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Sacre Investimentos
Mercados
05/10/2026
6 min

Como o resultado das urnas deve impactar os mercados já nesta segunda (5) e por quê, segundo a Eurasia

A disputa mais apertada entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem reforçado o otimismo do mercado financeiro com um eventual governo de direita em 2027. Na avaliação de Leonardo Meira Reis, analista político da consultoria Eurasia Group, a leitura predominante entre investidores é de que Flávio […]

Como o resultado das urnas deve impactar os mercados já nesta segunda (5) e por quê, segundo a Eurasia

A disputa mais apertada entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem reforçado o otimismo do mercado financeiro com um eventual governo de direita em 2027.

Na avaliação de Leonardo Meira Reis, analista político da consultoria Eurasia Group, a leitura predominante entre investidores é de que Flávio teria mais condições de implementar um ajuste fiscal robusto, o que ajudaria a melhorar as expectativas para a economia brasileira.

“Se o Lula aparecer apenas cerca de dois pontos à frente do Flávio no primeiro turno, o mercado deve ler isso como um Flávio em ascensão, com grandes chances de virar o jogo no segundo turno”, disse Reis antes do primeiro turno. O resultado das urnas neste domingo (4) mostrou Flávio à frente do petista.

Para Meira Reis, esse cenário pode desencadear uma reação positiva dos ativos brasileiros já nesta segunda-feira (5). “A expectativa do mercado, principalmente pautada na possibilidade de um ajuste fiscal mais robusto sob Flávio, deve levar a uma melhora das perspectivas fiscais para 2027 e provocar um rali da bolsa”, diz.

Mercado prepara cenário favorável para Flávio

De acordo com o analista da Eurasia, mesas de operação e investidores locais já trabalham com a possibilidade de uma disputa extremamente apertada entre os dois candidatos.

A avaliação é que o eleitorado de centro-direita e das candidaturas alternativas tende a migrar em maior proporção para Flávio Bolsonaro do que para Lula no segundo turno. Por isso, o resultado deste domingo deve ser recebido com entusiasmo pelos mercados.

“Os investidores brasileiros estão muito mais otimistas com Flávio do que com Lula. O potencial de alta dos ativos está associado a um cenário de vitória de Flávio, enquanto o risco de decepção está concentrado em um resultado melhor para Lula”, afirma Meira Reis.

Segundo ele, quanto mais apertada for a diferença entre os dois candidatos, maior tende a ser a valorização dos ativos locais.

O que diferencia os planos fiscais de Lula e Flávio

Apesar de o debate fiscal ter ganhado protagonismo na corrida presidencial, Meira Reis destaca que nenhum dos dois campos apresentou até agora propostas detalhadas para equilibrar as contas públicas.

Segundo o analista, isso é esperado durante a campanha eleitoral, já que medidas de ajuste costumam envolver contenção de gastos e mudanças impopulares, que podem ser exploradas pelos adversários politicamente.

Ainda assim, há um ponto em comum entre os dois grupos. “Existe praticamente uma unanimidade entre os assessores dos dois lados sobre a necessidade de fazer algum ajuste fiscal”, afirma.

A principal motivação seria abrir espaço para uma trajetória mais favorável dos juros. Na avaliação da Eurasia, tanto Lula quanto Flávio entendem que a manutenção de juros elevados limita o crescimento da economia, encarece o crédito e dificulta a expansão de investimentos.

Ajuste de Lula seria gradual e focado no médio prazo

Na visão de Meira Reis, um eventual segundo mandato de Lula caminharia para um ajuste fiscal gradual, com foco na estabilização da trajetória da dívida pública ao longo dos próximos anos.

Entre as medidas discutidas nos bastidores estariam ações para reduzir fraudes em programas sociais e benefícios previdenciários, além de possíveis mudanças nas regras de crescimento das despesas públicas.

Segundo o analista, também há debates sobre um endurecimento moderado do arcabouço fiscal, reduzindo o espaço para o crescimento real dos gastos do governo.

A questão é que o mercado considera esse tipo de ajuste insuficiente diante da magnitude do desequilíbrio fiscal.

“O entendimento predominante é que Lula deve colocar alguma proposta na mesa, mas talvez não no volume que o mercado considera necessário para resolver o problema fiscal”, afirma.

Para o especialista, o principal risco de um novo governo petista estaria na segunda etapa desse processo. Caso o ajuste inicial não seja suficiente para melhorar as expectativas, reduzir a pressão sobre o câmbio e abrir espaço para cortes de juros, o governo poderia enfrentar dúvidas sobre sua disposição de avançar com medidas adicionais.

Flávio aposta em choque de credibilidade

Já no campo bolsonarista, a ideia discutida por assessores é promover um ajuste mais agressivo logo no início do mandato.

Segundo Meira Reis, a proposta em estudo inclui mudanças constitucionais para impor limites mais rígidos ao crescimento das despesas públicas, em um modelo inspirado no antigo teto de gastos, mas com mecanismos adicionais vinculados ao comportamento da dívida pública.

A proposta também envolveria gatilhos automáticos para conter despesas caso determinadas metas fiscais fossem descumpridas.

“O objetivo é produzir um choque de credibilidade mais rápido e robusto”, explica.

Nos bastidores, há discussões sobre cortes de gastos equivalentes a algo entre 2% e 3% do Produto Interno Bruto (PIB), embora a Eurasia considere improvável que um ajuste dessa magnitude seja efetivamente implementado.

Mesmo assim, o simples anúncio de um plano nessa direção já seria suficiente para melhorar as expectativas dos investidores, na avaliação da consultoria.

A lógica do mercado é que uma sinalização mais dura na área fiscal favoreceria a queda dos juros, fortaleceria a atividade econômica e ajudaria a reduzir os prêmios de risco dos ativos brasileiros.

Lição de 2024 ainda pesa nas discussões

De acordo com Meira Reis, a reação negativa do mercado ao pacote fiscal anunciado pelo então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no fim de 2024 foi uma referência importante para o governo Lula.

Na época, investidores criticaram a combinação entre medidas de contenção de gastos e iniciativas que reduziam a arrecadação, o que acabou enfraquecendo o impacto positivo esperado sobre as expectativas fiscais.

Segundo o analista, o episódio serviu de aprendizado dentro do próprio governo. “O Lula passou a absorver melhor a percepção de que expectativas de mercado, de que o câmbio e os juros afetam diretamente os objetivos econômicos e sociais do governo”, explica.

Ainda assim, a Eurasia alerta que fatores externos também terão papel decisivo em 2027, independentemente de quem vencer as eleições. Pressões sobre commodities, petróleo, inflação global e crescimento econômico podem influenciar tanto o sucesso de um ajuste fiscal quanto a popularidade do próximo presidente.

Para o mercado, porém, o cenário base continua sendo o de maior confiança em uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro.

“O benefício da dúvida hoje é maior para Flávio. Ele começa com mais credibilidade junto aos investidores por defender um ajuste fiscal mais austero. Por isso, o ‘upside‘ está com Flávio e o ‘downside‘ está com Lula.”

AutorAnna Scabello
FonteMoney Times
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