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Sacre Investimentos
InvestMercadosTRD
28/08/2026
3 min

Compra do TC foi uma aposta no ajuste fiscal, diz Juliano Custódio, da EQI

EQI adquiriu plataforma de trading por R$ 3 milhões e acredita em ambiente favorável à renda variável

Compra do TC foi uma aposta no ajuste fiscal, diz Juliano Custódio, da EQI

A aquisição da plataforma TC pela EQI Investimentos foi pensada em um cenário específico: o de um ajuste fiscal que leve à queda dos juros e traga o investidor pessoa física de volta à renda variável. A explicação é do próprio Juliano Custódio, fundador e CEO da instituição, que detalhou o raciocínio por trás do negócio à EXAME, durante seu principal evento anual, a Money Week.

"O TC é uma aposta. Se a direita ganhar, a gente acredita em um ajuste fiscal que gera, no fim do dia, uma queda dos juros", afirmou.

"As empresas começam a valer mais e o mercado volta a operar muito mais em renda variável. Hoje, o investidor pessoa física não investe mais em renda variável praticamente", complementou. "Queremos estar bem preparados com uma plataforma que atende bem o investidor e o varejo, e é por isso que a gente comprou o TC."

A EQI também se valeu do ciclo de juros altos para capturar clientes de perfil rentista, admite Custódio. "A gente se deu muito bem com os juros altos também. Mas caso tenha uma virada, a gente quer estar preparado para atender o investidor da renda variável."

Em ano eleitoral, o posicionamento político dos palestrantes da Money Week é explícito. O evento começou nesta quinta-feira, 27, com um painel com a coordenadora de campanha do candidato Flávio Bolsonaro. Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, não poupou críticas à política expansionista do atual governo e foi ovacionada de forma unânime pela plateia. O impacto dos gastos públicos nos investimentos é tema recorrente nas discussões e é falado em tom de urgência, como algo que já chegou no limite.

"Não tem como fugir", defende Custódio. Para o CEO da EQI, os dois cenários eleitorais desenham economias distintas para o investidor.

Para ele, uma vitória da esquerda mantém "o Brasil do rentismo", com juro alto que favorece quem tem capital e pressiona a classe média. Já uma vitória da direita apontaria para "um Brasil que poupa mais em Brasília", gera superávit e abre espaço para inflação e juros mais baixos, ambiente menos favorável ao rentista, mas que, nas palavras dele, "fomenta todo o ecossistema" e beneficia o pequeno e médio empresário.

O executivo apontou ainda um efeito colateral do juro elevado sobre a originação de crédito. Com a Selic em patamar alto, o investidor procura papéis de renda fixa e de dívida, mas o empresário reluta em se endividar.

"Você tem que encontrar um empresário que tem um negócio tão bom a ponto de conseguir pagar CDI mais 3 e ter lucro, e cada vez temos menos negócios no Brasil capazes de pagar esse juro todo", afirmou. "Está começando a ficar difícil de originar dívida."

Entrada no mercado de trading

A EQI concluiu a compra da plataforma TC junto à Economatica em 14 de agosto, por R$ 3 milhões. A operação inclui o código-fonte da plataforma, a carteira de clientes e a comunidade de traders, investidores e influenciadores construída ao longo dos últimos anos.

O movimento marca a entrada da corretora no segmento de trading, em complemento à atuação em assessoria de investimentos, gestão patrimonial e produtos financeiros. Fundada em 2008 em Santa Catarina e associada ao BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME), a EQI tem hoje R$ 57 bilhões sob custódia e 100 mil clientes ativos.

Com captação média superior a R$ 1 bilhão por mês, a corretora projeta chegar a R$ 180 bilhões sob custódia em cinco anos.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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