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EmpresasACS
15/10/2026
5 min

Construtoras caem na bolsa após prévias ‘fracas’ do 3T26; veja o que dizem analistas

Negociadas fora do índice Ibovespa, as ações de Melnick e Even operam em queda nesta quinta-feira (15), um dia após as duas incorporadoras divulgarem suas prévias operacionais do terceiro trimestre de 2026 (3T26). Entre analistas, a avaliação predominante é de que os números vieram “fracos”. Por volta das 13h50 (de Brasília), os papéis MELK3 e […]

Construtoras caem na bolsa após prévias ‘fracas’ do 3T26; veja o que dizem analistas

Negociadas fora do índice Ibovespa, as ações de Melnicke Even operam em queda nesta quinta-feira (15), um dia após as duas incorporadoras divulgarem suas prévias operacionais do terceiro trimestre de 2026 (3T26). Entre analistas, a avaliação predominante é de que os números vieram “fracos”.

Por volta das 13h50 (de Brasília), os papéis MELK3e EVEN3recuavam 6% e 2%, respectivamente, cotados a R$ 3,18 e R$ 5,76, em um dia também negativo para o mercado de renda variável.

No mesmo horário, o IMOB, indicador que acompanha o desempenho das ações mais negociadas do setor imobiliário brasileiro, perdia 0,40%, aos 1.603 pontos. Acompanhe aqui o movimento em tempo real.

O 3T26 da Even

Entre julho e setembro, a Even lançou dois projetos que totalizaram R$ 590 milhões em Valor Geral de Vendas (VGV), bem abaixo dos R$ 1,45 bilhão registrados no mesmo período de 2025.

As vendas líquidas da construtora, por sua vez, somaram R$ 268 milhões, sendo R$ 185 milhões referentes ao percentual da companhia, o que representa queda de 77% em relação a igual intervalo do ano passado.

Já a velocidade de comercialização, medida pelo índice de venda sobre oferta (VSO), ficou em 5% no 3T26, contra 19% no 3T25.

A Even informou ainda que os distratos entre julho e setembro totalizaram cerca de R$ 74 milhões, ante R$ 73 milhões um ano antes.

Para analistas do Bradesco BBI, a construtora apresentou um trimestre “fraco”, com forte dependência da venda de estoques, que representaram 89% do total comercializado no período, em um cenário de absorção lenta das unidades.

Na avaliação do banco, a VSO consolidada de apenas 5% evidenciou a dificuldade de comercialização dos projetos, enquanto os distratos líquidos representaram 24% das vendas brutas.

“Os resultados operacionais fracos e a lenta absorção de estoques reforçam o cenário desafiador para o segmento de média e alta renda, foco da Even, o que pode levar a novos adiamentos de lançamentos. Sem catalisadores de curto prazo, mantemos nossa recomendação neutra para os papéis”, afirmou o BBI.

Na mesma linha, o BTG Pactual avaliou que a construtora apresentou resultados negativos devido ao baixo desempenho das vendas tanto nos novos lançamentos quanto nas unidades em estoque.

Segundo o banco, dos dois projetos residenciais de altíssimo padrão lançados pela incorporadora no 3T26, apenas 9% das unidades foram vendidas durante o trimestre.

“Em nossa opinião, os resultados foram fracos, pois as vendas tanto dos lançamentos quanto das unidades em estoque foram baixas, com taxas de comercialização de 9% e 5%, respectivamente”, disse o BTG.

“Apesar de negociar com múltiplos descontados, de 0,6 vez o patrimônio (P/VP), mantemos nossa recomendação neutra para a Even, pois acreditamos que os níveis de estoque estão altos e o ritmo de crescimento dos lucros deve permanecer fraco”, acrescentou.

O 3T26 da Melnick

Para a incorporadora gaúcha Melnick, que já formou uma joint venture (parceria) com a Even no passado, analistas também classificaram o 3T26 como “fraco”.

Entre julho e setembro, a companhia registrou vendas líquidas de R$ 91,2 milhões, abaixo dos R$ 147,4 milhões contabilizados no mesmo período de 2025.

As vendas brutas somaram R$ 116 milhões, queda de 33% na comparação anual, enquanto os cancelamentos totalizaram R$ 24 milhões, praticamente estáveis na mesma base.

Já os lançamentos atribuíveis à participação da companhia chegaram a R$ 23 milhões em VGV, ante R$ 119 milhões no 3T25.

De acordo com o BTG, a Melnick apresentou resultados pressionados principalmente pela dificuldade de comercialização das unidades em estoque. Segundo a instituição, a VSO ficou em apenas 6%, ante 10% um ano antes.

O banco afirmou, porém, esperar uma retomada dos lançamentos da companhia nos segmentos de média e alta renda e de habitação popular no próximo trimestre. Ainda assim, manteve recomendação neutra para os papéis.

“Os números operacionais foram fracos, pois a Melnick lançou apenas um projeto e a velocidade de vendas foi baixa, refletindo um ambiente mais difícil para vender estoques. Apesar de negociar com desconto, a 0,65 vez o patrimônio (P/VP), mantemos nossa classificação neutra, pois os lucros podem sofrer pressão no curto prazo”, disse o BTG.

Em linha semelhante, o Itaú BBA avaliou que a incorporadora gaúcha apresentou resultados operacionais ruins no 3T26, com lançamentos abaixo das expectativas, refletindo o ambiente ainda desafiador para o segmento de média e alta renda.

O banco também destacou, de maneira negativa, a desaceleração do ritmo de vendas, que passou de 7% no 2T26 para 6% no 3T26, ante 10% no mesmo período do ano passado.

Segundo o BBA, a Melnick lançou apenas um empreendimento de loteamento no trimestre, com VGV de R$ 122 milhões. Desse total, R$ 23 milhões correspondiam à participação da companhia, resultado 81% inferior ao registrado um ano antes e 92% abaixo das estimativas.

Como ponto positivo, a casa apontou que o empreendimento apresentou boas vendas ainda no trimestre, de 47%.

“A Melnick teve resultados fracos, com lançamentos abaixo das expectativas e uma relação vendas sobre oferta de apenas 6%, refletindo o ambiente ainda desafiador para o segmento de renda média e alta”, afirmou o Itaú.

“Embora vejamos potencial de valorização com uma perspectiva de juros mais favorável e apesar de as ações serem negociadas com desconto de 0,6 vez o patrimônio (P/VP), mantemos nossa recomendação market perform (neutra)”, acrescentou.

AutorIgor Grecco
FonteMoney Times
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