Copa do Mundo: destaque do balanço de Ambev deve ser cerveja no Brasil, diz BBA

A Ambev se prepara para divulgar seus resultados do segundo trimestre de 2026 em meio a uma janela atípica, em que o impacto da Copa do Mundo sobre o consumo deve ser decisivo para calibrar as expectativas do ano.
Segundo projeções do Itaú BBA, a companhia deve reportar Ebitda consolidado de R$ 6,5 bilhões, alinhado com o consenso do mercado. O destaque deve ficar para o segmento de cervejas no Brasil, que deve registrar crescimento de 8% no volume anual, impulsionado pela competição internacional, consumo relacionado ao torneio e uma base de comparação favorável.
Apesar das perspectivas positivas, os analistas do Itaú BBA destacam que o mercado já precificou uma performance sólida. “As expectativas para o trimestre estão elevadas, especialmente pelo efeito da Copa, mas a visibilidade sobre o consumo real permanece limitada”, avalia o relatório.
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A companhia, que historicamente supera a indústria, precisa demonstrar que o desempenho atual reflete ganhos estruturais e não apenas efeitos temporários de eventos pontuais ou ajustes de gestão.
No segmento de bebidas não alcoólicas (NAB) e nos mercados internacionais, as tendências permanecem mais desafiadoras.
Na América Latina, o consumo sofre com inflação persistente e tensões sociais, enquanto na América do Norte e Canadá os volumes devem permanecer pressionados, mesmo com algumas partidas da Copa. No acumulado, espera-se crescimento modesto de 5% na receita líquida de NAB, com expansão de 330 pontos-base na margem EBITDA em relação ao ano anterior, principalmente devido à redução de custos de produção e ajustes na operação.
O Itaú BBA destaca que, embora os preços da Ambev tenham se valorizado e as ações tenham subido cerca de 35% desde o final de 2025, o valuation atual — próximo a 16 vezes o P/E 2026 — exige atenção.
“O rally nos preços reflete otimismo quanto à dinâmica competitiva frente à Heineken e à expectativa de impulso da Copa do Mundo, mas ainda há baixa visibilidade sobre a sustentabilidade desse momentum no segundo semestre”, alertam os analistas.
O relatório conclui que, apesar da perspectiva favorável de curto prazo, os investidores podem preferir manter cautela diante de múltiplos exigentes e incertezas sobre a continuidade do crescimento após o trimestre do torneio.
