Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
Mercados
14/08/2026
3 min

Consultoria gringa recomenda fugir de bolsa — e culpa é do governo Lula; só um investimento vale a pena

Em meio ao forte pessimismo que tomou conta do mercado brasileiro, com gringos batendo em retirada, o Brasil ganhou mais um detrator: a BCA Research. Em duro relatório, os analistas que assinam o documento são claros ao dizer que o melhor é evitar o país. A casa rebaixou a recomendação para a bolsa brasileira de […]

Consultoria gringa recomenda fugir de bolsa — e culpa é do governo Lula; só um investimento vale a pena

Em meio ao forte pessimismo que tomou conta do mercado brasileiro, com gringos batendo em retirada, o Brasil ganhou mais um detrator: a BCA Research. Em duro relatório, os analistas que assinam o documento são claros ao dizer que o melhor é evitar o país.

A casa rebaixou a recomendação para a bolsa brasileira de neutra para venda. Porém, manteve a recomendação para CDBs brasileiros de cinco anos como uma operação de curto prazo.

Segundo os analistas Max Malak e Arthur Budaghyan, o Brasil está desequilibrado, com o consumo mais alto que os investimentos, enquanto a oferta está estagnada.

Ainda segundo o relatório, a resiliência vista na economia, com o desemprego em queda, é fruto da política fiscal ou, em bom português, dos gastos do governo.

“A generosidade fiscal agrava a sustentabilidade da dívida pública e alimenta a inflação”, destaca. A BCA critica ainda os cortes das taxas de juros.

Nas quatro últimas reuniões, o Copom cortou os juros em 0,25 ponto percentual, que passaram de 15% para 14%.

“Os cortes nas taxas de juros dos bancos centrais são motivados politicamente – cortando mesmo quando há restrições fiscais.”

Ainda segundo os analistas, a política monetária se torna mais frouxa, mas a inflação permanece alta. O último IPCA, de julho de 2026, subiu 0,07% no mês e acumulou alta de 4,44% em 12 meses.

Governo coloca o pé no acelerador – e isso é um problema

Para a BCA, a solução para os problemas do Brasil seriam reformas estruturais que aumentassem a produtividade, combinadas com corte de gastos e uma flexibilização monetária considerável.

Porém, o que se viu foi o contrário: gastança. “As reformas estruturais não foram implementadas e as taxas de juros permanecem elevadas. Consequentemente, o investimento de capital está estagnado”.

Na verdade, diz o relatório, o governo aumentou novamente seus gastos antes das eleições, com medidas de estímulo que beneficiaram consumidores em vez de investimentos.

“Essa generosidade fiscal, que está impulsionando o consumo, ocorre em um momento em que a dívida pública já se encontra em uma trajetória insustentável.”

Para a BCA, diante desse cenário, a demanda vai superar a oferta e a inflação vai subir. Com isso, os rendimentos dos títulos locais subirão, piorando a dinâmica da dívida pública do país.

“Um prêmio de risco mais elevado pressionará a moeda, reforçando a onda de vendas de títulos e ações.”

Eleições com favorito

Para a BCA, o favoritismo de Lula se fortaleceu e o resultado confirmará a trajetória de deterioração da situação fiscal brasileira. Além disso, trará “um acerto de contas aos mercados financeiros”.

Entre os argumentos para o favoritismo está a taxa de desemprego, em 5,4%, que permanece próxima de sua mínima em 14 anos.

Já Flávio Bolsonaro desperdiçou uma vantagem inicial nesta campanha eleitoral. Sua campanha enfrenta atualmente uma série de obstáculos:

  • Envolvimento no escândalo de fraude financeira multimilionária do “Banco Master”, após a divulgação de gravações em que Flávio solicitava fundos;
  • uma briga pública com sua madrasta, Michelle Bolsonaro, que lhe custa o apoio dos eleitores evangélicos e das mulheres;
  • a interferência de Trump na corrida presidencial brasileira em favor de Bolsonaro está tendo o efeito oposto – aumentando o apoio a Lula.

Por sua vez, o Centrão manterá influência sobre o orçamento, independentemente de quem vencer a Presidência.

Ainda segundo a BCA, o Centrão vai forçar a continuidade dos gastos fiscais.

Em julho, o Senado, dominado pelo Centrão, aprovou um pacote estimado em até R$ 220 bilhões, com benefícios fiscais direcionados a aposentadorias, salários e alívio da dívida, sem, no entanto, definir a fonte de financiamento.

AutorRenan Dantas
FonteMoney Times
Distribuído por