Comunicação sobre free flow ficou aquém do necessário, diz CEO da Ecorodovias

A tecnologia está assumindo um papel cada vez mais central nas rodovias brasileiras. Da implantação do Free Flow ao uso de inteligência artificial, drones e sistemas automatizados de monitoramento, as concessionárias têm acelerado investimentos para aumentar a eficiência operacional e melhorar a experiência dos usuários.
Para Marcello Guidotti, CEO da EcoRodovias, o avanço tecnológico é um caminho sem volta. O executivo afirma, por outro lado, que a experiência recente com o Free Flow mostrou que a adoção de novas ferramentas exige mais do que investimentos em infraestrutura.
"Aplicamos um plano de comunicação que ficou aquém do necessário. Eu não imaginava que pudesse existir alguma resistência a tamanha evolução. Mas estávamos despreparados", afirmou ao EXAME Infra.
No final de abril, 3,4 milhões de multas aplicadas em rodovias que operam com free flow foram suspensas. A decisão aconteceu em um momento polêmico para a nova tecnologia, que mobilizou diferentes atores na busca por soluções que evitem penalizações indevidas.
Segundo Guidotti, o modelo eletrônico representa uma evolução natural do sistema de cobrança nas rodovias, mas a adaptação dos motoristas tem exigido um esforço maior de esclarecimento por parte das concessionárias e do poder público.
"A operação já é quase 100% digital. O Free Flow faz parte deste movimento e veio para ficar, embora ainda exista o resquício das antigas praças de pedágio", disse.
Na avaliação do executivo, uma das próximas etapas para consolidar o sistema será ampliar a integração entre as diferentes plataformas de pagamento e cobrança. Na visão de Guidotti, o desafio é construir uma solução que facilite a vida de quem está dirigindo.
“Era dever do setor privado oferecer uma ferramenta segura: entrei, paguei, quitei. Interoperável e com custo zero. Nós, como setor privado, tínhamos que dar essa resposta e estamos conseguindo”, afirmou.
Tecnologia além do pedágio
As transformações também vão muito além da cobrança eletrônica. Segundo o executivo, as concessionárias vêm incorporando ferramentas que permitem monitorar as rodovias em tempo real e administrar o operacional.
Entre elas estão drones para inspeções e soluções apoiadas por inteligência artificial.
“O grande desafio para nós não é tanto incorporar essa tecnologia no modelo contratual brasileiro. Essas tecnologias já existem, não são inovações. O desafio é aplicá-las no ambiente operacional brasileiro, no tráfego brasileiro”, disse Guidotti.
A EcoRodovias também quer instalar em suas operações sistemas capazes de monitorar o peso de veículos em movimento, identificar excesso de velocidade e aprimorar a gestão do tráfego sem a necessidade de intervenções físicas constantes.
Para o CEO, a combinação entre digitalização e automação tende a redefinir a forma como as concessões serão operadas nos próximos anos.
"Quem não incorporar tecnologia vai perder eficiência. A rodovia do futuro será cada vez mais conectada, automatizada e inteligente", afirmou.
Na avaliação do executivo, o desafio agora não é apenas implantar novas ferramentas, mas garantir que elas sejam compreendidas e aceitas pelos usuários.
