Conhecimento limitado de CFOs prejudica o crescimento das stablecoins, diz consultoria

Um estudo da consultoria Bain & Company afirmou que as stablecoins têm casos de uso interessantes e podem mudar materialmente a indústria em transações internacionais. Porém, a falta de conhecimento de diretores financeiros (CFOs) sobre este tipo de solução de pagamento dificulta uma adoção maior dos criptoativos.
De acordo com uma pesquisa da Bain com 80 executivos, mais de 50% dos CFOs têm conhecimento limitado sobre stablecoins, ao passo que somente 25% estudam essas aplicações em suas estratégias de pagamento ou têm projetos em andamento.
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Isso é particularmente problemático porque um dos maiores problemas dos CFOs é justamente algo que as stablecoins resolvem: pagamentos transfronteiriços. "O principal desafio dos CFOs na movimentação de capital está relacionado à complexidade das transações internacionais, apontado por 34% dos executivos”, diz o estudo.
Na avaliação da consultoria, essa cautela dos CFOs com meios de pagamento em criptoativos reflete preocupações com riscos regulatórios, questões operacionais e necessidade de integração com os sistemas financeiros atuais.
André Mello, sócio da Bain, afirmou em nota que um ambiente regulatório mais favorável deve trazer uma expansão acelerada das stablecoins nos próximos anos, com crescimento significativo no volume de ativos sob gestão.
Isso porque, para a consultoria, os casos de uso de stablecoins para remessas internacionais e acesso global ao dólar têm chance elevada de ganhar tração no curto prazo.
Por outro lado, a consultoria avalia que pagamentos entre em empresas em geografias com fricção, liquidação de transações e folhas de pagamento globais têm chance de tração apenas média. Pagamentos entre pessoas, micropagamentos e utilização de stablecoins como ativo para liquidez, por sua vez, são considerados casos com baixa chance de ganhar tração.
Crescimento de sete a 15 vezes
A Bain concorda com a projeção do banco Citi de que o volume de ativos sob administração em stablecoins crescerá de sete a 15 vezes nos próximos anos.
No relatório Citi GPS: Stablecoins, de 2026, o banco norte-americano estimou em seu cenário-base que o mercado de stablecoins deve crescer dos US$ 282 bilhões registrados em 2025 para US$ 1,9 trilhão até 2030. A projeção anterior da instituição financeira era de crescimento a US$ 1,6 trilhão no final da década. No cenário otimista, as stablecoins avançariam para US$ 4 trilhões e, no pessimista, chegariam a US$ 900 bilhões.
A expectativa reflete a integração deste tipo de criptoativo à oferta de grandes players, tais quais as bandeiras de cartões, e um ambiente regulatório mais favorável, principalmente depois da sanção da lei “Genius Act”, que regulamenta essas moedas digitais nos Estados Unidos.
Mais eficientes do que sistemas tradicionais
Stablecoins são criptomoedas cujo preço está sempre atrelado ao de alguma moeda tradicional soberana, como o dólar, na paridade de 1:1. Essa estabilidade da cotação em relação à divisa de referência se dá porque a empresa emissora mantém reservas naquela moeda, de modo que cada criptoativo corresponde, por exemplo, a US$ 1 que ela tem em caixa no mundo real.
A Bain destaca que a oferta deste tipo de moeda digital aumentou de US$ 2 bilhões em 2019 para US$ 206 bilhões em 2025, enquanto as transações com stablecoins chegaram a US$ 33 trilhões no ano passado.
“O avanço ocorre em um contexto em que sistemas tradicionais de pagamentos transfronteiriços enfrentam limitações estruturais importantes”, afirma a Bain. “Transferências internacionais ainda dependem de múltiplos intermediários, operam em janelas de liquidação prolongadas e apresentam custos elevados, além de baixa transparência ao longo do processo.”
Enquanto isso, a consultoria aponta que as stablecoins oferecem liquidação quase instantânea, redução significativa de custos e maior rastreabilidade de transações. Além disso, a Bain destaca a programabilidade das stablecoins como algo muito útil para automatizar transações.
