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Sacre Investimentos
Economia
06/08/2026
4 min

Comunicado do Copom melhorou, mas foi ‘tímido’ ao tratar do fiscal, diz economista-chefe da ARX Investimentos

Apesar de o Comitê de Política Monetária (Copom) ter mantido a referência ao cenário fiscal no comunicado divulgado após a decisão de corte na taxa Selic, o economista-chefe da ARX Investimentos, Gabriel Barros, avalia que o Banco Central tem sido “tímido” ao abordar o tema. Na visão do economista, o texto repetiu praticamente a mesma […]

Comunicado do Copom melhorou, mas foi ‘tímido’ ao tratar do fiscal, diz economista-chefe da ARX Investimentos

Apesar de o Comitê de Política Monetária (Copom) ter mantido a referência ao cenário fiscal no comunicado divulgado após a decisão de corte na taxa Selic, o economista-chefe da ARX Investimentos, Gabriel Barros, avalia que o Banco Central tem sido “tímido” ao abordar o tema.

Na visão do economista, o texto repetiu praticamente a mesma avaliação apresentada nas decisões anteriores, sem aprofundar de que forma a política fiscal e os efeitos parafiscais têm influenciado a condução da política monetária.

“O Banco Central tem sido tímido ao falar sobre o peso do fiscal na política monetária”, afirmou Barros, em entrevista ao Money Times.

Para ele, embora seja compreensível que a autoridade monetária evite entrar em discussões que extrapolem seu mandato, haveria espaço para uma comunicação mais clara acerca dos impactos das contas públicas sobre o cenário de inflação e, consequentemente, sobre os juros.

A expectativa agora se volta para a ata da reunião, que será divulgada na próxima semana, na terça-feira (11). Segundo Barros, um dos principais pontos que merecem maior detalhamento é a avaliação do Banco Central sobre o hiato do produto — indicador que mede o grau de ociosidade da economia e ajuda a calibrar os riscos de pressão inflacionária.

Na avaliação do economista, entender melhor como o Copom enxerga esse indicador será importante para compreender os próximos passos da política monetária.

Ajuste fiscal segue no radar

Para Barros, o cenário fiscal continuará sendo um dos principais determinantes para a trajetória dos juros nos próximos anos.

Segundo ele, com as eleições presidenciais se aproximando, cresce a expectativa de que o debate sobre um ajuste das contas públicas ganhe força. O economista avalia que, hoje, o cenário considerado mais provável pelo mercado é o de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que torna ainda mais relevante entender qual será a estratégia fiscal adotada a partir de 2027.

Na avaliação dele, mais importante do que simplesmente anunciar um ajuste será verificar sua qualidade e credibilidade. “O ponto não é apenas fazer um ajuste fiscal, mas entender se ele será suficiente para melhorar a dinâmica das contas públicas e gerar confiança”, afirmou.

De olho no externo

Além da questão fiscal, Barros chamou atenção para uma mudança no primeiro parágrafo do comunicado do Copom. Diferentemente da decisão anterior, o Banco Central passou a destacar as consequências já materializadas dos conflitos no Oriente Médio sobre a política monetária das economias avançadas.

Na avaliação dele, os juros nos Estados Unidos continuam sendo um dos principais fatores de risco para países emergentes como o Brasil. A expectativa da ARX é que, caso o banco central americano volte a elevar os juros neste ano, o movimento seja mais limitado do que o projetado por parte do mercado.

Segundo Barros, um aumento da taxa americana reduziria o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos — fator importante para a atratividade dos ativos brasileiros. Com uma remuneração maior dos títulos americanos, parte dos investidores tende a direcionar recursos para os EUA, pressionando moedas de países emergentes.

Esse movimento pode levar à desvalorização do real frente ao dólar, encarecendo produtos importados e bens cotados na moeda americana. Como consequência, a inflação doméstica tende a ganhar força, o que dificulta o trabalho do Banco Central e pode limitar o espaço para cortes adicionais na Selic.

O economista também afirmou que, se o Fed voltar a subir os juros este ano, o ciclo de aperto monetário pode se estender para 2027.

Por outro lado, Barros destacou que uma eventual revisão na metodologia do índice de inflação preferido do Fed, o PCE pode contribuir para um cenário menos pressionado. Segundo ele, caso a mudança reduza a leitura da inflação e os indicadores continuem mostrando desaceleração dos preços, aumentam as chances de o banco central americano manter os juros estáveis por mais tempo.

Corte veio dentro do esperado

Barros também avaliou que a decisão do Copom no geral veio totalmente em linha com as expectativas da ARX Investimentos.

Segundo ele, além do corte de juros, o comunicado deixou espaço para uma nova redução na próxima reunião. A casa trabalha com uma Selic terminal de 13,75%, o que implica mais um corte de 0,25 p.p. na próxima decisão do Banco Central.

Para 2027, a projeção da gestora é de juros próximos de 12%, embora Barros reconheça que esse cenário ainda depende da evolução da inflação, do ambiente externo e, principalmente, da trajetória fiscal.

Na avaliação do economista, outro ponto positivo foi a comunicação do Banco Central.

Ele destacou que o comunicado ficou mais enxuto e de leitura mais simples, diferentemente do texto da reunião anterior, cuja comunicação chegou a ser reconhecida pelo próprio Banco Central como fonte de ruídos para o mercado.

AutorJuliana Caveiro
FonteMoney Times
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