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20/10/2026
6 min

Como Ibovespa e dólar reagiram à vitória de Bolsonaro em 2018?

Bolsa disparou após o primeiro turno, mas caiu após vitória de Bolsonaro; dólar inverteu trajetória e fechou o ano em alta frente ao real

Como Ibovespa e dólar reagiram à vitória de Bolsonaro em 2018?

A vitória de Jair Bolsonaro (à época no PSL, atualmente no PL) sobre Fernando Haddad (PT) nas eleições presidenciais de 2018 provocou fortes movimentos na bolsa de valores brasileira. Apesar do otimismo dos investidores com a perspectiva de uma agenda econômica liberal, o primeiro pregão após a confirmação do resultado terminou com o Ibovespa em queda e o dólar em alta.

Em 29 de outubro daquele ano, um dia depois do segundo turno, o principal índice da bolsa brasileira recuou 2,24%, aos 83.796,71 pontos, enquanto a moeda americana avançou 1,39%, para R$ 3,7053.

O resultado contrariou o movimento observado na abertura dos negócios, quando o Ibovespa chegou a renovar seu recorde histórico intradiário. A reação negativa, no entanto, não significava necessariamente uma rejeição dos investidores ao presidente eleito.

Nas semanas anteriores, os ativos brasileiros já haviam acumulado ganhos expressivos, impulsionados pela expectativa de vitória de Bolsonaro e pelas promessas de reformas econômicas, e o movimento ficou especialmente evidente após o primeiro turno.

Em 8 de outubro, o Ibovespa saltou 4,57%, enquanto o dólar despencou 2,35%, em meio ao otimismo dos investidores com o resultado eleitoral e as perspectivas para a política econômica.

1º turno: Ibovespa dispara 4,57% e dólar cai mais de 2%

O primeiro turno das eleições presidenciais aconteceu em 7 de outubro de 2018. Bolsonaro terminou à frente, com 46,03% dos votos válidos, contra 29,28% de Haddad, segundo os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A vantagem de quase 17 pontos percentuais foi recebida com otimismo por parte do mercado financeiro. O desempenho de aliados de Bolsonaro nas eleições para o Congresso também reforçou as expectativas de aprovação de uma agenda de reformas.

Na segunda-feira, 8 de outubro, a bolsa brasileira registrou um dos movimentos mais expressivos daquele ano. O Ibovespa avançou 4,57%, aos 86.083,91 pontos, na maior alta diária desde março de 2016. Já o dólar comercial recuou 2,35%, na menor cotação de fechamento desde agosto daquele ano.

O economista Paulo Guedes, escolhido por Bolsonaro para comandar a área econômica em um eventual governo, era uma das principais razões para esse otimismo. Entre as propostas defendidas estavam a Reforma da Previdência, o controle dos gastos públicos, privatizações e medidas de liberalização econômica.

Em relatório divulgado na ocasião, o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) avaliou que uma vitória no segundo turno poderia abrir espaço para novas valorizações do Ibovespa, com a possibilidade de o índice superar os 100 mil pontos.

Entre os dois turnos, mercado antecipou a vitória de Bolsonaro

Com a aproximação do segundo turno, marcado para 28 de outubro, os investidores passaram a acompanhar principalmente as pesquisas eleitorais e as sinalizações sobre a futura política econômica.

A vantagem de Bolsonaro sobre Haddad sustentou as expectativas de vitória do candidato no segundo turno e de implementação de reformas econômicas.

Entretanto, a intensificação das tensões comerciais entre Estados Unidos e China, a alta dos juros americanos e as perdas nas bolsas de Nova York provocaram episódios de aversão ao risco nos mercados emergentes.

Em 24 de outubro, por exemplo, o Ibovespa caiu 2,62%, aos 83.063,56 pontos, acompanhando o recuo das ações americanas. E a cautela deu lugar a uma nova onda de compras nos últimos dias antes da votação.

Na sexta-feira, 26 de outubro, último pregão antes do segundo turno, o Ibovespa avançou 1,95%, encerrando aos 85.719,87 pontos. O dólar caiu 1,32%, para cerca de R$ 3,655. Mas a bolsa acumulou valorização de 1,78% naquela semana, a quarta consecutiva de ganhos.

2º turno: vitória leva bolsa a recorde, mas termina em queda

Bolsonaro venceu o segundo turno realizado em 28 de outubro de 2018 com 55,13% dos votos válidos, contra 44,87% de Fernando Haddad. O resultado confirmou o cenário que vinha sendo antecipado por investidores nas semanas anteriores.

Na manhã de 29 de outubro, a primeira reação foi de forte valorização dos ativos brasileiros. O Ibovespa chegou a avançar 3,10%, atingindo 88.377,16 pontos e superando o recorde intradiário anterior, registrado em fevereiro daquele ano.

O dólar também abriu em queda e chegou a ser negociado a R$ 3,5822, diante da expectativa de que o presidente eleito adotaria, supostamente, uma política econômica comprometida com o equilíbrio fiscal.

O entusiasmo inicial, porém, perdeu força ao longo do pregão. O Ibovespa reverteu os ganhos e fechou em queda de 2,24%, aos 83.796,71 pontos. O dólar também mudou de direção e encerrou o dia em alta de 1,39%, cotado a R$ 3,7053.

A principal explicação apontada por operadores foi a realização de lucros. Como a vitória de Bolsonaro já era considerada provável, muitos investidores aproveitaram a abertura positiva para vender ativos que haviam se valorizado nas semanas anteriores.

Após a eleição, atenção se voltou para Paulo Guedes e Previdência

Encerrada a disputa eleitoral, os investidores passaram a acompanhar a formação do novo governo e as perspectivas de aprovação das reformas econômicas. A expectativa em torno de Guedes alimentava apostas em maior controle dos gastos públicos, privatizações e abertura econômica.

A Reforma da Previdência era considerada uma das principais prioridades. A gestora BlackRock, por exemplo, avaliou, na ocasião, que novas altas dos ativos brasileiros dependeriam da capacidade do governo eleito de avançar na agenda de reformas, sobretudo na Previdência.

Só que o otimismo passou a conviver com dúvidas sobre a articulação política de Bolsonaro e sua capacidade de construir apoio no Congresso. Estrategistas ouvidos pela EXAME, em 27 de novembro de 2018, já observavam que o impulso provocado pela eleição estava perdendo força.

Os obstáculos políticos eram elevados e parte dos investidores permanecia pouco convencida sobre a possibilidade de aprovação das propostas do novo governo. Naquela altura, o dólar já era negociado acima de R$ 3,83, patamar superior ao registrado antes do primeiro turno.

O Ibovespa, embora ainda acumulasse ganhos em relação ao período anterior à eleição, havia se afastado dos recordes, enquanto a volatilidade externa também continuava presente.

Como Ibovespa e dólar fecharam 2018?

O mercado brasileiro terminou 2018 com valorização expressiva da bolsa, mas também com alta acumulada do dólar. No último pregão do ano, em 28 de dezembro, o Ibovespa fechou aos 87.887,27 pontos, acumulando valorização de 15,03%, segundo as estatísticas históricas da B3.

O índice encerrou o ano com ganhos pelo terceiro período consecutivo, após altas de 38,93% em 2016 e 26,86% em 2017. Já o dólar comercial terminou 2018 cotado a R$ 3,8804, com valorização acumulada de 17,15%% em relação ao real.

Do fechamento do primeiro pregão após a vitória de Bolsonaro até o encerramento de 2018, o Ibovespa ganhou cerca de 4,9%, enquanto o dólar, 4,6%.

*Com informações de agências e reportagens publicadas anteriormente pela EXAME.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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