Copa do Mundo e crédito mais restrito pesam sobre construtoras no 2T26, diz Safra; veja as ‘vencedoras’

As prévias operacionais das construtoras referentes ao segundo trimestre de 2026 (2T26) vieram abaixo do esperado, refletindo um ambiente macroeconômico mais desafiador, com pressões inflacionárias e fatores sazonais, segundo avaliação do Safra.
Em relatório, o banco afirmou que grande parte das incorporadoras apresentou números mais fracos do que o previsto em um período considerado “atípico” e impactado, em parte, pelaCopa do Mundo em junho, que reduziu o fluxo de clientes em estandes de vendas.
De acordo com os analistas, no segmento de baixa renda, por exemplo, que é atendido principalmente pelo programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), as empresas registraram a desaceleração mais acentuada na velocidade de comercialização.
Segundo o Safra, além do fator sazonal, o desempenho também foi prejudicado pelo endurecimento da política de crédito imobiliário da Caixa Econômica Federal, que reduziu em cerca de 300 pontos-base o comprometimento máximo de renda dos compradores.
Ainda assim, o banco acredita que o cenário pode melhorar nos próximos meses, já que a Caixa pode reverter essa medida, enquanto o Conselho Curador do FGTS deve discutir, em reunião marcada para 28 de julho, uma redução das taxas de financiamento para as faixas 3 e 4 do MCMV, o que tende a favorecer a demanda.
Baixa renda perde ritmo
Pelas contas do Safra, os lançamentos consolidados das construtoras de baixa renda recuaram 1% na comparação anual e ficaram 5% abaixo das projeções.
Já as vendas líquidas avançaram apenas 2% em relação ao mesmo período do ano passado, mas ficaram 7% abaixo das expectativas.
Com isso, a velocidade de comercialização (VSO) consolidada do segmento caiu para 24,2%, uma redução de 2,2 pontos percentuais ante igual intervalo de 2025.
Parte desse movimento, segundo o relatório, ocorreu pela redução da atividade de lançamentos em São Paulo, após a suspensão inicial de alvarás de construção.
Entre as empresas acompanhadas pelo banco, a Tenda (TEND3) apresentou a maior desaceleração na VSO. O índice recuou para 24,4% entre abril e junho, queda de 3,2 pontos percentuais frente ao trimestre anterior.
Já a Direcional (DIRR3) surpreendeu positivamente na geração de caixa, mas teve comercialização abaixo do esperado, impactada pelo desempenho mais fraco da Riva e pela maior participação de sócios minoritários nos empreendimentos.
A Plano & Plano (PLPL3), por sua vez, melhorou sua VSO na comparação trimestral, embora continue registrando o menor indicador entre as empresas listadas acompanhadas pelo Safra.
Médio e alto padrão seguem resilientes
No segmento de média e alta renda, o banco considera que os resultados foram relativamente sólidos, especialmente nos lançamentos, que cresceram 3% na comparação anual e superaram em 5% as estimativas.
As vendas líquidas, por outro lado, recuaram 2% e ficaram levemente abaixo das projeções dos analistas da casa.
A avaliação do Safra é a de que os novos empreendimentos continuaram apresentando boa absorção, com índice médio de vendas sobre oferta próximo de 36%.
Por outro lado, o indicador médio de vendas sobre estoque ficou ao redor de 10%, com queda sequencial de 1,3 ponto percentual.
Segundo o banco, inclusive, o estoque consolidado das empresas sob cobertura avançou 8% no trimestre e 23% em relação ao ano anterior, alcançando R$ 25,6 bilhões.
A leitura é de que o aumento dos inventários reforça as preocupações do mercado com uma desaceleração mais persistente das vendas de estoque, especialmente em um ambiente de juros elevados.
Moura Dubeux e Cyrela se destacam
De acordo com o Safra, entre as incorporadoras de média e alta renda, a Moura Dubeux (MDNE3) foi o principal destaque do 2T26. A companhia registrou vendas 13% acima das estimativas e alcançou velocidade de vendas de 21%, a mais elevada entre seus pares.
A Cyrela (CYRE3) também apresentou desempenho positivo, com expansão de 18% nas vendas na comparação trimestral, impulsionado pelo avanço de 24% nas vendas performadas de estoque.
Na outra ponta, o banco apontou que a Even (EVEN3) foi a maior decepção do período, com vendas cerca de 45% abaixo das expectativas.
