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NegóciosMPOL
30/07/2026
4 min

Como vender para os concorrentes virou um negócio de R$ 1 bilhão

João Neto abandonou o varejo de telefonia, transformou operadoras em clientes e construiu a base da atual plataforma Solvefy

Como vender para os concorrentes virou um negócio de R$ 1 bilhão

João Neto começou a empreender em 2006, em um quarto de apartamento, com dois estagiários e a meta de faturar R$ 25 mil por mês. O primeiro negócio vendia serviços de telefonia diretamente a empresas.

Dois anos depois, o catarinense decidiu mudar o modelo. Em vez de continuar disputando o cliente final com outras pequenas operadoras, passou a fornecer a infraestrutura necessária para que elas próprias prestassem o serviço.

A virada levou a empresa do varejo para o atacado e abriu caminho para uma operação de escala nacional. Duas décadas depois, a companhia criada por Neto acumula mais de R$ 1 bilhão em faturamento ao longo de sua trajetória e disputa o mercado de comunicação corporativa com grupos globais como a Twilio, a Sinch e a Infobip.

A transformação acompanhou a expansão de um mercado global. Segundo a Juniper Research, as plataformas de comunicação como serviço, conhecidas pela sigla CPaaS, movimentaram US$ 30 bilhões em 2025. A projeção é que a receita do setor cresça 13% em 2026 e supere US$ 34 bilhões.

Ao longo desse período, a telefonia deixou de ser o centro do negócio. A companhia expandiu sua atuação para canais como SMS, WhatsApp, RCS e e-mail e, em 2026, consolidou essa operação sob a marca Solvefy, uma plataforma omnichannel voltada à comunicação entre empresas e consumidores.

“Uma campanha pode alcançar tecnicamente milhões de pessoas e, ainda assim, não produzir nenhum resultado caso o conteúdo não seja relevante ou a abordagem não desperte interesse. Por isso, todo o trabalho da Solvefy é orientado por impacto”, afirma João Neto, fundador da Solvefy.

Como a mudança para o atacado deu escala ao negócio

Quando Neto iniciou a empresa, uma ligação de telefone fixo para celular podia custar mais de R$ 2. Com a tecnologia de voz sobre protocolo de internet, conhecida como VoIP, o preço do mesmo contato caía para cerca de R$ 0,70 ou R$ 0,80.

A redução de custos criava uma oportunidade, mas havia obstáculos. A internet era cara e pouco disponível, as centrais telefônicas analógicas exigiam adaptações e poucas empresas conseguiam realizar a terminação das chamadas, processo que conecta uma ligação à rede de destino.

Naquele período, mais de 2.500 companhias ofereciam serviços semelhantes no país. Neto percebeu que as dificuldades enfrentadas por sua empresa também atingiam boa parte dessas operadoras. A solução foi deixar de competir diretamente com elas e transformá-las em clientes.

“Não abandonamos o setor em que atuávamos, mas reorganizamos o modelo de negócios para resolver uma dor real do mercado”, diz Neto.

A empresa passou a se conectar diretamente com grandes operadoras e a completar as chamadas de outras companhias do setor. Com isso, reduziu a necessidade de visitar clientes, instalar equipamentos e manter estruturas físicas em diferentes localidades. As negociações, integrações e operações podiam ser realizadas remotamente.

O novo formato aumentou o volume processado por contrato e reduziu o custo de aquisição de clientes. Em 2008, a companhia também passou a oferecer a tecnologia no modelo white label, no qual outras operadoras utilizam a estrutura com suas próprias marcas.

De empresa de telefonia a plataforma omnichannel

A segunda virada de chave veio em 2011, quando a empresa entrou no mercado de SMS corporativo. O canal começava a ser usado em promoções, cupons de desconto e campanhas para recuperar carrinhos abandonados. Depois de alguns anos, a receita do SMS superou a de voz.

A transformação acompanhou uma mudança no comportamento dos consumidores. Com o avanço das chamadas comerciais, atender números desconhecidos tornou-se menos comum. O SMS permitia iniciar o contato sem exigir uma resposta imediata.

Nos anos seguintes, a companhia ampliou sua oferta para outros canais digitais, incluindo WhatsApp, RCS e e-mail, até consolidar essas operações na marca Solvefy.

A plataforma permite organizar diferentes canais em uma mesma jornada. Se o consumidor não responde a uma mensagem, a empresa pode tentar outro meio de contato. Caso receba várias comunicações sem demonstrar interesse, a sequência pode ser interrompida para evitar a saturação.

Para Neto, porém, reunir canais não é suficiente. É preciso avaliar como o consumidor reage aos contatos e identificar o que impede uma campanha de gerar resultados.

Por isso, além de métricas como entrega, abertura e clique, a Solvefy acompanha indicadores ligados ao negócio, entre eles vendas, retenção, faturamento, margem e satisfação. Quando as mensagens não geram o resultado esperado, a análise pode incluir o texto, a abordagem, o público e a sequência dos contatos.

“Um dos valores que carregamos é a empatia resolutiva: não basta compreender a dificuldade do cliente; é necessário assumir uma postura ativa para ajudá-lo a resolvê-la. No fim, comunicar melhor só faz sentido quando isso gera resultados para quem está do outro lado”, diz o fundador.

 

AutorExame Brand Solutions
FonteExame
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