Como usar Starlink no celular: saiba preço e cobertura no Brasil
Internet via satélite da SpaceX chega ao smartphone pelo Wi-Fi da antena, enquanto a conexão direta sem equipamento segue em testes com a Vivo e tem lançamento esperado para 2027

RESUMO | A Starlink já funciona no celular no Brasil, mas só pelo Wi-Fi gerado pela antena da empresa, com planos a partir de R$ 189 por mês e kits de R$ 1.199 a R$ 2.400. A conexão direta entre smartphone e satélite, sem equipamento extra, está em testes com a Vivo, autorizados pela Anatel até abril de 2029.
Quem pega estrada pelo interior ou passa o fim de semana fora da cidade sabe que é comum ter vários momentos em que o celular fica "sem serviço". A Starlink, rede de internet via satélite da SpaceX, se apresenta como alternativa para esse problema. No Brasil, dá para usar a Starlink no celular desde que haja uma antena da empresa próxima, que cria uma rede Wi-Fi e o smartphone se conecta como faria em casa.
A versão que dispensa a antena, chamada Direct to Cell (ou D2D, de direct-to-device), ainda não está disponível no país. A Anatel autorizou a parceria entre a Vivo e a Starlink para implementar essa conexão direta com validade até 22 de abril de 2029. Como essa licença especial já permite o uso comercial, a previsão do setor é que o serviço seja lançado para os clientes da operadora a partir de 2027.
Como a Starlink funciona?
A Starlink opera com milhares de satélites em órbita baixa, a cerca de 550 km de altitude. Os satélites de internet tradicionais ficam a cerca de 36 mil km da Terra. A distância menor reduz a latência (o atraso do sinal), o que viabiliza videochamadas e streaming por satélite.
No modelo vendido no Brasil, a antena instalada pelo usuário troca dados com os satélites, que repassam o sinal a estações em terra ligadas à internet. O roteador do kit distribui a conexão por Wi-Fi para celulares, notebooks e TVs.
Como usar a Starlink no celular com a antena
A configuração é feita pelo app Starlink, gratuito para Android e iPhone, e segue os mesmos passos no kit Padrão e no Mini:
- Escolha o local: a antena precisa de visão livre do céu, longe de árvores e construções mais altas;
- Baixe o app Starlink: disponível na Google Play e na App Store, ele tem uma verificação de obstruções que usa a câmera do celular para mostrar se o céu está livre no ponto escolhido;
- Ligue o equipamento: conecte a antena à fonte e à tomada, já que o Mini traz o roteador embutido e o kit Padrão usa um roteador separado;
- Posicione a antena: siga as indicações de direção e inclinação exibidas no app;
- Conecte o celular: em Ajustes, no iPhone, ou Configurações, no Android, abra o menu de Wi-Fi e selecione a rede STARLINK;
- Proteja a rede: no app, troque o nome do Wi-Fi e defina uma senha.
O Starlink Mini pesa pouco mais de 1 kg e aceita alimentação por USB-C. Por isso, é o kit usado por quem quer levar a conexão no carro ou em viagens para áreas sem sinal.
Quanto custa a Starlink no Brasil?
O custo tem duas partes: o kit, pago uma vez, e a mensalidade. Os valores abaixo seguem a tabela aplicada após o reajuste de maio de 2026:
- Residencial: R$ 189 por mês, com download de até 100 Mbps e dados ilimitados;
- Residencial Max: R$ 249 por mês, com picos acima de 400 Mbps e prioridade em horários de rede congestionada;
- Residencial Família: a partir de R$ 423 por mês, para dois endereços;
- Viagem 100 GB: R$ 339 por mês, para uso em deslocamento, com velocidade reduzida após a franquia;
- Viagem Ilimitado: R$ 619 por mês, sem franquia de dados.
Os kits custam R$ 2.400 (Padrão) e R$ 1.199 (Mini) pelo preço cheio. A Starlink faz promoções frequentes atreladas a planos específicos. Em setembro de 2026, o Mini saía por R$ 99 para quem contratasse o Residencial Max com permanência de 12 meses. O valor final varia conforme o CEP e o ICMS do estado e aparece no checkout do site oficial.
Qual é a cobertura da Starlink no Brasil?
A Starlink informa cobrir todo o território nacional, incluindo zonas rurais e a Amazônia. A disponibilidade em cada endereço pode ser consultada no site da empresa, antes da compra, com o local exato de instalação.
A qualidade do sinal depende mais do entorno do que da região. Árvores e prédios no caminho da antena derrubam a velocidade, e tempestades fortes podem provocar quedas temporárias. A empresa posiciona o serviço para lugares sem fibra óptica ou com 4G e 5G instáveis.
Quando a Starlink vai funcionar direto no celular, sem antena?
A conexão direta depende de regras da Anatel e de acordo com uma operadora, porque a Starlink não pode vender o serviço D2D ao consumidor por conta própria. O sinal usa frequências da operadora parceira. Os marcos regulatórios até setembro de 2026 foram:
- Julho de 2026: a Anatel atualizou o plano de uso de frequências do país e incluiu pela primeira vez faixas para a conexão direta entre celular e satélite;
- Julho de 2026: a Telefônica Brasil, dona da Vivo, recebeu autorização para testar o D2D em todo o território nacional até outubro de 2026, com até 50 aparelhos;
- Setembro de 2026: o Ato nº 11.334 da Anatel estendeu o prazo dos testes até 22 de abril de 2029, com a Starlink indicada como parceira da Vivo.
Vivo e SpaceX não anunciaram contrato comercial. TIM e Claro também negociam com empresas de satélites de órbita baixa. Segundo a coluna Broadcast, do Estadão, a Starlink ainda precisa lançar uma nova geração de satélites, prevista para o fim de 2026 e o início de 2027, antes de iniciar a operação no país.
A liberação deve ocorrer em duas etapas. Na primeira fase, com mensagens de texto e comunicação de emergência, com envio de localização. Já na fase seguinte, serão liberadas as chamadas de voz e dados móveis, com velocidade abaixo da oferecida pelo 4G e pelo 5G.
Como vai funcionar a Starlink no celular sem antena?
Os satélites do Direct to Cell levam modems que funcionam como uma torre de celular no espaço. Quando o smartphone perde o sinal das antenas terrestres da operadora, ele passa a se conectar ao satélite sem que o usuário precise instalar aplicativo ou trocar de chip.
A condição física é a mesma da antena residencial: o aparelho precisa de visão do céu. Dentro de casa, em garagens ou em vales fechados, a conexão tende a falhar. O D2D não substitui o 4G e o 5G, e entra apenas onde a rede terrestre não chega.
Quais celulares serão compatíveis com a Starlink sem antena?
A lista oficial para o Brasil ainda não foi divulgada. A SpaceX desenvolveu a tecnologia para smartphones LTE existentes, mas a compatibilidade depende das frequências suportadas por cada modelo e da configuração da operadora.
Nos Estados Unidos, onde a Starlink opera com a T-Mobile, a lista de aparelhos habilitados inclui iPhones a partir da linha 13 e modelos recentes de Samsung, Google e Motorola. Manter o sistema operacional atualizado é requisito, já que a função chega aos aparelhos por atualização de software.
Quanto vai custar a Starlink direto no celular?
Ainda não há preço definido no Brasil. Como a venda passa pela operadora, o serviço deve aparecer como benefício ou pacote adicional dentro dos planos de telefonia, e não como assinatura da Starlink. Nos Estados Unidos, a T-Mobile inclui a conexão por satélite em planos mais caros e cobra à parte de clientes de planos básicos.
