Copa do Mundo impulsiona negócio bilionário da Livelo: ‘Pontos viram tudo, até figurinha’, diz CEO

A Copa do Mundo ajudou a Livelo a mostrar que um programa de fidelidade pode participar de diferentes momentos da rotina do consumidor, inclusive da tradicional corrida para completar o álbum de figurinhas. Desde abril, a companhia comercializou 1,3 milhão de unidades relacionadas ao torneio, segundo André Fehlauer, CEO da Livelo.
As figurinhas e os álbuns podiam ser adquiridos com dinheiro, acumulando pontos, ou resgatados diretamente com o saldo disponível na plataforma. O movimento ampliou o engajamento dos clientes e deu visibilidade à estratégia da companhia de diversificar a utilização dos pontos para além das passagens aéreas.
“Vendemos, desde abril, 1,3 milhão de figurinhas. É uma forma de comprar figurinhas ou álbuns usando pontos e, ao mesmo tempo, ganhar pontos ao fazer essas compras”, afirma Fehlauer.
O efeito do torneio também chegou aos eletrônicos. A proximidade dos jogos estimulou a procura por televisores, movimento já observado pelo varejo em outras edições da competição. Na Livelo, consumidores podem acumular pontos ao comprar aparelhos por meio das lojas parceiras ou utilizar o saldo para adquirir produtos.
“Sempre que tem Copa do Mundo, vemos um reflexo importante na venda e na troca de televisores para acompanhar os jogos. Tivemos um movimento relevante nessa categoria”, diz o executivo.
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Pontos para acompanhar o jogo
A estratégia da companhia também passou por serviços consumidos durante as partidas. Por meio da parceria com o Zé Delivery, por exemplo, o cliente pode acumular pontos ao comprar bebidas. A proposta é conectar o programa a diferentes etapas do consumo, da preparação para assistir aos jogos à compra de produtos relacionados ao campeonato.
O desempenho reforça uma transformação iniciada pela Livelo nos últimos anos. Criada por Banco do Brasil e Bradesco, a empresa busca deixar de ser vista apenas como uma plataforma de transferência de pontos para companhias aéreas.
Atualmente, a Livelo reúne cerca de 60 milhões de clientes e centenas de empresas parceiras. O ecossistema inclui bancos, varejistas, aplicativos de mobilidade, farmácias, supermercados e plataformas de comércio eletrônico.
Embora as companhias aéreas ainda recebam aproximadamente 60% do volume de pontos resgatados, a maior parte das transações realizadas pelos clientes já envolve outras modalidades, como compras no varejo, produtos, serviços e conversão do saldo em dinheiro.
"Queremos que o cliente lembre da Livelo em qualquer momento de consumo, e não apenas quando for viajar. Se ele pede uma bebida para assistir ao jogo, faz uma corrida de Uber, compra uma televisão ou abastece a casa, pode acumular ou usar pontos. É isso que transforma fidelidade em um hábito."
A plataforma permite ainda transformar pontos em dinheiro para pagamentos via Pix. Na avaliação do CEO, essas possibilidades ajudam a aproximar a Livelo de consumidores que não possuem cartão de crédito ou que não acumulam uma quantidade suficiente para resgatar passagens aéreas.
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Viagens são compradas com antecedência
Apesar da mobilização provocada pela Copa, o torneio não gerou uma corrida de última hora por passagens para os países-sede. Segundo Fehlauer, as viagens internacionais relacionadas ao campeonato possuem valores elevados e costumam ser organizadas com meses de antecedência.
"Quem decidiu viajar para a Copa comprou as passagens muito antes do início dos jogos. Em viagens internacionais, a compra acontece entre 90 e 120 dias de antecedência. O legado da Copa para a Livelo vai além das passagens: mostramos que o cliente pode usar pontos para toda a jornada, da figurinha ao televisor, do aplicativo de mobilidade às viagens."
Para a Livelo, o maior legado do torneio está na capacidade de demonstrar as possibilidades do ecossistema. Figurinhas, televisores, bebidas, aplicativos e viagens passaram a fazer parte da mesma jornada de fidelidade.
A estratégia é ampliar a frequência de uso da plataforma e mostrar que o consumidor não precisa necessariamente gastar mais para acumular pontos. A orientação é direcionar para as empresas parceiras despesas que já fariam parte do orçamento.
Com um negócio que movimenta R$ 6,5 bilhões e a ambição de alcançar R$ 11 bilhões até 2030, a Livelo aposta nessa diversificação para sustentar o próximo ciclo de crescimento. A Copa do Mundo funcionou como uma vitrine: enquanto as seleções disputavam o título em campo, a companhia avançava na tentativa de transformar cada compra em uma oportunidade de fidelização.
Veja a entrevista completa de André Fehlauer, CEO da Livelo, durante o podcast "De frente com CEO":
