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EsporteBDR
30/08/2026
4 min

Como o Google está avançando em parcerias esportivas

Marca está presente na NBA, seleção brasileira, La Liga e clubes pelo mundo

Como o Google está avançando em parcerias esportivas

O Google anunciou recentemente duas novas parcerias: um acordo de patrocínio com o Bayern de Munique, que entra em vigor nesta temporada e engloba as equipes de futebol masculina e feminina do clube alemão, e com o Barcelona, por meio de uma parceria que envolve o Google Gemini e o Google Pixel. O acordo estabelece o Gemini como parceiro de inteligência artificial (IA) para o consumidor e o Pixel como parceiro de celulares.

A empresa vai colocando seus principais produtos — como a Inteligência Artificial do Gemini, os servidores doGoogle Cloud e os celulares da linha Pixel — para operar num ambiente de muita pressão: o esporte de alto rendimento. Mais do que patrocinar equipes e competições, a companhia utiliza clubes, ligas e grandes eventos como laboratórios para validar soluções que posteriormente são levadas ao mercado corporativo.

Essa mudança é impulsionada por números expressivos. No mercado da Fórmula 1, por exemplo, o investimento de patrocinadores do setor de tecnologia alcançou a marca histórica de US$ 565 milhões. Pela primeira vez, as empresas de tecnologia ultrapassaram o setor financeiro (bancos e corretoras) em volume de patrocínio na categoria. O objetivo comercial do Google não é mais se tornar conhecido — já que a marca é usada diariamente por bilhões de pessoas —, mas provar para outras empresas que suas ferramentas funcionam rápido e sem falhas sob condições extremas.

O Google no futebol

Já no futebol, o Google distribui suas ferramentas entre a análise tática de atletas, a infraestrutura digital e a segurança operacional. Além de Bayern e Barcelona, a big tech está presente em algumas das principais instituições esportivas do mundo, como Seleção Brasileira, Atlético de Madrid, Liverpool e Arsenal, Palmeiras e La Liga. Também está presente nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, Team USA e na NBA.

O esporte mudou de patamar para o mercado da tecnologia. Se antes placas ao redor do campo serviam apenas para que o público lembrasse o nome de uma marca, hoje elas funcionam como a porta de entrada para laboratórios de testes reais. A inteligência artificial passou a ocupar um papel estratégico dentro do esporte, impulsionando desde a formação de atletas até a gestão de clubes, ligas e grandes eventos.

"As ligas e equipes globais se tornaram plataformas de conteúdo para as big techs, e não é de hoje. Há 10 anos, participei da parceria da Microsoft com os Jogos Olímpicos Rio 2016. A estratégia envolvia entregas de valor da plataforma de nuvem Azure, recém-lançada. Foi um dos alicerces da expansão desta frente de negócios, hoje pilar fundamental da empresa e da construção futura integrada com IA", diz Alexandre Vasconcellos, gerente regional da Flashscore no Brasil.

Personalizar a experiência do cliente...e torcedor

Estudos globais apontam que empresas que utilizam análise avançada de dados e inteligência artificial para personalizar a experiência do cliente registram aumento médio entre 10% e 15% nas receitas, além de ganhos de até 30% na eficiência das ações de marketing.

"Os ativos mais valiosos do nosso século são a atenção e informação sobre ela, o controle da audiência. Com a infinidade de conteúdos oferecidos sob demanda, disponíveis a qualquer momento, em um estoque que vai fazendo com que se percam entre novas opções sempre, eventos ao vivo, e que possam gerar ações secundárias durante eles, como as apostas, se configuram hoje como a fronteira dessa indústria. O Google criou uma nova, sempre esteve na fronteira da tecnologia, e vai tentar se tornar relevante no esporte, mais do que Adidas e Nike em um futuro próximo", diz Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil, empresa de entretenimento norte-americana, comandada pelo cantor Jay-Z.

Quando o Google Cloud ajuda clubes e ligas a cruzar dados de compra de ingressos, consumo dentro das arenas, engajamento em aplicativos e aquisição de produtos oficiais, ele demonstra ao mercado como essas mesmas ferramentas podem ser aplicadas para aumentar receita, reduzir custos e melhorar o relacionamento com clientes em qualquer segmento.

Os exemplos são diversos. A La Liga utiliza inteligência artificial para proteger sua principal fonte de receita — os direitos internacionais de transmissão — automatizando o combate à pirataria. Já o Golden State Warriors integra informações de ingressos, alimentação, aplicativo oficial e venda de produtos para compreender melhor o comportamento dos torcedores e ampliar a monetização da marca.

Na Fórmula 1, onde cada equipe trabalha sob um rígido teto orçamentário, eficiência significa vantagem competitiva. A McLaren utiliza a infraestrutura do Google Cloud para processar 11,8 bilhões de pontos de dados de telemetria e executar mais de 300 milhões de simulações de corrida, reduzindo custos operacionais e aumentando a precisão das decisões estratégicas.

AutorLuiz Anversa
FonteExame
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