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InvestMercados
05/09/2026
5 min

Consumo de roupa íntima cresce com efeito Mounjaro e ação da Victoria's Secret dispara 195%

Companhia ganha clientes, amplia participação de mercado e prepara famoso desfile com modelos

Consumo de roupa íntima cresce com efeito Mounjaro e ação da Victoria's Secret dispara 195%

Com a popularização das "canetas para emagrecer" e de outras alternativas de remédios contra a obesidade, muitos consumidores já comentam sobre o culto excessivo à magreza. A cantora Ariana Grande foi uma das que, recentemente, anunciou uma pausa na carreira após sofrer uma onda de comentários sobre o seu corpo.

Outros nomes como Kelly Osbourne, Lily Collins e Demi Moore também têm sido alvos de debates sobre o mesmo tema. Homens, por outro lado, não costumam sofrer da mesma pressão estética, a qual durante anos levou modelos a buscarem dietas, especialmente as que trabalhavam nos famosos desfiles da Victoria's Secret.

A marca ficou conhecida por seus eventos grandiosos, com lingeries, música e asas como as de "um anjo", em que modelos de corpos magros desfilavam com segurança nas passarelas, conhecidas como "angels" (anjos, na tradução do inglês), incluindo as brasileiras Gisele Bündchen, Alessandra Ambrósio e Adriana Lima.

Do body positive de volta ao corpo magro

Anos depois, antes das canetas emagrecedoras atingirem com força o mercado de consumo, o movimento "body positive" deu espaço a corpos diversos e gordos, mostrando que a beleza não estava resumida à falta de peso. A própria Victoria's Secret passou a abranger esta cultura após críticas.

Só que, especialmente neste ano, houve uma mudança em relação à popularização dos medicamentos a base de GLP-1. Muitas pessoas passaram a adotá-los, mais produtos desse tipo chegaram ao mercado, até mesmo em comprimidos, e o corpo magro voltou a ocupar o lugar usual na indústria da moda.

Victoria's Secret surfa na retomada da magreza

Em 2026, os indicadores da Victoria's Secret parecem refletir o movimento. As vendas líquidas aumentaram 10% no segundo trimestre, para US$ 1,61 bilhão, próximo ao limite superior da projeção da marca. "Continuamos a nos beneficiar de vendas mais fortes", disse o comunicado dos resultados.

A empresa, inclusive, elevou as projeções anuais de vendas líquidas e do lucro operacional ajustado, "diante do forte desempenho no primeiro semestre e da dinâmica favorável ao entrarmos na segunda metade do ano."

Ações da Victoria's Secret valorizam 192%

As ações (VSXY) também mostraram avanço, com os papéis negociados em Nova York subindo 39,49% no ano e quase 195% nos últimos 12 meses, considerando o fechamento das ações nesta sexta-feira, 4, quando elas subiram 2,61%, a US$ 75,56.

A varejista é especializada em "coleções modernas" de sutiãs, calcinhas, lingeries, rupas de dormir, vestuário, moda esportiva e moda praia, além de body splashs (tipo de colônia perfumada) e produtos de cuidados corporais. Ela informa buscar "inspirar confiança, despertar alegria e celebrar a sensualidade."

Atualmente, conta com uma rede global de, aproximadamente, 1.430 lojas em cerca de 70 países.

Marca ganha mais clientes e participação

A CEO da VS&Co, Hillary Super, destacou que a base de clientes cresce e que a companhia tem ganhado participação de mercado. "Enxergamos oportunidades significativas pela frente e estamos intensificando os investimentos naquilo que está dando certo", pontuou na divulgação do balanço ontem, 3.

"Estamos ampliando nossos investimentos estratégicos em marketing para expandir nosso alcance, aprofundar a conexão com os clientes e capitalizar o forte interesse e engajamento que estamos gerando em torno da marca", acrescentou Super.

A marca disse olhar para a inovação dos produtos, das parcerias e das campanhas com conexão emocional, bem como "uma edição ainda maior e melhor do (desfile) Victoria's Secret Fashion Show e ações especiais para as festas de fim de ano", conforme a executiva.

Por dentro dos últimos números da VS&Co

O lucro operacional chegou a US$ 257 milhões, contra US$ 41 milhões um ano antes. Já o lucro líquido saltou de US$ 16 milhões para US$ 183 milhões, enquanto o lucro por ação passou de US$ 0,20 para US$ 2,18. As vendas comparáveis, que consideram lojas e operações com histórico equivalente, avançaram 9%.

Na conta ajustada, que exclui efeitos considerados extraordinários, o lucro operacional foi de US$ 124 milhões, acima da faixa de US$ 90 milhões a US$ 100 milhões projetada anteriormente pela companhia. O resultado também superou os US$ 55 milhões registrados no segundo trimestre de 2025.

O lucro líquido ajustado ficou em US$ 80 milhões ou US$ 0,95 por ação, também acima da previsão anterior de US$ 0,65 a US$ 0,75 por ação. Em igual período do ano passado, o lucro líquido ajustado havia sido de US$ 27 milhões ou US$ 0,33 por ação.

Diante do desempenho no primeiro semestre, a Victoria's Secret elevou as projeções para o ano fiscal de 2026. Agora, espera vendas líquidas entre US$ 7,10 bilhões e US$ 7,18 bilhões, ante a faixa anterior de US$ 7,03 bilhões a US$ 7,13 bilhões.

Para o lucro operacional ajustado, a previsão passou de US$ 550 milhões a US$ 580 milhões para US$ 560 milhões a US$ 590 milhões. Em 2025, a companhia havia registrado US$ 6,55 bilhões em vendas e US$ 403 milhões de lucro operacional ajustado.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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