as rédeas” e “está pragmático em fazer negócio”.
A mudança na condução das conversas foi antecipada pelo EXAME Insight em 30 de setembro. Na ocasião, interlocutores já relatavam que Schvartsman havia assumido pessoalmente a negociação e adotado uma postura mais direta com os compradores. Antes, descreviam tratativas sujeitas a mudanças de termos por Benjamin Steinbruch. O controlador deixou o comando executivo e passou a presidir o conselho de administração, mantendo influência nas decisões estratégicas.
Um mês depois, a negociação chegou à exclusividade com a Huaxin. Nesta sexta-feira, 30, a CSN anunciou um prazo de dez dias para acertar os documentos definitivos com a chinesa, em uma operação que atribui à cimenteira um valor de empresa de R$ 12,7 bilhões. Segundo a companhia, foi a proposta mais vantajosa do processo competitivo. A venda ainda depende da assinatura dos contratos.
Virada de jogo
O resultado muda o cenário de agosto, quando o consórcio da Votorantim com a italiana Cementir era considerado favorito. A oferta girava em torno de R$ 11 bilhões. O conhecimento das particularidades tributárias e dos riscos do mercado brasileiro era visto como uma vantagem sobre os concorrentes estrangeiros.
O preço, porém, continuava a separar compradores e vendedor. Steinbruch buscava inicialmente cerca de R$ 15 bilhões e depois sinalizou R$ 13 bilhões, enquanto as ofertas estavam entre R$ 10 bilhões e R$ 11 bilhões. Em setembro, a Cementir informou que sua proposta conjunta com a Votorantim havia expirado sem aceitação pela CSN.
Os R$ 12,7 bilhões negociados com a Huaxin ficaram abaixo da pedida inicial do controlador, ainda assim o resultado final superou a expectativa interna da CSN para a negociação.
A chinesa também apresenta uma vantagem concorrencial. Sem produção de cimento no Brasil, enfrenta menor sobreposição do que a Votorantim, líder nacional, cuja aquisição poderia exigir a venda de ativos para obter aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Para a CSN, concluir a venda é uma das principais medidas para reduzir a dívida líquida de R$ 42,1 bilhões registrada em junho. O valor anunciado inclui o endividamento da própria cimenteira, de modo que o montante a entrar no caixa da controladora dependerá dos termos finais da transação.
