Como ISA Energia quer crescer no descompasso entre data centers e rede elétrica
CEO Rui Chammas vê demanda por novas conexões em São Paulo, mas orienta empresas a antecipar pedidos diante do tempo necessário para construir a infraestrutura elétrica

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Rui Chammas, CEO da transmissora ISA Energia Brasil, alertou que a expansão dos data centers em São Paulo exigirá novos investimentos em transmissão, mas o prazo da infraestrutura elétrica não acompanha o ritmo dos projetos. Responsável por 30% da transmissão de energia do país e 95% em São Paulo, a companhia já possui conexões com data centers e prevê ampliar a rede.
A expansão dos data centers em São Paulo deve exigir novos investimentos em transmissão de energia, mas há um descompasso entre o prazo de implantação desses empreendimentos e o de construção da infraestrutura elétrica. O alerta é de Rui Chammas, CEO da ISA Energia Brasil, que tem orientado empresários do setor a antecipar suas demandas para que as conexões estejam disponíveis quando os projetos precisarem delas. “A velocidade dos data centers é diferente da velocidade que a gente consegue desenvolver infraestrutura de transmissão”, afirmou o executivo em entrevista ao EXAME Insight.
Atualmente, aISA é responsável por transmitir 30% da energia do país e 95% da energia do estado de São Paulo. A companhia já possui conexões com data centers e vê no crescimento desses investimentos uma oportunidade para ampliar sua infraestrutura. “O que a gente tem percebido é que este crescimento demandará investimento em mais infraestrutura em São Paulo, onde a gente opera muito bem”, disse.
A expansão da rede já aparece no balanço. No segundo trimestre de 2026, a ISA registrou receita líquida regulatória de R$ 1,24 bilhão, alta de 21% sobre o mesmo período do ano anterior, impulsionada pela entrada em operação de projetos e por reforços nas instalações existentes. O Ebitda, lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 966,9 milhões, avanço de 22%. Os investimentos chegaram a R$ 1,1 bilhão no trimestre.
A necessidade de novas conexões aparece em um momento em que o setor elétrico enfrenta uma sobreoferta de geração. Para o executivo, o Brasil passou por um excesso de investimentos nessa atividade e precisará de tempo até que a demanda absorva a energia disponível. Ao mesmo tempo, serão necessários ajustes na rede para lidar com as oscilações da produção solar e eólica.
É nessa frente que a ISA também busca oportunidades. A empresa estuda participar do leilão de reserva de capacidade com baterias, destinadas principalmente ao atendimento no fim do dia, quando a geração solar deixa de produzir.
A companhia já investiu em baterias na divisa entre São Paulo e Paraná. Em Ribeirão Preto, instalou um equipamento conhecido pela sigla FACTS, que permite controlar o fluxo de energia nas linhas e contribui para a estabilidade da rede. “A transmissão está ajudando a minimizar os impactos dessa sobreoferta, ao mesmo tempo que garante estabilidade para a rede”, afirmou.
Para financiar os projetos, a ISA tem recorrido a debêntures de infraestrutura. Segundo o executivo, as emissões permitem captar recursos com remuneração ligada ao IPCA, índice que também corrige suas receitas, acrescida de uma taxa de juros real.
Onde falta energia
O custo dessa expansão, porém, pesa no resultado. Apesar do crescimento operacional, o lucro líquido regulatório caiu 32% no segundo trimestre, para R$ 173,9 milhões, afetado pelo aumento das despesas financeiras relacionadas ao endividamento. No acumulado do primeiro semestre, o lucro nessa mesma base somou R$ 531,6 milhões, queda de 10%.
A conta exige que a companhia estime o custo futuro da dívida ao decidir quanto pode oferecer nos leilões de transmissão. O objetivo é preservar uma rentabilidade superior ao custo de financiamento. Em julho, a ISA também reforçou sua estrutura de capital com uma oferta primária de ações de R$ 1,2 bilhão.
Desde 2019, a ISA colocou em operação 17 projetos de transmissão. Segundo o CEO, esses empreendimentos apresentam, na média, taxa interna de retorno do acionista superior a 10%. Há mais dois projetos em construção.
