Copom se reúne com mercado dividido entre corte e pausa do ciclo da Selic

O Copom inicia nesta terça-feira, 16, a reunião mais incerta do atual ciclo de queda da Selic, com o mercado dividido entre um último corte de 0,25 ponto percentual e a manutenção dos juros em 14,50% ao ano.
A dúvida cresceu após a piora das expectativas de inflação, a resiliência da atividade econômica e o impacto do conflito no Oriente Médio sobre o petróleo. A decisão será anunciada ao mercado na quarta-feira, 17, a partir das 18h.
O BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) e a Suno Research ainda projetam corte de 0,25 ponto, para 14,25%. Já a Warren Rena espera manutenção da Selic em 14,50%, com retomada dos cortes apenas no fim do ano.
Assim como o BTG, o Goldman Sachs espera um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, para 14,25%, mas avalia que o espaço para novas reduções de juros é limitado, segundo relatório divulgado na última sexta-feira, 12.
Segundo o banco, a inflação segue pressionada, as expectativas para os próximos anos continuam acima da meta e a atividade econômica permanece resiliente. Na avaliação do Goldman Sachs, o BC deve manter um discurso mais duro, indicando que o ciclo de cortes de juros pode estar próximo do fim.
Na mesma linha, o Banco Daycoval projeta um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, favorecido pela queda dos preços do petróleo após o arrefecimento das tensões no Oriente Médio.
A instituição, porém, espera que o quadro inflacionário siga pressionado, com expectativas de inflação em alta e riscos adicionais para os preços dos alimentos diante da possibilidade de um El Niño mais forte.
Por isso, projeta que o Banco Central mantenha uma comunicação cautelosa e reforce que o ritmo dos próximos cortes de juros permanece em aberto.
O ponto comum entre as casas é que, mesmo se houver corte, o Banco Central deve adotar comunicação mais dura e evitar qualquer sinalização explícita sobre os próximos passos.Com exceção do Daycoval, os relatórios e economistas ainda não consideram na expectativa o possível fim da guerra entre Estados Unidos e Irã. Nesta segunda-feira, 15, os países assinaram digitalmente o acordo, segundo uma fonte do governo americano.
A piora do cenário aparece também no Focus. Segundo dados divulgados pelo mercado nesta segunda-feira, 15, a projeção para a Selic no fim de 2026 subiu para 13,75%, enquanto a estimativa para o IPCA deste ano avançou para 5,30%. A projeção da inflação de 2027, período relevante para a política monetária, avançou para 4,10%.
Corte da Selic
No relatório assinado por Tiago Berriel, Iana Ferrão, João Aveiro, Ederson Schumanski e Mateus Della, o BTG afirma que a decisão mais adequada seria uma pausa já em junho.
Ainda assim, mantém como cenário-base um último corte de 0,25 ponto, porque a comunicação recente do Banco Central ainda indicaria continuidade da calibragem.
O BTG revisou a projeção de Selic terminal de 13% para 14,25% em 2026 e de 10,50% para 12,50% em 2027.A Suno Research, de Gustavo Sung, também espera corte para 14,25%, mas atribui 45% de probabilidade ao cenário de manutenção.
Para a casa, o Copom deve classificar o balanço de riscos como assimétrico, com viés de alta, diante do petróleo, do El Niño, dos serviços pressionados e das expectativas de inflação desancoradas.
A Warren Rena tem a leitura mais cautelosa. A casa projeta manutenção da Selic em 14,50% e afirma que a continuidade dos cortes, em meio à deterioração do cenário, poderia aumentar dúvidas sobre o compromisso do BC com a meta de inflação.
Entre os fatores de preocupação estão os núcleos de inflação ainda elevados, os preços de serviços pressionados por um mercado de trabalho aquecido, a alta de bens industriais e os estímulos fiscais e parafiscais, que sustentam o consumo das famílias.
As opções de Copom da B3, instrumento usado para negociar a variação da Selic definida em cada reunião, também mostram aumento da probabilidade de pausa.
Desde 3 de junho, as apostas para a manutenção da Selic na reunião desta semana cresceram. A partir do dia 10, a projeção de corte voltou a crescer e superou a manutenção. Hoje, 49% acreditam no corte de 0,25 ponto percentual, enquanto a da manutenção é de 44%.
A decisão será divulgada na quarta-feira, 17. Mais do que o tamanho do movimento, o mercado deve observar se o BC encerrará o ciclo de cortes ou manterá a porta aberta para novas reduções em 2026.
