Confiança do consumidor no Brasil cai em julho com piora da percepção sobre o presente, diz FGV

A confiança dos consumidores brasileiros recuou pelo terceiro mês consecutivo em julho e chegou ao menor nível em quatro meses, com piora na percepção sobre o presente, mostraram dados da Fundação Getulio Vargas divulgados nesta segunda-feira.
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da FGV teve no mês queda de 0,4 ponto, indo a 88,3 pontos, menor nível desde março.
O Índice de Situação Atual (ISA) recuou 2,6 pontos, para 84,4 pontos, com piora principalmente da percepção sobre o orçamento financeiro das famílias.
“Entre as faixas de renda, os consumidores de menor renda tiveram maior participação na queda do indicador agregado”, explicou Anna Carolina Gouveia, economista do FGV IBRE.
Já o Índice de Expectativas (IE) subiu 1,1 ponto, para 91,5 pontos, após dois meses de quedas.
Gouveia destacou que, até o mês passado, a piora da confiança se dava pela deterioração das expectativas futuras, enquanto a percepção sobre o presente seguia em melhora.
“Embora ainda possa refletir uma calibragem dos resultados anteriores, a virada de chave observada neste mês pode sinalizar que o pessimismo em relação ao futuro começa a influenciar a avaliação atual dos consumidores, especialmente de sua situação financeira”, disse ela.
“O alto endividamento e inadimplência das famílias, junto a um contexto de juros fortemente restritivo, segue sendo o principal ponto de pressão do orçamento do consumidor, influenciando sua percepção sobre a economia”, completou.
A taxa básica de juros está atualmente em 14,25% ao ano e o Banco Central volta a se reunir na próxima semana para decidir sobre a política monetária.
