Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
19/07/2026
4 min

Copa do Mundo impulsiona negócio bilionário da Livelo: ‘Pontos viram tudo, até figurinha’, diz CEO

Copa do Mundo impulsiona negócio bilionário da Livelo: ‘Pontos viram tudo, até figurinha’, diz CEO

A Copa do Mundo ajudou a Livelo a mostrar que um programa de fidelidade pode participar de diferentes momentos da rotina do consumidor, inclusive da tradicional corrida para completar o álbum de figurinhas. Desde abril, a companhia comercializou 1,3 milhão de unidades relacionadas ao torneio, segundo André Fehlauer, CEO da Livelo.

As figurinhas e os álbuns podiam ser adquiridos com dinheiro, acumulando pontos, ou resgatados diretamente com o saldo disponível na plataforma. O movimento ampliou o engajamento dos clientes e deu visibilidade à estratégia da companhia de diversificar a utilização dos pontos para além das passagens aéreas.

“Vendemos, desde abril, 1,3 milhão de figurinhas. É uma forma de comprar figurinhas ou álbuns usando pontos e, ao mesmo tempo, ganhar pontos ao fazer essas compras”, afirma Fehlauer.

O efeito do torneio também chegou aos eletrônicos. A proximidade dos jogos estimulou a procura por televisores, movimento já observado pelo varejo em outras edições da competição. Na Livelo, consumidores podem acumular pontos ao comprar aparelhos por meio das lojas parceiras ou utilizar o saldo para adquirir produtos.

“Sempre que tem Copa do Mundo, vemos um reflexo importante na venda e na troca de televisores para acompanhar os jogos. Tivemos um movimento relevante nessa categoria”, diz o executivo.

Veja também: Marrocos investe US$ 6 bilhões na Copa do Mundo de 2030 e constrói o maior estádio do mundo

Pontos para acompanhar o jogo

A estratégia da companhia também passou por serviços consumidos durante as partidas. Por meio da parceria com o Zé Delivery, por exemplo, o cliente pode acumular pontos ao comprar bebidas. A proposta é conectar o programa a diferentes etapas do consumo, da preparação para assistir aos jogos à compra de produtos relacionados ao campeonato.

O desempenho reforça uma transformação iniciada pela Livelo nos últimos anos. Criada por Banco do Brasil e Bradesco, a empresa busca deixar de ser vista apenas como uma plataforma de transferência de pontos para companhias aéreas.

Atualmente, a Livelo reúne cerca de 60 milhões de clientes e centenas de empresas parceiras. O ecossistema inclui bancos, varejistas, aplicativos de mobilidade, farmácias, supermercados e plataformas de comércio eletrônico.

Embora as companhias aéreas ainda recebam aproximadamente 60% do volume de pontos resgatados, a maior parte das transações realizadas pelos clientes já envolve outras modalidades, como compras no varejo, produtos, serviços e conversão do saldo em dinheiro.

"Queremos que o cliente lembre da Livelo em qualquer momento de consumo, e não apenas quando for viajar. Se ele pede uma bebida para assistir ao jogo, faz uma corrida de Uber, compra uma televisão ou abastece a casa, pode acumular ou usar pontos. É isso que transforma fidelidade em um hábito."

A plataforma permite ainda transformar pontos em dinheiro para pagamentos via Pix. Na avaliação do CEO, essas possibilidades ajudam a aproximar a Livelo de consumidores que não possuem cartão de crédito ou que não acumulam uma quantidade suficiente para resgatar passagens aéreas.

Veja também: Exclusivo: ‘Com a Copa do Mundo, vamos acelerar o turismo no Brasil’, diz nova CEO da Decolar

Viagens são compradas com antecedência

Apesar da mobilização provocada pela Copa, o torneio não gerou uma corrida de última hora por passagens para os países-sede. Segundo Fehlauer, as viagens internacionais relacionadas ao campeonato possuem valores elevados e costumam ser organizadas com meses de antecedência.

"Quem decidiu viajar para a Copa comprou as passagens muito antes do início dos jogos. Em viagens internacionais, a compra acontece entre 90 e 120 dias de antecedência. O legado da Copa para a Livelo vai além das passagens: mostramos que o cliente pode usar pontos para toda a jornada, da figurinha ao televisor, do aplicativo de mobilidade às viagens."

Para a Livelo, o maior legado do torneio está na capacidade de demonstrar as possibilidades do ecossistema. Figurinhas, televisores, bebidas, aplicativos e viagens passaram a fazer parte da mesma jornada de fidelidade.

A estratégia é ampliar a frequência de uso da plataforma e mostrar que o consumidor não precisa necessariamente gastar mais para acumular pontos. A orientação é direcionar para as empresas parceiras despesas que já fariam parte do orçamento.

Com um negócio que movimenta R$ 6,5 bilhões e a ambição de alcançar R$ 11 bilhões até 2030, a Livelo aposta nessa diversificação para sustentar o próximo ciclo de crescimento. A Copa do Mundo funcionou como uma vitrine: enquanto as seleções disputavam o título em campo, a companhia avançava na tentativa de transformar cada compra em uma oportunidade de fidelização.

Veja a entrevista completa de André Fehlauer, CEO da Livelo, durante o podcast "De frente com CEO":

AutorLayane Serrano
FonteExame
Distribuído por