Conselho da Hugo Boss vê oferta de 2 bilhões de euros do Frasers como insuficiente

O conselho de supervisão da Hugo Boss orientou os acionistas a rejeitarem a oferta de aquisição feita pelo Frasers Group, avaliando que a proposta não reflete o valor da companhia nem seu potencial de crescimento no longo prazo.
Em comunicado divulgado nesta quinta-feira, 9, a grife alemã informou quea oferta de 38 euros por ação, apresentada em junho, equivale ao valor mínimo exigido pela legislação alemã para esse tipo de operação. A avaliação, segundo a empresa, foi respaldada por pareceres independentes do Bank of America (BofA) e do Goldman Sachs.
"O preço ofertado é financeiramente inadequado e não representa de forma justa o valor da Hugo Boss e suas perspectivas futuras", afirmou o presidente do conselho de supervisão, Stephan Sturm. O executivo também destacou que o plano de reestruturação conduzido pelo CEO, Daniel Grieder, tem potencial para gerar um retorno mais elevado aos investidores.
A empresa informou ainda que os integrantes do conselho que possuemações da Hugo Boss não pretendem aderir à oferta do grupo britânico.
O comunicado ressalta que o valor proposto está abaixo dos preços pagos pelo próprio Grieder em compras de ações desde que assumiu o comando da companhia. Em janeiro de 2023, o executivo adquiriu papéis por um preço médio de 56 euros por ação e, um ano depois, fez nova compra por pouco menos de 59 euros por papel, de acordo com informações da Bloomberg.
Frasers ofereceu cerca de 2 bilhões de euros pela participação restante da Hugo Boss
Na avaliação da Hugo Boss, a proposta do Frasers Group parece ter como principal objetivo ampliar sua participação acionária para acima de 30%, sem apresentar um plano de mudanças estratégicas ou operacionais para a empresa. Atualmente, o conglomerado britânico já detém cerca de 26% das ações e é o maior acionista da companhia.
O Frasers ofereceu cerca de 2 bilhões de euros pela participação restante da Hugo Boss, mas preferiu não comentar a decisão do conselho.
Controlado pelo empresário Mike Ashley, o Frasers Group mantém uma relação comercial de longa data com a Hugo Boss, vendendo produtos da marca em suas lojas físicas e plataformas digitais.
Desde o ano passado, o CEO do Frasers, Michael Murray, também integra o conselho de supervisão da grife alemã. Segundo a empresa, ele não participou da análise nem da deliberação sobre a oferta para evitar conflitos de interesse.
Ações dispararam após gigante britânica propor aquisição da grife
No dia da divulgação do anúncio, em 11 de junho, as ações da fabricante de roupas de luxo chegaram a avançar 8% sendo negociadas perto de 39,78 euros; acima, inclusive, do valor proposto pelo grupo. A Frasers já detém cerca de 26% da Hugo Boss, mas ofereceu 38 euros por ação, em dinheiro, para adquirir o restante da empresa.
A tentativa de aquisição ocorre em meio à estratégia de expansão da Frasers, que nos últimos anos ampliou sua presença no varejo por meio de investimentos e participações em diversas empresas. O grupo controla marcas como Sports Direct e House of Fraser, além de possuir fatias em companhias como Asos e Currys.
Analista da Shore Capital, David Hughes diz que a operação faz sentido dentro do esforço da Frasers para fortalecer sua presença no segmento premium.
A incorporação da Hugo Boss daria ao grupo acesso direto ao mercado de moda masculina de alto padrão, além de ampliar seu controle sobre a distribuição e o posicionamento da marca. a"Enxergamos isso como uma oportunidade de adquirir uma marca estrategicamente relevante para a Frasers a um preço atrativo", segundo Hughes.
(*) Com informações da Bloomberg
