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Sacre Investimentos
EconomiaCMDT
25/09/2026
3 min

Como o petróleo deu uma força para o governo rever suas contas neste ano, na avaliação do PicPay

O governo reduziu em R$ 1,9 bilhão o valor da contenção do Orçamento no Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do quarto bimestre, divulgado nesta quinta-feira (24) pelos ministérios do Planejamento e da Fazenda. O movimento, porém, já era esperado, afirma o economista Matheus Pizzani, do PicPay. No novo relatório, o valor contido […]

Como o petróleo deu uma força para o governo rever suas contas neste ano, na avaliação do PicPay

O governo reduziu em R$ 1,9 bilhão o valor da contenção do Orçamento no Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do quarto bimestre, divulgado nesta quinta-feira (24) pelos ministérios do Planejamento e da Fazenda. O movimento, porém, já era esperado, afirma o economista Matheus Pizzani, do PicPay.

No novo relatório, o valor contido passou a ser de R$ 16,1 bilhões, sendo R$ 2,4 bilhões em bloqueio e R$ 13,6 bilhões em contingenciamento.

De acordo com Pizzani, no relatório anterior, quando anunciaram um “bloqueio agressivo” de R$ 22 bilhões, o cenário era outro e o atingimento da meta fiscal — de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), com intervalo de 0,25 ponto para mais ou para menos — estava inacessível e não seria possível alcançar o centro da meta de superávit de R$ 34 bilhões. “Estava difícil de chegar até ao piso inferior”, acrescenta.

O que mudou de lá para cá?

De acordo com o economista do PicPay, um fator mudou no meio do caminho: uma arrecadação de cerca de R$ 31 bilhões prevista com leilões de petróleo. “O governo tinha retirado a previsão de leilões e foi por isso que precisou fazer aquele bloqueio”, explica.

A decisão, segundo Pizzani, refletiu um receio da equipe econômica com a volatilidade dos preços de petróleo de que a subavaliação dos campos poderia gerar uma arrecadação incondizente com a realidade.

“No entanto, o próprio impacto do preço do petróleo tem gerado um efeito positivo na arrecadação do governo, e isso permitiu que fizessem essa troca: tirar aquele valor bem significativo de um bloqueio e jogar a maior parte dele para um contingenciamento e até mesmo cancelar uma pequena parte de R$ 1,8 bilhão para este ano”, detalha.

Ainda que seja um valor significativo contingenciado, a avaliação de Pizzani é de que o governo ganhou mais maleabilidade na execução do Orçamento. “E essa maleabilidade vem principalmente da arrecadação extraordinária com petróleo”, diz.

O gasto obrigatório com a Previdência Social também tem estado abaixo do inicialmente previsto pelo governo, mas Pizzani observa que parte desse valor deve ser utilizada agora com o reajuste de 15% do Bolsa Família.

Ainda assim, sobra algum espacinho para esse contingenciamento e, acrescenta o economista do PicPay, o governo federal pode conseguir até liberar parte desse valor.

“Na minha conta original, tinha entre R$ 7 bilhões e R$ 7,5 bilhões de empoçamento, então ainda tem uma diferença que pode ser utilizada, inclusive, para essas medidas que o governo está adotando para mitigar o efeito da alta dos combustíveis em decorrência da guerra.”

De acordo com o economista, essa melhora em rubricas ligadas ao petróleo contribui para mitigar os efeitos da desaceleração de impostos geralmente associados à atividade econômica.

O PicPay trabalha com cenário de déficit primário de R$ 40 bilhões. Já ao desconsiderar precatórios e demais gastos que não entram na conta para fins da meta fiscal, o valor passa para um superávit de R$ 18 bilhões.

Já a relação dívida/PIB deve encerrar o ano no patamar de 83,5%, segundo as estimativas de Pizzani.

AutorAnna Scabello
FonteMoney Times
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