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Sacre Investimentos
EmpresasACS
17/06/2026
4 min

Cosan (CSAN3): BTG vê ‘ato final’ para reestruturação e potencial de 144% para ação

Cosan (CSAN3): BTG vê ‘ato final’ para reestruturação e potencial de 144% para ação

O processo de simplificação da estrutura da Cosan (CSAN3) deixou de ser uma tese e começou a se tornar realidade, segundo o BTG Pactual.

O banco argumentava que a complexa estrutura da holding ainda carregava valor significativo. Desde então, o caminho para destravar esse valor ficou mais claro.

Segundo os analistas, a empresa iniciou uma transição de uma fase focada na construção de ativos para outra voltada à monetização deles, reduzindo gradualmente a complexidade do grupo.

Mesmo assim, os últimos meses trouxeram obstáculos. A abertura de capital da Compass ocorreu a uma avaliação abaixo das expectativas iniciais do BTG, enquanto um cenário de inflação mais persistente adiou o ciclo de cortes de juros no Brasil. Como a Cosan ainda opera como uma holding alavancada, isso significa um processo mais lento de desalavancagem.

Desconto de holding

O BTG afirma que a Cosan continua negociando com um desconto de holding de aproximadamente 29%, percentual que surpreendentemente aumentou mesmo após os avanços na simplificação da estrutura.

Para os analistas, a tese de investimento deixou de ser sobre financiar uma nova fase de expansão e passou a ser sobre capturar o valor dos ativos já construídos ao longo dos anos.



À medida que a venda de ativos avance, o banco acredita que os investidores poderão se beneficiar da redução da dívida da holding, do estreitamento do desconto de holding e, potencialmente, da transformação desse desconto em prêmios de controle.

Diante da recente performance fraca das ações, o BTG reiterou sua recomendação de compra para a Cosan, com preço-alvo de R$ 8 por ação, incorporando novas avaliações para Compass e Rumo.

O ‘ato final’ da Cosan

Os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla comparam a trajetória da Cosan a uma história dividida em três atos.

Fundada há mais de 80 anos como uma usina de cana-de-açúcar em Piracicaba, a empresa se transformou ao longo do tempo em uma das holdings mais ambiciosas do país, expandindo sua atuação para logística, terras agrícolas, lubrificantes, distribuição de gás e até mineração.

Segundo o BTG, a companhia passou décadas adicionando novos capítulos ao portfólio, mas raramente removendo ativos. Agora, essa lógica parece estar mudando.

O processo teve início com o recente aumento de capital e a entrada de novos acionistas no bloco de controle.

A partir daqui, o caminho parece cada vez mais claro: monetizar os ativos remanescentes, simplificar a estrutura societária e, eventualmente, desmontar a holding.

Embora alguns investidores possam enxergar esse movimento como um capítulo final pouco empolgante, o BTG vê justamente aí a oportunidade.

“Durante décadas, a Cosan foi uma história sobre construir. Daqui para frente, deve se tornar uma história sobre colher os frutos do que foi construído. E é exatamente nesse ponto que a tese de investimento volta a ficar interessante”, afirmam os analistas.

Na visão do banco, o mercado ainda precifica a complexidade acumulada pela Cosan ao longo dos anos, e não o valor que pode ser liberado à medida que essa estrutura for desmontada.

Balanço mais forte, mas desalavancagem ainda é necessária

Após a oferta subsequente de ações (follow-on) e o IPO da Compass, a dívida líquida ajustada da Cosan no nível da holding caiu de forma relevante. Ainda assim, a situação financeira continua pressionada.

O BTG destaca que as despesas financeiras permanecem acima dos dividendos esperados das subsidiárias em 2026. Com isso, a holding deve consumir cerca de R$ 1 bilhão em caixa neste ano, considerando despesas corporativas e excluindo eventos extraordinários.

Na avaliação do banco, porém, a situação continua administrável. Os analistas apontam a Radar e a Rumo como os candidatos mais óbvios para monetização no curto prazo.

Já a Moove permanece como um ativo de alta qualidade e com elevado potencial de venda no médio prazo, enquanto a Compass passou a ser um ativo líquido após sua listagem em bolsa.

AutorPasquale Augusto
FonteMoney Times
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