Cosan (CSAN3): Bradesco BBI corta preço-alvo, mas juros menores e venda de ativos podem destravar valor

O Bradesco BBI revisou para baixo suas estimativas para a Cosan (CSAN3), mas segue enxergando potencial de valorização para as ações, apoiado principalmente por uma eventual melhora do ambiente de juros e pelo avanço do programa de desinvestimentos da companhia.
Após atualizar suas premissas para considerar apenas os desinvestimentos já anunciados, incluindo a oferta secundária da Compass e a venda de parte dos ativos da Radar, além de um custo de capital mais elevado e a atual curva de juros, o banco reduziu seu valor justo para a Cosan para cerca de R$ 4,10 por ação (ante R$ 7).
Apesar do corte, a estimativa ainda sugere potencial de alta em relação aos níveis atuais de negociação.
Segundo o banco, os papéis acumulam queda próxima de 50% desde o pico registrado após o follow-on, refletindo uma combinação de resultados mais fracos do que o esperado, aumento da dívida líquida e deterioração das condições macroeconômicas no Brasil, marcada pela abertura da curva de juros e pelas expectativas de manutenção de taxas elevadas.
O cenário mais desafiador aumentou as dúvidas dos investidores em relação ao desconto da holding frente ao valor de seus ativos e à capacidade de geração de caixa. Ainda assim, o Bradesco BBI avalia que boa parte dessas preocupações já está incorporada ao preço das ações.
Na avaliação dos analistas, o mercado já precifica um cenário bastante conservador para a companhia. O desconto em relação ao valor dos ativos, combinado à possibilidade de melhora das condições financeiras e à agenda de simplificação do portfólio, reforça a atratividade da tese de investimento.
Entre os principais catalisadores para uma reprecificação das ações, o Bradesco BBI destaca qualquer alívio na curva de juros, mesmo que não seja acompanhado por um ciclo prolongado de cortes da Selic. Além disso, novos avanços no programa de venda de ativos podem contribuir para a desalavancagem e reduzir a percepção de risco dos investidores.
Nesse sentido, o banco cita a possibilidade de novas alienações de terras da Radar, uma redução adicional da participação na Compass e até uma eventual monetização da fatia detida na Rumo. Para os analistas, a combinação entre execução dos desinvestimentos e estabilização do cenário macroeconômico pode abrir espaço para uma recuperação das ações ao longo dos próximos trimestres.
