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CiênciaCMDT
21/06/2026
3 min

Como o morango surgiu? DNA ajuda a resolver mistério evolutivo

Como o morango surgiu? DNA ajuda a resolver mistério evolutivo

O morango moderno é resultado de uma história evolutiva muito mais complexa do que os cientistas imaginavam. Uma nova pesquisa utilizou vestígios preservados no DNA para reconstruir milhões de anos da trajetória genética da fruta e descobriu que seu genoma foi moldado por sucessivas fusões entre espécies ancestrais.

Os resultados foram publicados na revista científica Horticulture Research e divulgados pela Nanjing Agricultural University. O estudo apresenta uma nova ferramenta capaz de reconstruir a evolução com genomas de plantas extremamente complexos.

Como os cientistas rastrearam a história do morango

Muitas plantas cultivadas atualmente possuem genomas poliploides, ou seja, carregam múltiplos conjuntos de cromossomos herdados de diferentes espécies ancestrais.

Isso acontece porque, ao longo da evolução, espécies distintas podem cruzar e combinar seus genomas. Após milhões de anos, porém, identificar exatamente quais espécies participaram desse processo torna-se um desafio, principalmente quando alguns ancestrais desapareceram ou ainda não foram identificados.

Para contornar esse problema, os pesquisadores recorreram a sequências de DNA conhecidas como retrotransposons de repetição terminal longa (LTRs). Esses elementos funcionam como registros genéticos da história evolutiva, deixando marcas que permanecem preservadas no genoma ao longo do tempo.

Vestígios genéticos funcionam como marcadores do tempo

A equipe desenvolveu uma metodologia chamada matriz de similaridade serial, capaz de comparar padrões desses elementos genéticos em diferentes cromossomos.

Com isso, os cientistas conseguiram identificar quais partes do genoma pertencem a diferentes linhagens ancestrais e estimar quando ocorreram importantes eventos defusão genética.

Antes de analisar o morango, a técnica foi testada em outras culturas agrícolas poliploides, incluindo algodão e teff, demonstrando capacidade de distinguir corretamente subgenomas já conhecidos.

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O que o genoma do morango revelou

Quando aplicada ao morango cultivado moderno, conhecido cientificamente como Fragaria × ananassa, a análise revelou quatro subgenomas distintos.

Os resultados indicam que a espécie atual surgiu após pelo menos três grandes eventos de alopoliploidização — processo em que espécies diferentes combinam seus genomas.

Segundo os pesquisadores, essas fusões ocorreram em diferentes momentos da história evolutiva da planta, aproximadamente entre 4,2 e 3,1 milhões de anos atrás, entre 3,1 e 1,9 milhões de anos atrás e entre 1,9 e 0,8 milhão de anos atrás.

A pesquisa também confirmou a ligação de parte do genoma do morango moderno com espécies ancestrais conhecidas, como Fragaria vesca e Fragaria iinumae. Ao mesmo tempo, os resultados sugerem que outros ancestrais podem ter desaparecido ao longo da evolução ou ainda não foram identificados pelos cientistas.

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Como a técnica pode ajudar outras culturas agrícolas

Além de ajudar a compreender a origem do morango, a nova metodologia pode ser aplicada a diversas culturas agrícolas de importância econômica. Plantas como trigo, algodão e cana-de-açúcar possuem genomas igualmente complexos e carregam uma longa história de cruzamentos e duplicações genéticas.

Segundo os autores, compreender melhor a organização desses genomas pode facilitar estudos sobre características agronômicas, acelerar programas de melhoramento genético e contribuir para o desenvolvimento de variedades mais produtivas e resistentes.

A pesquisa também oferece uma nova ferramenta para investigar como espécies vegetais evoluem ao longo de milhões de anos, permitindo reconstruir histórias genéticas mesmo quando os ancestrais originais já desapareceram.

AutorVanessa Loiola
FonteExame
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