Crédito rural em alerta: operações problemáticas atingem recorde de R$ 207 bilhões e já representam 23,5% da carteira
O estresse no mercado de crédito rural continua aumentando no Brasil, com as operações consideradas problemáticas alcançando o recorde de R$ 207,4 bilhões em julho, segundo relatório do BTG Pactual. O montante representa 23,5% da carteira total de crédito rural do Sistema Financeiro Nacional, avaliada em R$ 881,6 bilhões. A classificação reúne empréstimos em atraso, […]

O estresse no mercado de crédito rural continua aumentando no Brasil, com as operações consideradas problemáticas alcançando o recorde de R$ 207,4 bilhões em julho, segundo relatório do BTG Pactual.
O montante representa 23,5% da carteira total de crédito rural do Sistema Financeiro Nacional, avaliada em R$ 881,6 bilhões. A classificação reúne empréstimos em atraso, inadimplentes, prorrogados ou renegociados.
Os analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale destacam que os dados mais recentes do Banco Central mostram uma nova deterioração da qualidade do crédito no segmento.
O índice de inadimplência dos empréstimos rurais concedidos a pessoas físicas também chegou ao recorde de 8,8%.
Atrasos acima de 90 dias avançam 20%
O principal fator por trás da piora foi o aumento dos empréstimos vencidos há mais de 90 dias. Essas operações passaram de R$ 38,1 bilhões em junho para R$ 45,7 bilhões em julho, avanço de 20% em apenas um mês.
Os financiamentos atrasados entre 15 e 90 dias aumentaram de R$ 21,2 bilhões para R$ 22,4 bilhões. Já os empréstimos prorrogados avançaram de R$ 31,6 bilhões para R$ 32,2 bilhões.
As operações renegociadas, que constituem a maior parcela do saldo problemático, chegaram a R$ 106,9 bilhões, ante R$ 106,5 bilhões no mês anterior.
Apesar do crescimento das exposições problemáticas, o saldo adimplente da carteira recuou de R$ 682,7 bilhões em junho para R$ 674,2 bilhões em julho.
Rio Grande do Sul tem 41,6% da carteira sob pressão
O cenário é particularmente delicado no Rio Grande do Sul, onde as exposições problemáticas atingiram R$ 44,9 bilhões. O valor equivale a 41,6% da carteira de crédito rural do Estado, que soma R$ 108,8 bilhões.
Segundo o relatório, o produtor gaúcho sofreu cinco anos consecutivos de perdas de produção causadas por secas e enchentes.
Os empréstimos em atraso no estado praticamente dobraram e chegaram a R$ 4,1 bilhões em julho. Paralelamente, o saldo das operações consideradas adimplentes caiu de quase R$ 74 bilhões em março para R$ 63,8 bilhões.
Do total problemático no Rio Grande do Sul, R$ 37,4 bilhões ainda estão em dia porque os contratos foram prorrogados ou renegociados antes de entrarem em atraso.
Em Mato Grosso do Sul, os empréstimos problemáticos somaram R$ 19,5 bilhões, mais que o dobro dos R$ 9,5 bilhões classificados como adimplentes.
O movimento foi diferente em dois dos maiores estados produtores de grãos do país. O saldo problemático recuou para aproximadamente R$ 20 bilhões em Goiás e R$ 21,8 bilhões em Mato Grosso.
Produtores enfrentam dificuldades para renegociar
O BTG também chama a atenção para as dificuldades relatadas pelos produtores no acesso às linhas de renegociação estabelecidas pela MP 1.376/2026.
Entre os principais entraves estão a exigência, pelas instituições financeiras, de pagamentos antecipados de até 15% do saldo devedor e a apresentação de garantias adicionais para as novas operações de refinanciamento.
Relator da medida provisória, o deputado Paulo Pimenta defendeu a ampliação do prazo para prorrogar as parcelas de crédito rural próximas do vencimento. A mudança permitiria que os contratos permanecessem adimplentes e, consequentemente, elegíveis para renegociação.
Segundo o relatório, porém, as discussões sobre o assunto com o governo federal ainda não chegaram a uma conclusão.
