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InvestMercados
12/09/2026
3 min

Consul e Brastemp: como marcas brasileiras viraram propriedade de uma multinacional

Brastemp e Consul nasceram no Brasil, mas hoje pertencem a uma gigante americana de eletrodomésticos

Consul e Brastemp: como marcas brasileiras viraram propriedade de uma multinacional

Se você cresceu no Brasil, é provável que já tenha ouvido alguém dizer que precisa comprar uma Brastemp ou que tenha visto uma Consul na cozinha de casa. Ou que algo mediano "não é assim, uma Brastemp", conforme o bordão que a publicidade criou. As duas marcas fazem parte do vocabulário brasileiro, mas o que nem todo mundo sabe é que, desde os anos 1990, elas pertencem à americana Whirlpool, uma das maiores fabricantes de eletrodomésticos do mundo.

A história dessa mudança começa antes de a multinacional americana entrar em cena. Brastemp e Consul eram negócios brasileiros que, com o avanço da indústria de eletrodomésticos, acabaram sendo reunidos sob uma mesma estrutura.

Em 1994, Brastemp se tornou uma companhia de capital aberto e mudou sua razão social para Multibrás, incorporando os negócios da marca Consul e dando origem à maior fabricante de eletrodomésticos da América Latina à época, segundo documentos corporativos arquivados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Três anos depois, a Whirlpool comprou o controle da Multibrás e passou a comandar as operações brasileiras. As marcas, no entanto, não desapareceram. Para o consumidor, continuaram sendo Brastemp e Consul. Para a nova controladora, passaram a fazer parte de uma estrutura muito maior em diferentes países.

Por que a Whirlpool manteve as marcas

A aquisição não era apenas uma forma de colocar mais uma empresa no portfólio, a Whirlpool estava comprando acesso a um mercado grande e, principalmente, a marcas que já tinham reconhecimento entre os consumidores brasileiros.

Esse modelo ajuda a explicar por que grandes multinacionais não necessariamente substituem marcas locais depois de uma aquisição, pois construir uma do zero custa tempo e dinheiro, enquanto manter a que já está presente na casa dos consumidores pode ser mais vantajoso.

Hoje, a Brastemp e a Consul continuam entre as principais marcas da operação do país. A Whirlpool também mantém fábricas e operações de pesquisa e desenvolvimento no Brasil. E os investimentos recentes mostram que a empresa continua enxergando espaço para ampliar a produção brasileira.

Uma fábrica brasileira para uma operação regional

O exemplo mais recente está em Rio Claro, no interior de São Paulo. A Whirlpool anunciou mais de R$ 300 milhões para ampliar a fábrica e transferir para o Brasil a produção de máquinas de lavar com abertura frontal que antes era feita na Argentina.

A nova estrutura deve contar com mais de 20 robôs industriais e usar cerca de 95% de componentes produzidos no Brasil, de acordo com a empresa. A ideia é reduzir a dependência de peças importadas e deixar a operação menos exposta a variações cambiais e problemas logísticos.

A expansão também deve aumentar o peso de Rio Claro na estratégia industrial da Whirlpool na região. A empresa estima a criação de 2.800 empregos diretos e indiretos, e as primeiras lavadoras produzidas na nova linha estão previstas para sair da fábrica em setembro deste ano.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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