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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
14/06/2026
5 min

Como ter sucesso no investimento em startups

Como ter sucesso no investimento em startups

Uma frase que ouço recorrentemente quando começo a conversar sobre investimento em startups é: “Investi em uma startup e me dei mal”.

E isso sempre reforça para mim uma lição que aprendi ainda em 2009 quando comecei a me envolver com esse tema: “Se for para investir em só uma ou duas startups, melhor nem fazer, pois a probabilidade, nesse caso, de fracasso é muito maior que sucesso”.

Por que isso acontece? Porque o investimento em startups, por natureza, segue uma lógica de portfólio.

Estatisticamente, apenas uma pequena parcela das empresas investidas gera os retornos realmente expressivos, capazes de compensar as perdas ou desempenhos modestos das demais.

Em muitos casos, é uma startup entre dez que entrega um retorno de 20x, 30x ou até mais, sendo justamente ela a responsável por sustentar o resultado global da carteira.

Por isso, investir em poucas startups aumenta demais a exposição ao acaso e reduz fortemente a chance de capturar esse efeito.

Dessa forma, uma das principais boas práticas para ter sucesso nesse mercado é montar um portfólio com pelo menos dez startups.

A partir dessa escala, a probabilidade de construir um resultado positivo cresce de forma relevante.

Como montar um portfólio

Há, inclusive, análises que indicam que um portfólio em torno de vinte startups tende a atingir um ponto especialmente favorável em termos probabilísticos, ampliando o potencial de retorno ajustado ao risco.

Em outras palavras, o sucesso nesse tipo de investimento não costuma vir de uma aposta isolada, mas sim de uma estratégia consistente, disciplinada e diversificada.

Além disto, lembrando que o investimento em startups vai além do retorno financeiro, gerando grandes oportunidades de aprendizados além da sua experiência, ter mais startups no seu portfolio irá ampliar seu conhecimento.

Também não é necessário, nem recomendável, tentar formar esse portfólio de uma só vez. O ideal é construir a carteira ao longo do tempo, em um horizonte de pelo menos dois a três anos.

Isso permite ao investidor acessar diferentes “safras” de startups, em distintos contextos econômicos e ciclos de mercado, reduzindo o risco de concentração em um único momento de entrada.

Essa prática ajuda a mitigar erros de timing e traz mais equilíbrio à jornada de investimento.

Outra prática fundamental é a diversificação setorial. É natural que cada investidor tenha mais afinidade com determinados segmentos, especialmente aqueles sobre os quais possui maior repertório ou experiência profissional.

No entanto, concentrar excessivamente a carteira em um único setor aumenta o risco.

Eventos externos podem afetar de forma abrupta determinados mercados, como ficou evidente durante a pandemia, quando empresas ligadas a turismo, eventos e atividades presenciais sofreram de maneira intensa.

Diversificar entre setores distintos contribui para reduzir esse tipo de exposição e torna o portfólio mais resiliente.

Nesse contexto, investir junto com outros investidores é uma prática extremamente valiosa.

Além de permitir a diluição do risco financeiro em cada operação, o investimento coletivo amplia a capacidade de análise, avaliação, negociação e apoio à startup após o aporte.

Quando diferentes investidores compartilham conhecimento, experiências e perspectivas, a qualidade da decisão tende a melhorar.

Essa dinâmica também favorece um acompanhamento mais estruturado das empresas investidas, algo que pode ser decisivo para o desenvolvimento do negócio e para a proteção do investimento realizado.

Outro ponto central para o sucesso é ter acesso a um fluxo consistente de oportunidades qualificadas.

Em geral, o número de startups avaliadas é muito superior ao número efetivamente investido. Muitas vezes, apenas 1 entre 100 oportunidades analisadas chega a fase de receber capital.

Isso mostra que a originação e a triagem de oportunidades são partes críticas do processo. Mais uma vez, o investimento em rede ou em grupo fortalece esse aspecto, pois amplia o acesso a negócios mais qualificados e melhora a capacidade de seleção.

Dominar os fundamentos

Por fim, dominar os fundamentos do investimento em startups é essencial. Conhecer os principais termos contratuais, as cláusulas relacionadas a direitos políticos e econômicos, os mecanismos de proteção, as regras de governança e os impactos de futuras rodadas pode fazer enorme diferença no resultado final.

Em muitos casos, o retorno do investimento não depende apenas da qualidade da startup, mas também da forma como a operação foi estruturada desde o início.

Por isso, capacitação e conhecimento especializado não são acessórios, mas elementos centrais para investir melhor.

À primeira vista, tudo isso pode parecer exigir muita dedicação e tempo demais.

Mas, na prática, quando o processo é compartilhado com outros investidores e cada um assume a liderança de determinados deals, torna-se perfeitamente viável construir uma estratégia consistente alocando algo em torno de uma a duas horas por semana.

Com método, disciplina e colaboração, é possível montar um portfólio de qualidade sem que isso se torne incompatível com outras atividades profissionais.

Seguindo essas boas práticas, o investimento em startups passa a ter não apenas um excelente potencial de retorno financeiro, mas também um enorme valor em termos de aprendizado.

Investir nesse mercado é estar próximo da inovação, de novas tecnologias, de modelos de negócio emergentes e de empreendedores que estão tentando construir o futuro.

Trata-se, portanto, de uma jornada que combina capital, estratégia, conhecimento e desenvolvimento pessoal.

Se você ainda tem dúvidas sobre como começar, participar de grupos e redes de investidores pode ser um excelente caminho.

Estar ao lado de pessoas mais experientes, trocar aprendizados, acompanhar análises e dividir decisões ajuda muito a reduzir erros e a ganhar segurança.

No fim, ter sucesso no investimento em startups não é questão de sorte. É, sobretudo, resultado de método, diversificação, conhecimento e visão de longo prazo.

AutorCássio Spina
FonteExame
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