Como serão as novas escolas bilíngues da Cultura Inglesa

A Cultura Inglesavai entrar na educação básica com a criação de uma rede própria de escolas bilíngues. A Cultura Inglesa Bilingual School começa com duas unidades na cidade de São Paulo, nos bairros da Mooca, na zona leste, e da Vila Mariana, na zona sul.
As escolas atenderão estudantes da Educação Infantil ao 9º ano do ensino fundamental. O currículo seguirá a Base Nacional Comum Curricular e terá o inglês não apenas como disciplina, mas como língua de aprendizagem em diferentes áreas do conhecimento.
Na Educação Infantil, aproximadamente 80% da jornada será conduzida em inglês. Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, o idioma estará presente em cerca de 60% das atividades. A meta é que os estudantes alcancem o nível B2 de proficiência ao final do 9º ano, patamar associado à capacidade de compreender e se comunicar com autonomia em diferentes contextos.
O plano prevê seis escolas em funcionamento até 2030, com capacidade para atender cerca de 2.400 alunos. A Cultura Inglesa estima investir R$ 90 milhões em obras, adaptação dos imóveis, mobiliário, tecnologia, formação de profissionais e desenvolvimento pedagógico.
“Entendemos que era um passo natural entrar em um mercado que cresce, é demandado e exige qualidade. Além disso, uma das maiores dificuldades para abrir uma escola bilíngue é encontrar docentes com proficiência para ensinar outras disciplinas em inglês, e nós formamos e atualizamos esses profissionais dentro de casa”, afirma Wilson Diniz, CEO da Cultura Inglesa.
A nova rede reforça o ecossistema educacional da Cultura Inglesa, que hoje oferece uma jornada completa de aprendizagem ao longo da vida. Além das escolas bilíngues, a instituição reúne cursos de inglês presenciais e on-line, certificações internacionais, programas bilíngues em escolas parceiras e a Faculdade Cultura Inglesa, com cursos de graduação, pós-graduação e extensão.
A integração dessas frentes consolida a estratégia da organização de ampliar sua presença em diferentes segmentos da educação, mantendo o inglês como eixo central de formação e desenvolvimento. A organização amplia sua atuação na educação básica e fortalece uma jornada educacional integrada, que vai da primeira infância à formação continuada.
Inglês como língua de aprendizagem
O projeto pedagógico parte de um conceito que a instituição chama de “bilinguismo autêntico”. Em vez de aparecer apenas como uma disciplina com carga horária ampliada, o inglês será utilizado para ensinar conteúdos, investigar temas, formular perguntas, resolver problemas e apresentar ideias.
A proposta busca se diferenciar de modelos que apenas acrescentam aulas de inglês à grade regular. Na nova rede, o idioma fará parte do ensino de outras disciplinas e da rotina escolar, com funções pedagógicas definidas para o português e o inglês.
“Em uma escola bilíngue, o inglês não é uma disciplina. Ele é uma língua de aprendizagem”, afirma André Felipe, diretor executivo de Educação Básica da Cultura Inglesa Bilingual School.
Português e inglês deverão coexistir de maneira planejada. Cada idioma terá funções definidas de acordo com a etapa de ensino, o conteúdo abordado e os objetivos de aprendizagem.
Disciplinas como Ciências, Artes e Educação Física serão ministradas em inglês. A proposta também prevê projetos interdisciplinares, atividades de leitura, experiências científicas e práticas relacionadas à arte, cultura, esporte e tecnologia.
A intenção, segundo Felipe, é que o estudante incorpore o idioma progressivamente, sem depender da tradução constante dos conteúdos. Ao longo da trajetória escolar, os alunos deverão desenvolver a capacidade de pensar, argumentar e interagir nas duas línguas.

Escola brasileira com referências britânicas
Para desenvolver a proposta, representantes da instituição passaram quase duas semanas visitando escolas no Reino Unido. A equipe analisou currículos, modelos de avaliação, práticas de sala de aula e estratégias voltadas ao desenvolvimento da autonomia dos estudantes.
Apesar das referências internacionais, a rede seguirá a BNCC, o calendário letivo brasileiro e as regras aplicáveis à educação nacional. As práticas britânicas serão incorporadas principalmente às metodologias de ensino, aos processos de avaliação, à formação dos professores e à organização da rotina escolar.
“Outras escolas precisaram se provar bilíngues. A Cultura Inglesa já nasce bilíngue, porque sempre teve o idioma no centro de sua atuação e esse é nosso maior diferencial”, diz o diretor executivo.
Entre as metodologias inspiradas no modelo britânico está a aprendizagem baseada em investigação, conhecida como inquiry-based learning. O trabalho parte de perguntas, situações práticas e problemas que levam os estudantes a buscar informações, formular hipóteses, testar possibilidades e apresentar conclusões.
Essa abordagem ganha profundidade ao longo da vida escolar dos alunos e pode partir de brincadeiras e experiências para, progressivamente, envolver habilidades de pesquisa, argumentação e colaboração.
A proposta também prevê avaliação contínua, devolutivas frequentes entre professores e estudantes e atividades voltadas ao desenvolvimento da oralidade, do pensamento crítico e da autonomia.
Bem-estar e proteção integram o projeto
O projeto também incluirá práticas de well-being, relacionadas ao bem-estar, e de safeguarding, voltadas à proteção integral de crianças e adolescentes.
As ações deverão envolver o desenvolvimento de competências socioemocionais, o estímulo à autonomia, a construção de relações respeitosas e o fortalecimento do sentimento de pertencimento.
Na área de proteção, a rede prevê protocolos de prevenção e atendimento para diferentes situações, além de profissionais de referência aos quais estudantes e famílias poderão recorrer.
“A ideia não é ter apenas protocolos de segurança. Trata-se de construir uma cultura organizacional baseada em prevenção, cuidado e responsabilidade compartilhada”, afirma Felipe.
Ensino bilíngue tem espaço para crescer
A criação da rede ocorre em um momento de maior procura por propostas que incorporem um segundo idioma à formação regular.
Diniz estima que menos de 10% das cerca de 40 mil escolas particulares do país adotam algum modelo de educação bilíngue. Para o executivo, o setor ainda é pulverizado e tem espaço para crescer. A expansão, no entanto, depende de projetos pedagógicos consistentes, infraestrutura adequada e profissionais capacitados para atuar em ambientes bilíngues.
Atualmente, a Cultura Inglesa possui mais de 125 escolas próprias e franqueadas em nove estados e atende mais de 80 mil estudantes. A instituição também mantém um programa bilíngue intracurricular em quase 100 escolas regulares.
As matrículas da nova redeestão abertas.As visitas presenciais às unidades deverão começar em agosto, com os primeiros eventos de apresentação às famílias. As aulas estão previstas para o início do ano letivo de 2027.
