Cosan (CSAN3) pode destravar valor com novas vendas, diz BTG; holding negocia com desconto de 29%

A Cosan (CSAN3) ainda tem espaço relevante para destravar valor por meio da venda de ativos e da redução do endividamento da holding, avalia o BTG Pactual. Para o banco, as ações negociam com um desconto de aproximadamente 29% em relação ao valor de seus ativos, patamar considerado elevado diante dos avanços recentes na simplificação da estrutura da companhia.
O BTG manteve recomendação de compra para os papéis, com preço-alvo de R$ 8, o que representa potencial de valorização de cerca de 145%.
Segundo os analistas, a Cosan vem migrando de uma estratégia focada na construção de ativos para uma nova fase voltada à monetização do portfólio e à desalavancagem. Nos últimos anos, a companhia reduziu despesas da holding, diminuiu a dívida, realizou o IPO da Compass (PASS3) e vendeu parte de sua participação na Rumo(RAIL3), sem perder exposição econômica ao ativo.
Apesar de o IPO da Compass ter ocorrido em condições menos favoráveis do que o esperado e do ambiente de juros elevados ter atrasado o processo de desalavancagem, o banco avalia que a empresa possui hoje um caminho mais claro para reduzir a alavancagem e gerar valor aos acionistas.
Ao final do primeiro trimestre de 2026, a dívida líquida ajustada da holding somava aproximadamente R$ 12,3 bilhões. As despesas financeiras ainda superam os dividendos recebidos das subsidiárias, o que deve resultar em um consumo de caixa próximo de R$ 1 bilhão neste ano.
Para o BTG, esse cenário tende a melhorar à medida que a companhia avance na venda de ativos, reduza sua dívida e amplie a distribuição de dividendos pelas controladas.
No curto prazo, os principais candidatos à monetização continuam sendo a Radar e a participação da Cosan na Rumo. Em um segundo momento, a Moove e parte da fatia remanescente na Compass também podem entrar no radar.
A Radar, empresa de terras agrícolas da Cosan, possui cerca de 306 mil hectares. Segundo o banco, a venda desse portfólio deve ocorrer de maneira gradual, em razão da menor liquidez do mercado de terras e das restrições à participação de investidores estrangeiros.
As estimativas do BTG indicam que a venda de aproximadamente 70 mil a 80 mil hectares, com desconto de cerca de 15% sobre o valor de avaliação, poderia reduzir de forma significativa o consumo de caixa da holding e acelerar o processo de desalavancagem.
Na visão do banco, o desconto atual das ações não reflete os avanços realizados pela companhia nos últimos anos, o que sustenta a recomendação de compra para os papéis.
