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BrasilMPOL
13/10/2026
4 min

Conservadorismo cresce no Brasil e atinge maior nível desde 2018

Segundo pesquisa Ipsos-Ipec, a proporção de brasileiros que se encaixa no grupo de "alto" grau de conservadorismo em costumes cresceu 6 pontos percentuais entre 2025 e 2026, passando de 49% para 55%

Conservadorismo cresce no Brasil e atinge maior nível desde 2018
RESUMO +

O conservadorismo nos costumes aumentou no Brasil em 2026, segundo pesquisa Ipsos-Ipec. O índice passou de 0,652 para 0,680, aproximando-se dos maiores patamares da série histórica. A parcela de brasileiros classificados com alto grau de conservadorismo subiu de 49% para 55%. O levantamento aponta maior apoio à prisão perpétua, à redução da maioridade penal e à pena de morte, enquanto o casamento entre pessoas do mesmo sexo divide opiniões.


O brasileiro está mais conservador do que nos últimos anos, segundo a nova edição do Índice de Conservadorismo de Costumes da Ipsos-Ipec. A pesquisa mede a percepção dos entrevistados às pautas de costumes e valores morais no país, investigando o posicionamento da população sobre legalização do aborto, pena de morte, redução da maioridade penal, casamento entre pessoas do mesmo sexo e prisão perpétua.

Na atual publicação, o indicador atingiu a marca de 0,680 em uma escala que varia de 0 (totalmente progressista) a 1 (totalmente conservador). O resultado representa um avanço do conservadorismo em relação a 2025, quando o indicador registrou 0,652, e aproxima-se dos patamares observados em 2016 (0,686) e 2018 (0,689), os mais elevados da série histórica.

A pesquisa aponta que a proporção de brasileiros que se encaixa no grupo de "alto" grau de conservadorismo em costumes cresceu 6 pontos percentuais entre 2025 e 2026, passando de 49% para 55%.

Pautas de costumes

A pauta que desperta maior nível de conservadorismo é a legalização do abordo. Neste ano, apenas 17% dos brasileiros se declaram favoráveis à medida, contra 74% que são veementemente contrários, um consenso praticamente inalterado em relação aos últimos levantamentos.

O apoio à prisão perpétua para crimes hediondos cresceu de 72% no ano passado para 78% neste levantamento. Os que se dizem contrários à medida caíram de 21% para 16%.

A redução da maioridade penal também recebeu mais adeptos, com crescimento de 6 pontos percentuais e chegando a 71%. Os que se declaram contra a proposta caíram 5 pontos percentuais, indo de 28% a 23% em um ano.

Já a pena de morte costuma dividir opiniões, com uma maioria que alterna ano mais progressista e ano mais conservador. Desta vez, ganhou uma maioria conservadora a favor da pena de morte (52%). Ao todo, 40% dos entrevistados se dizem contrários à política, após uma queda de 9 pontos.

A pauta do casamento homossexual encontrou um ponto de igualdade, com conservadores e progressistas sendo 41% cada. Os que se dizem contra a união entre pessoas do mesmo sexo caíram 6 pontos, enquanto os que se dizem a favor subiram 3 pontos.

Sobre a flexibilização e porte de armas de fogo, uma maioria frágil se diz contra, sendo 51% contra a flexibilização e 58% contra o porte. Ambos os índices registraram queda de 3 pontos percentuais.

Quem ficou mais conservador?

Segundo o levantamento, a expansão do conservadorismo foi uniforme, mas há grupos entre os quais seu crescimento foi mais expressivo. Os brasileiros de 25 a 34 anos registram a maior alta entre as faixas etárias, de 0,643 em 2025 para 0,696 em 2026, uma variação de 0,053.

Após figurarem entre os segmentos que mais contribuíram para a redução do índice em 2025, as mulheres estão mais conservadoras e registraram aumento neste ano, passando de 0,619 para 0,650, um crescimento de 0,031.

Pessoas com renda familiar superior a 5 salários mínimos representam o estrato de renda com maior variação de um ano para o outro, indo de 0,665 para 0,708, uma alta de 0,043, alcançando o patamar mais elevado da série histórica.

No quesito regional, moradores das regiões Norte e Centro-Oeste apresentam o maior avanço regional e a maior variação entre todos os segmentos analisados na pesquisa, com o índice indo de 0,643 para 0,710, um crescimento de 0,067. A região Sudeste é a única com recuo, passando de 0,669 para 0,659.

A Ipsos-Ipec ouviu 2 mil brasileiros distribuídos em 130 municípios entre os dias 9 e 13 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.


AutorLetícia Cassiano
FonteExame
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