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Sacre Investimentos
EconomiaACS
15/09/2026
4 min

Copom inicia reunião com expectativa de corte da Selic para 13,75%

Boletim Focus e relatórios de Itaú BBA, C6 Bank, Suno Research e Daycoval apontam novo corte de 0,25 ponto percentual nesta semana

Copom inicia reunião com expectativa de corte da Selic para 13,75%

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central inicia nesta terça-feira, 15, a reunião que deve reduzir a taxa Selic novamente em 0,25 ponto percentual. Com a nova redução, a taxa de juros cairá de 14% para 13,75% ao ano.

A decisão será anunciada na noite de quarta-feira, 16. Relatórios do Itaú BBA, do C6 Bank, da Suno Research e do banco Daycoval, consultados pela EXAME, apontam o corte como o cenário mais provável, mas concordam que o mercado vai concentrar atenção no tom da comunicação e nos sinais sobre os próximos passos do ciclo de juros.

Essa será a última reunião do Copom antes do resultado das eleições deste ano.

No Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 14, pelo Banco Central, a mediana do mercado para a Selic no fim de 2026 permanece em 13,75%. Com isso, a expectativa é que essa possa ser a última redução. A pesquisa também mostrou melhora na expectativa de inflação, com o IPCA de 2026 recuando de 5% para 4,9%.

Mais do que a redução dos juros em si, economistas afirmam que o mercado vai avaliar como o Copom pretende equilibrar a continuidade da flexibilização monetária com projeções de inflação que ainda estão acima do centro da meta.

Cenário marcado pela moderação

Segundo o relatório do Itaú BBA, a expectativa é de um corte de 25 pontos-base, levando a Selic a 13,75%. A decisão deve ser unânime.

De acordo com os economistas do banco, o cenário doméstico segue marcado por moderação gradual da atividade econômica e mercado de trabalho ainda aquecido.

O banco avalia que as expectativas de inflação não pioraram na margem, mas seguem distantes da meta. Já o cenário externo permanece incerto, com pressão na curva de juros dos Estados Unidos e nova escalada nas tensões no Oriente Médio, fator que tem gerado volatilidade nos preços do petróleo.

Para o horizonte relevante do Copom, hoje, o primeiro trimestre de 2028, o Itaú BBA projeta que o modelo do Banco Central deve manter a estimativa de inflação estável em 3,2%.

O relatório também espera que o Comitê repita a descrição de balanço de riscos como assimétrico para cima e mantenha a sinalização de dependência de dados, sem forward guidance explícito sobre os próximos passos.

Aposta na calibração de juros

Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, também projeta o corte para 13,75% e espera uma comunicação cautelosa e sem antecipar movimentos futuros, embora reconheça a possibilidade de novos ajustes, caso necessário.

"O Comitê deve justificar a continuidade da calibração dos juros diante da projeção de inflação ao redor da meta no horizonte relevante. No entanto, as expectativas de inflação acima da meta, o mercado de trabalho aquecido e a resiliência da atividade econômica exigem ainda uma política monetária contracionista", afirma Salles.

O C6 revisou sua projeção para a Selic ao fim de 2026, de 14% para 13,75%, e espera manutenção da taxa nesse patamar nas reuniões restantes do ano.

Cenário brasileiro favorável

Já para Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, o cenário doméstico está mais favorável do que nos meses anteriores, com a inflação corrente em queda e a atividade perdendo ritmo, o que abre espaço para o corte de 0,25 ponto percentual.

"Esse quadro corrente abre espaço para a continuidade da calibragem da política monetária em setembro", diz Sung. Para as reuniões de novembro e dezembro, porém, a Suno projeta manutenção da taxa.

O economista cita quatro fatores que sustentam um balanço de riscos assimétrico para cima: o calendário eleitoral, que tende a pressionar o câmbio; o El Niño, com chance de ser forte ou superforte, o que ameaça os preços de alimentos no fim do ano; a resiliência dos preços de serviços; e o petróleo, de volta à casa dos 100 dólares por barril em meio às tensões no Oriente Médio.

"Em resumo, no cenário-base projetamos a Selic em 13,75% a.a. ao fim de 2026 e em 12,00% a.a. ao fim de 2027", afirma Sung.

Para o Daycoval, instituição financeira especializada em crédito para empresa, o Comitê deve continuar reafirmando a necessidade de serenidade e cautela na condução da política monetária, sobretudo num ambiente de elevada incerteza.

Quando saem a decisão e a ata?

A reunião do Copom começa nesta terça-feira, 15, e termina na quarta-feira, 16, quando a decisão sobre a Selic é anunciada, acompanhada de um comunicado com a avaliação do comitê sobre inflação e atividade econômica.

A ata da reunião está prevista para ser divulgada às 8h da terça-feira seguinte, dia 22 de setembro, no site do Banco Central.

Depois do encontro de setembro, restam mais duas reuniões do Copom em 2026: nos dias 3 e 4 de novembro e nos dias 8 e 9 de dezembro.

AutorDiandra Guedes
FonteExame
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