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InvestMercados
27/06/2026
3 min

Convênios médicos dos EUA cortam tratamentos com GLP-1

Convênios médicos dos EUA cortam tratamentos com GLP-1

O que começou como um dos benefícios corporativos mais cobiçados do mercado de trabalho norte-americano está se transformando em um pesadelo orçamentário para as empresas. O forte aumento na demanda por medicamentos da classe GLP-1 para perda de peso — como injeções Wegovy e Zepbound, além das novas versões em pílulas lançadas recentemente — inflou os custos de saúde a ponto de levar grandes companhias nos Estados Unidos a cortar ou restringir severamente o acesso aos tratamentos.

Com cerca de um em cada oito adultos nos Estados Unidos utilizando esses medicamentos, companhias de peso como Cigna e PricewaterhouseCoopers (PwC) decidiram retirar a cobertura para obesidade de seus planos de saúde. Já a gigante hospitalar HCA Healthcare cancelou o benefício para emagrecimento após registrar uma explosão de 90% no uso de GLP-1 em sua folha de assistência médica no ano passado.

A seguradora Blue Cross Blue Shield of Massachusetts também retirou a cobertura de suas apólices padrão, estimando que o gasto anual com esses remédios dobraria para quase US$ 1 bilhão se nenhuma trava fosse aplicada.

O efeito colateral das pílulas de emagrecimento

As discussões ganharam um novo capítulo após a Novo Nordisk lançar a versão em comprimido do Wegovy, em janeiro, e a Eli Lilly iniciar os envios da pílula Foundayo, em abril. O mercado esperava que as opções orais trouxessem um alívio financeiro, mas os preços definidos para os planos de seguro corporativos ficaram praticamente equivalentes aos das injeções, cujos valores de tabela oscilam entre US$ 1.000 e US$ 1.350 mensais.

A chegada dos comprimidos acabou gerando o efeito inverso na gestão de custos. Uma pesquisa da Business Group on Health revelou que 87% dos empregadores preveem que a maior conveniência das pílulas vai inflar ainda mais a procura pelos medicamentos, enquanto apenas 9% acreditam em uma queda de preços no curto prazo. Além disso, dados clínicos apontam que os comprimidos são menos eficazes para a redução de peso do que as injeções tradicionais, o que tem feito muitas empresas avaliarem se vale a pena incluí-los na lista de remédios cobertos.

Barreiras rigorosas e o dilema do retorno

Para não eliminar o benefício por completo — visto que 30% dos trabalhadores afirmam que mudariam de emprego para garantir acesso aos emagrecedores —, muitas corporações optaram por criar barreiras administrativas. Companhias como a Chevron passaram a exigir que o funcionário passe por pesagens obrigatórias recorrentes, registre refeições em aplicativos ou participe de sessões de mentoria de saúde online para manter o subsídio. Outras empresas elevaram o critério de Índice de Massa Corporal (IMC) elegível de 30 para 35 ou restringiram a cobertura apenas a pacientes diagnosticados com diabetes.

O principal receio dos empregadores é o alto custo imediato somado ao risco de abandono do tratamento antes que os retornos financeiros de longo prazo — como a prevenção de problemas cardíacos ou internações — se concretizem. "Muitas empresas estão registrando altas de dois dígitos nos gastos médicos e farmacêuticos. É muito difícil construir um orçamento equilibrado, dar os aumentos salariais exigidos pela inflação e manter um negócio lucrativo desse jeito", explicou Jeff Levin-Scherz, diretor sênior da consultoria WTW.

AutorDa Redação
FonteExame
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