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NegóciosMPOL
23/09/2026
6 min

Comunidade NEEX mostra como a IA está saindo do marketing e chegando ao caixa das empresas

Em encontro na sede da EXAME, empreendedores discutiram o uso de agentes de inteligência artificial em processos como cobrança, pagamentos e análise de dados financeiros.

Comunidade NEEX mostra como a IA está saindo do marketing e chegando ao caixa das empresas

A inteligência artificial já entrou na rotina de muitas empresas para criar textos, imagens e campanhas. O próximo passo discutido por empreendedores é levar a tecnologia para tarefas que ficam dentro da operação, como cobrança, contas a pagar e controle de caixa.

Esse foi um dos temas do primeiro café da manhã da Comunidade Negócios em Expansão, a rede criada pela EXAME para reunir empresas que participaram das cinco edições do ranking Negócios em Expansão, o NEEX, maior prêmio para empreendedores do Brasil.

O encontro foi realizado na sede da EXAME, em São Paulo, na terça-feira, 22 de setembro, com patrocínio do BTG Pactual Empresas, do mesmo grupo de controle da EXAME.

A criação da comunidade acontece no ano em que o NEEX completa cinco edições. Ao longo desse período, mais de 1.800 empresas participaram do ranking. A proposta da iniciativa é manter os empreendedores conectados durante o ano, com encontros, conteúdos e troca de experiências sobre desafios comuns de empresas em crescimento.

"A gente está vivendo um momento em que cada vez mais vamos ter equipes híbridas, com humanos e agentes de inteligência artificial", afirmou Marcos Sanchez, CTO da EXAME, durante a palestra sobre o uso da tecnologia na gestão das empresas.

O futuro discutido no encontro passa pela mudança de papel da inteligência artificial dentro das companhias. Em vez de apenas responder perguntas ou ajudar na criação de materiais, os chamados agentes de IA podem receber objetivos, acessar sistemas e executar tarefas seguindo regras definidas pelos gestores.

Marcos Sanchez, CTO da EXAME: "O empreendedor brasileiro adotou IA mais rápido que o americano. Só não adotou no caixa" (Eduardo Frazão/Exame)

Da criação de conteúdo para o financeiro

Segundo Sanchez, a adoção da inteligência artificial começou principalmente em áreas como marketing, onde empresas usam ferramentas para criar textos, imagens e campanhas. O próximo movimento é levar a tecnologia para processos financeiros, que ainda têm grande volume de tarefas manuais.

O executivo citou atividades como cobrança, contas a pagar, conciliação bancária e análise de caixa como exemplos de operações que podem receber agentes de inteligência artificial.

"O empreendedor brasileiro adotou IA mais rápido que o americano. Só não adotou no caixa", afirmou Sanchez.

Durante a apresentação, ele explicou que muitas empresas já usam ferramentas de inteligência artificial, mas ainda não conectaram a tecnologia aos processos internos. Segundo ele, os projetos costumam enfrentar problemas quando não existe definição de objetivos, métricas para medir resultados ou regras sobre o que a IA pode fazer.

O que muda com os agentes de IA

Marcos Sanchez apresentou uma divisão em três momentos da evolução da tecnologia. O primeiro foi a automação baseada em regras, em que sistemas executavam comandos pré-definidos. Depois vieram os assistentes de IA generativa, que conseguem entender contexto, criar textos e resumir informações, mas dependem de uma pessoa para decidir cada etapa.

A terceira fase é a dos agentes. Diferentemente dos assistentes, eles recebem uma meta e podem planejar ações para chegar ao resultado, usando ferramentas conectadas aos sistemas da empresa.

Na prática, um agente pode ler uma fatura recebida por e-mail, conferir informações do documento, comparar com contratos e preparar um pagamento. A aprovação final, porém, pode continuar com uma pessoa, dependendo das regras estabelecidas.

Os limites para uma IA com autonomia

A discussão sobre agentes também trouxe um ponto de controle. Sanchez explicou que empresas precisam criar limites antes de liberar uma inteligência artificial para executar tarefas.

Essas regras,chamadas de guardrails, definem até onde a IA pode atuar. Em uma operação financeira, por exemplo, um agente pode receber autorização para fazer pagamentos até determinado valor e enviar operações maiores para aprovação humana.

"O humano está dentro do processo, o humano está controlando, o humano está gerenciando a IA", afirmou Sanchez.

Antes de colocar um agente em uma operação real, o executivo explicou que as empresas precisam testar a tecnologia em ambientes controlados, chamados de sandbox. A comparação usada por ele foi a de um funcionário novo: antes de receber acesso a sistemas importantes, a pessoa precisa passar por treinamento e acompanhamento.

Leonardo Cirino, CMO da EXAME: o conhecimento acumulado pelo empreendedor sobre o próprio negócio é um dos principais elementos para orientar o uso da inteligência artificial (Eduardo Frazão/Exame)

O uso da IA na marca e no marketing

Leonardo Cirino, CMO da EXAME, abordou outro lado da adoção da inteligência artificial: como empresas podem usar a tecnologia para melhorar comunicação e marketing.

Segundo Cirino, o resultado da IA depende do contexto fornecido pelo usuário. Para ele, o conhecimento acumulado pelo empreendedor sobre o próprio negócio é um dos principais elementos para orientar a ferramenta.

"A qualidade depende do contexto. Qualidade de contexto é o que está na tua cabeça", afirmou Cirino.

Na visão apresentada por ele, a inteligência artificial pode ajudar empresas a analisar conversas em redes sociais, acompanhar movimentos de concorrentes e organizar informações para criar campanhas. Mas a ferramenta precisa receber dados sobre a marca, como identidade visual, linguagem e objetivos.

Um agente de cobrança como exemplo

Durante a palestra, Sanchez apresentou um caso de uso de um agente criado para recuperação de crédito. Segundo ele, a solução foi desenvolvida em Python e conectada ao WhatsApp Business.

O agente passou a lembrar clientes sobre pagamentos, interpretar respostas e conduzir etapas da cobrança dentro das regras definidas pela empresa. Sanchez afirmou que a implementação levou 12 semanas e aumentou em 400% a recuperação de crédito. Em dois meses, o agente recuperou 2 milhões de reais em valores atrasados, com 7% de interação humana.

O exemplo foi usado para mostrar uma mudança na aplicação da tecnologia: em vez de substituir pessoas em decisões importantes, a IA pode assumir tarefas repetitivas e encaminhar situações fora das regras para análise humana.

Comunidade NEEX terá encontros durante o ano

A Comunidade Negócios em Expansão começou com mais de 170 empresas em um grupo no WhatsApp. A participação é gratuita e restrita a companhias que fizeram parte das cinco edições do ranking NEEX.

Além do encontro sobre inteligência artificial, a iniciativa terá atividades presenciais e online ao longo do ano, com discussões sobre temas ligados aos desafios enfrentados por empreendedores em crescimento.

O que é o ranking Negócios em Expansão

O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).

O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.

Em 2026, a pesquisa avaliou as empresas que mais conseguiram expandir receitas ao longo de 2025.

São 491 empresas que criam produtos e soluções inovadoras, conquistam mercados e empregam milhares de brasileiros.

Conheça o hub do projeto, com os resultados completos do ranking e, também, a cobertura do evento de lançamento da edição 2026.

AutorLeo Branco
FonteExame
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