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09/09/2026
3 min

Computador quântico levaria 26 dias para quebrar o Bitcoin, diz estudo

Máquina desse tipo ainda é teórica, mas está cada vez mais próxima, conforme uma série de pesquisas tem apontado

Computador quântico levaria 26 dias para quebrar o Bitcoin, diz estudo

Um estudo da empresa norte-americana de tecnologia, IonQ, revelou que um computador quântico com 19.397 qubits físicos poderia atacar a criptografia do Bitcoin e levaria 25,7 dias para quebrar a segurança da rede e acessar carteiras privadas.

A criptografia do Bitcoin, chamada de secp256k1, utiliza curvas elípticas para proteger assinaturas com 256 bits. Em um ataque quântico, uma máquina poderia utilizar as informações de uma chave pública para tentar calcular a chave privada e produzir uma assinatura válida para uma transação.

Já os Qubits são unidades básicas de informação de computadores quânticos que funcionam como os bits de computador, mas em vez de assumirem valores de 0 e 1, eles podem ser 0, 1 ou os dois ao mesmo tempo.

Apesar da conclusão, a IonQ reforça que o resultado é teórico e ainda não existe um computador quântico capaz de executar um ataque desse tipo.

Possibilidade de ataque quântico ao bitcoin é real

Leonardo Maximiliano, cofundador e CEO da empresa brasileira de infraestrutura blockchain DSec Labs, diz que o estudo torna a discussão mais concreta e mostra que o chamado "Q-Day" (momento em que os computadores quânticos se tornam potentes o bastante para quebrar a criptografia da internet) não é algo que está tão longe assim de acontecer.

“A história da criptografia sempre foi uma corrida entre ataque e defesa", afirma Maximiliano. O executivo lembra que, no início, algumas transações do Bitcoin deixavam a chave pública exposta, algo que foi posteriormente corrigido com a possibilidade de proteger essa chave com um hash. Vale lembrar que o hash é um código matemático gerado por algoritmo que transforma qualquer quantidade de dados em uma sequência única de caracteres de tamanho fixo.

"Hoje, propostas como a BIP-360 avançam nessa direção, evitando a exposição prolongada da chave pública e preparando o caminho para soluções pós-quânticas. O estudo da IonQ mostra que a capacidade de ataque está avançando, mas não podemos comparar o ataque de amanhã apenas com as defesas de hoje", avalia.

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Risco maior é na hora de transacionar

O maior risco, segundo Maximiliano, está na hora em que o usuário faz uma transação. "Dependendo do tipo de endereço e da forma como os fundos são movimentados, gastar bitcoins pode revelar a chave pública associada àquela saída", explica.

"Em determinados modelos, enquanto os fundos permanecem sem movimentação, o que está publicamente disponível na rede é um hash ou outra representação derivada, adicionando uma barreira ao cenário de ataque que parte de uma chave pública já conhecida."

A IonQ, com base no estudo, recomendou que as organizações acelerem o inventário de seus sistemas criptográficos e planejem a migração para padrões resistentes a computadores quânticos. “Segurança não é escolher uma tecnologia e assumir que ela permanecerá segura para sempre. É ter capacidade de adaptação", diz Maximiliano.

AutorRicardo Bomfim
FonteExame
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