Coreia do Norte ligada a roubo de mais de R$ 2 bilhões em cripto
Somando apenas os casos de maior repercussão atribuídos aos hackers norte-coreanos, as cifras chegam ao equivalente a R$ 19 bilhões

A CEO da corretora de criptomoedas Bitget, Gracy Chen, afirmou em um vídeo nesta sexta-feira, 25, que os hackers por trás do ataque que roubou US$ 387,5 milhões (o equivalente a mais de R$ 2 bilhões) da exchange ontem são provavelmente de um famoso grupo da Coreia do Norte.
Chen afirmou que foram identificados alguns endereços de IP que batem com as escolhas de Redes Privadas Virtuais (VPNs, na sigla em inglês) que costumam ser utilizadas pelos norte-coreanos. Vale destacar que os valores do ciberataque foram revisados hoje a partir da estimativa inicial, que apontava para um desvio de US$ 351,6 milhões.
Within 24 hours of the September 24 (UTC) incident: here is our further update as promised. Our investigation with Mandiant and SlowMist is ongoing — thorough forensic analysis takes more than 24 hours, and further findings will be shared as they become available. Three key…
— Gracy Chen @Bitget (@GracyBitget) September 25, 2026
Especialistas logo conectaram o caso ao famoso Lazarus Group, que também foi responsável pelo hack de US$ 1,5 bilhão à corretora cripto Bybit no ano passado. O episódio conserva até hoje o título de maior roubo de criptomoedas da história.
A empresa de análise de blockchain, Chainalysis, publicou um estudo no ano passado no qual afirmou que os hackers norte-coreanos roubaram US$ 2 bilhões em criptomoedas naquele ano.
O histórico do grupo de hackers da Coreia do Norte
O Lazarus Group é o nome usado por empresas de cibersegurança e autoridades internacionais para identificar um conjunto de hackers supostamente ligado ao governo da Coreia do Norte e que estaria em atuação desde pelo menos 2007, segundo o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. O Lazarus tem sido apontado como autor de uma série de invasões digitais no mercado de criptoativos que datam desde 2017.
Antes do ataque à Bitget, o último grande ciberataque havia sido o roubo de US$ 292 milhões da KelpDAO em abril deste ano. No começo do mesmo mês, o grupo teria roubado US$ 285 milhões da corretora descentralizada Drift Protocol.
Em novembro de 2025, por sua vez, o grupo da Coreia do Norte foi investigado pelo desvio de US$ 37 milhões da corretora de criptomoedas sul-coreana, Upbit.
Pyongyang, capital da Coreia do Norte (narvikk/Getty Images)
Em 2024, foram US$ 235 milhões da corretora cripto indiana WazirX e naquele mesmo ano, a exchange japonesa DMM Bitcoin teve US$ 308 milhões roubados pelo Lazarus Group.
Em 2022, o ataque que alçou o Lazarus às manchetes internacionais foi o roubo de US$ 615 milhões à Ronin Bridge, uma ponte que permitia a transferência de criptomoedas entre blockchains e que era utilizada pelo jogo eletrônico Axie Infinity.
Fora esses, o Lazarus também é apontado como o autor de uma série de ataques menores, mas considerando apenas esses casos de maior repercussão, o valor envolvido chega a US$ 3,7 bilhões (ou R$ 19 bilhões).
Preocupação do G7
Em junho, os líderes do G7, grupo dos líderes dos países que possuem as sete maiores economias do planeta, manifestaram preocupação com o crescente número de casos de roubos de criptomoedas por hackers da Coreia do Norte.
Uma das preocupações é que o país possa estar utilizando os valores desviados para financiar seu programa nuclear e de mísseis balísticos.
Se ficar confirmado que o ataque à Bitget foi executado pelo Lazarus, será o primeiro grande ciberataque dos norte-coreanos desde que o G7 expressou tais temores. Fica claro, assim, que o movimento das maiores economias não foi capaz de frear os cibercriminosos.
